Contando para o mundo

Levou um tempo até que eu achasse ser possível contar por aí sobre a minha condição sexual. Meus pensamentos de quando isso deveria acontecer mudavam constantemente, dessa forma:

 

  • Irei contar quando sair da escola (que alternou para quando eu sair da faculdade);

Não crie metas desse tipo. Eu não sabia quem poderia encontrar na faculdade e as pessoas com quem cursei a escola não mudariam de opinião só porque já não estudávamos mais juntos; ou eles aceitariam ou não, independente disso.

 

  • Eu devo contar quando estiver namorando sério com alguém, para esse alguém me dar apoio;

Não é a melhor forma. Eu estaria depositando uma carga excessiva em uma pessoa que não merecia ter essa responsabilidade e depois que terminasse, sempre existiria a chance de eu cobrar a pessoa: “eu contei por você e agora você faz isso comigo?”, o que não seria nenhum pouco justo.

 

  • Eu devo contar quando estiver independente, porque eu não me preocuparei com a opinião e julgamento dos outros;

Não é verdade. Você sempre irá se preocupar com o que sua família pensa, sempre precisará dos conselhos dos seus pais, sempre os quererá por perto. E independência financeira não é sinônimo de independência e equilíbrio espiritual.

 

Comigo aconteceu da seguinte maneira: na escola mesmo eu já contei para alguns amigos, que continuaram a me tratar como sempre me trataram, pois para eles, a condição sexual não interferia na amizade que tínhamos, ou seja, eu continuava a ser a mesma pessoa de sempre.

Meus pais descobriram após uma briga que eu tive com meu irmão (quem disse que brigas não servem para coisas boas também?). Com a adrenalina correndo em minhas veias, tive vontade de deixar tudo claro e falei, aos 19 anos. A reação deles foi a melhor do que eu podia imaginar: disseram que me amavam, que isso não importava e o que queriam era que eu fosse feliz, independente de como eu acharia essa felicidade. Até meu irmão me apoiou e me defende até hoje, ou seja, para eles, eu também continuava a ser a mesma pessoa de sempre.

Entretanto, no meu local de trabalho e na própria faculdade, não foram todos que ficaram sabendo. Eu contei pra quem tive vontade de contar, no meu tempo.

Por isso, o conselho que posso dar a respeito desse assunto é: Conte, se você quiser contar. Não conte se não quiser.  Se quiser gritar ao mundo, GRITE. Se quiser manter em segredo, MANTENHA.

A vida é sua, você deve fazer o que for melhor pra você, sempre.

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em agosto 1, 2011, em A descoberta, The Serious. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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