11 músicas para amar melhor

1. PRIMEIRO ENCONTRO: DANCE ME TO THE END OF LOVE

Madeleine Peyroux

Um das qualidades mais comuns na fala de quem descreve um bom primeiro encontro é a espontaneidade, quando tudo flui como uma dança. A versão jazzística da Madeleine Peyroux para a música do poeta zen Leonard Cohen serve para se ouvir antes de sair, durante o encontro ou depois, junto a lembranças e vontades-de-quero-mais. Sem falar que é difícil encontrar expressão mais bonita do que “Dance me to the End of Love” – todas as exigências femininas se resumem a esse único pedido.

 

2. CONQUISTA: WALKING AFTER YOU

Foo Fighters

Sedução e conquista são nomes para um só processo: envolvimento. O cara pode ser feio, não ter carro ou grana, mas lentamente vai invadindo o mundo dela, colocando brilho onde não tinha, criando marcas com sua presença. Ele envolve com frases, presentes, ligações, músicas, filmes, olhares, poemas, braços, pernas… Ele vai atrás dela. E, de repente, ela olha o Sol e ele está lá, olha para o teto de seu quarto e o cara está lá. “Walking after you” é uma das músicas que mais refletem esse processo, em letra e melodia. A condução contínua na caixa e o violão dedilhado são o som de nosso caminho ao redor do outro, percorrendo suas linhas, colocando nossa mão em tudo: “I’m on your back”.

 

3. STRIPTEASE: SINKIN’ SOON

Norah Jones

Já recebi stripteases bem produzidos, com direito à cadeira, fantasia e medley de músicas de soul, black e R&B, porém essa música da Norah foi responsável por um strip que não deveria ter acontecido. O clima de cabaret, o efeito da surdina no trompete, os acordes repetitivos do piano, o chimbal aberto… Tudo faz com que o quadril lentamente se mova e roupas sejam arremessadas, um a uma, sem pressa. A própria letra prevê o que acontecerá ao seu fim: “We’re gonna be sinkin’ soon”.

 

4. FUCK MUSIC: TOUCH

Jonny Lang

Jonny Lang é um moleque que canta, toca guitarra e compõe como se tivesse 52 anos. Até o momento, sua discografia mostra bem seu percurso: começou com dois CDs de blues aos 15 anos, passou ao rock no terceiro álbum, fez outro com baladas para comer mulher e resolveu lançar um com música gospel (a consciência deve ter ficado pesada!). “Touch” é do quarto CD, claro. No entanto, penso que ele não deveria ficar com nenhum peso na consciência. Quer trabalho mais espiritual do que fazer trilha sonora para que o amor seja bem feito mundo afora? Sobre a música, nada a comentar – sabe como é, dessas coisas não se fala.

 

5. PÓS-FUCK MUSIC: AMOR PURO

Djavan

Suados e deitados, mão que desliza a milimetros da pele. Uma única respiração, efeito de horas de movimentos sincronizados. Qualquer música agitada atrapalharia esse momento. Mas não a cadência da bateria de Carlos Bala, um ritardando que nunca acontece. Cada batida é bem na cabeça, desapressada, esperando cada vez um pouco mais. Eis uma arte que todo amante deveria aprender, a da precisão. Simultânea ao toque, a letra é para ser sussurrada longe do ouvido, nos braços, pés e pernas: “Te adoro em tudo, tudo, tudo”.

 

6. CASAMENTO: CASE-SE COMIGO

Vanessa da Matta

A primeira vez que a ouvi estava andando pela cidade, sol na cara, céu no fim da rua. A playlist tinha sido gravada como uma surpresa (“Troquei todas as músicas. Bom dia!”). Senti a responsabilidade de ter me metido na vida de uma outra pessoa, de causar sorrisos, de amar. Delicioso ouvir isso de uma mulher: “Meu príncipe, meu hóspede, meu homem, meu marido”. Ao apresentar cenas do passado e flashes do futuro, a música pedia minha ação: “Case-se comigo, antes que eu padeça”. Deu até frio na barriga. A letra e a própria voz de Vanessa da Matta são tingidas de entrega, algo delicioso e não menos assustador.

