Meu momento

É. Eu sempre soube. Eu sempre fui. Pra mim, era natural. Sempre me interessei mais pelos meninos do que pelas meninas e só fui me sentir diferente na escola, quando meus amiguinhos vinham me falar sobre o que achavam das meninas e tudo mais.

Foi quando eu percebi que eu era diferente. Isso foi trágico. Desencadeou grandes sentimentos dentro de mim. Eu me afastei de mim e comecei a viver alguém que eu não era. Eu queria ser aceito.

Assim foi durante toda minha vida escolar, eu era e não queria ser. Eu queria ser como os outros meninos e para isso, eu buscava me aproximar deles, me tornar seu amigo, se possível, o melhor. Quem sabe assim, eu aprenderia a ser como eles? Bom, assim eu pensava.

Não adiantou. Nada mudou e eu continuava preso e infeliz, dentro de mim mesmo, dos meus livros e dos meus brinquedos. Nunca fui um criança solitária e isolada, sempre tive muitos amigos, mas sempre usei uma máscara, pra não mostrar quem eu era de verdade e pra não decepcionar aqueles que eu prezava tanto.

Na fase de minha adolescência, encontrei uma muleta que me serviu por 7 anos. A igreja. Eu podia não ficar com garotas, não ceder as investidas delas e nem dos meninos, quando tentavam me empurrar pra uma. Eu buscava ser puro e santo.

Passei pelo ensino fundamental e pelo ensino médio assim, diferente, não por ser o que eu era e sim por ser ‘santo’. Quando cheguei na faculdade, carregava dentro de mim muitos medos e angústias, afinal, poderia começar tudo de novo, os comentários e as indagações dos outros.

Não foi diferente. Todos dizem que a faculdade é o lugar onde exorcizamos os demônios, aprontamos e tudo mais, por que, ou se faz ali, ou não se faz mais.

Eu fiz o caminho inverso. Entrei em ostracismo e tentei provar, durante 4 anos, que eu era uma pessoa que eu não era. Eu tinha medo e ainda não era meu momento.

Sempre fui um enorme ponto de interrogação na mente das pessoas, e eu gostava disso. Só não gostava quando elas insistiam em decifrar a charada.

Imaginem só, passar 4 anos procurando esconder seu verdadeiro eu e com medo. Muito medo. Muitos querendo te ajudar e você não querendo ser ajudado. Complicado, não?

Enfim, chegou a formatura e automaticamente minha mente e minha alma se sentiram leves e juntas, decretaram, era o fim. O fim da máscara, o fim do medo e o fim do esconderijo. Agora, eu estava livre. Afinal, a faculdade havia acabado e dali, eu só levaria pra minha vida quem eu realmente queria e essas pessoas, mereciam me conhecer de verdade.

Por ironia do destino, ou não, no dia do baile…aconteceu o meu primeiro beijo gay. Foi diferente. Diferente de tudo que eu já havia sentido e provado. Daquele em dia em diante, eu me aceitei e não lutei mais contra mim mesmo. Eu era gay e não podia mudar isso. Era mais forte que eu e além de tudo, era bom.

Desde então eu tenho agido de uma forma diferente, passei a contar para os meus amigos mais próximos e tenho sido eu mesmo, pela primeira vez na vida, protagonista da minha própria história.

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Sobre The Silly

Um perfeito reclamão, extremamente afobado e muito desastrado. Quero tudo e quero agora. Comunicador por formação e por paixão. Brasileiro com passaporte turquesa. Ouço todo tipo de música, mas é com o bom e velho pop/rock que eu me entendo bem. Adoro comer e não vivo sem chocolate. Canceriano clichê e romântico fundo de quintal. Leio muito e coleciono toys. Morro com barbas por fazer (de preferência clarinhas). Harrymaníaco incurável.

Publicado em julho 30, 2011, em A descoberta, The Silly e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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