 

7. PARA DANÇAR: HARVEST MOON

Cassandra Wilson

Não é à toa que a versão da Cassandra Wilson para a composição de Neil Young foi escolhida para compor a trilha do filme My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado). É para dançar colado, cheek to cheek. Em silêncio, deixando que a letra fale por si própria: “Cause I’m still in love with you, I wanna see you dance tonight”. Atente para os sons de fundo e perceberá que a música é, na verdade, todo um ambiente de amor. Aí basta repousar, basta ficar.

Para os casais que sabem dar show no salão, deixo 3 sugestões de ritmos diferentes: “Na Gangorra“, de Mariana Aydar (samba de gafieira); “Zum“, de Astor Piazzola (tango); e “Salsa Rapada“, de Toure Kunda.

 

8. VIAGEM A DOIS: TRIP HOPPIN’

Aerosmith

Aerosmith foi a única banda da qual fui fã de carteirinha. Comprei, um a um, todos os CDs – na época em que eles eram dificilimos de achar – e os coloquei em uma caixa que fiz só para isso. Road music tem de monte (uma das que mais gosto é “Saving Grace“, do Tom Petty), contudo, é meu espírito solitário que as adora. Escolhi “Trip Hoppin'” não só porque foi feita para se ouvir com vento batendo no rosto, mas por deixar claro que a verdadeira viagem é o outro: “Loving you is trippin’ to me”.

 

9. AMOR À DISTÂNCIA: KISS THE RAIN

Billie Myers

Esses versos retratam exatamente o que acontece nos relacionamentos à distância. A incerteza quanto ao tamanho da distância sutil entre ambos (“Am I gettin’ through to you?”), o medo de que o outro se apaixone por um terceiro (“Are you sure you’re there alone?”), o desejo que ele se sinta igualmente solitário e miserável (“And the nights As empty for me, as for you”), a poesia em ter o céu como único ponto de encontro (“Keep in mind / We’re under the same skies”). Não importa se lá longe impera outro idioma, se as mentes pensam diferente, se é outro fuso-horário. Lá deve chover também, igualzinho aqui. Quando você quiser amar e não encontrar ninguém por perto, nem precisa sair para beijar a chuva: aninhe-se na voz de Billie Myers.

 

10. ONE-NIGHT STAND: TWO STEP

Dave Matthews Band

“Celebrate we will / Because life is short but sweet for certain”. Eis a essência de uma boa one-night stand. É como se disséssemos um ao outro: “Em breve, estaremos todos mortos. Não me importa seu nome, vamos celebrar”. Usar Dave Matthews para envolver alguém é pura sacanagem. Se não quiser trapacear, se preferir jogar limpo, nunca dê play nessa música. Todas as composições do grupo são uma mistura de malícia, sensibilidade e força. Esta última qualidade vem da pegada de Carter Beauford, um dos melhores bateristas do mundo. Para manter a ordem do mundo, não ouça essa música (nem “Crash into me“, “Crush” ou “The Space Between“) com ninguém, ok?

 

11. EX-NAMORADOS: LOVE RIDDEN

Fiona Apple

O namoro acabou e você sente indignação, frustração e raiva? Conheça Fiona Apple, especialista em cantar revoltada por algum relacionamento fracassado. “Love Ridden” é a quarta música de seu melhor álbum [http://en.wikipedia.org/wiki/When_the_Pawn…], cujo título é o mais longo da história, com 445 caracteres. Ainda que a letra sugira a existência de um namoro, a melodia se move a partir da certeza do fim. O contato que começa com um aceno à distância pode eventualmente se enriquecer com beijos e abraços, para enfim voltar aos acenos, agora mais distantes: “Only kisses on the cheek from now on / And in a little while, we’ll only have to wave”.

 

Por Gustavo Gitti |

 


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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em setembro 29, 2011, em Geral, The Serious. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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