Fazendo de seu jeito

O que você está fazendo da sua vida? Preste atenção porque, afinal, somos responsáveis pelos caminhos que escolhemos.

Era o começo dos anos 80. Eu, muito jovem, já tinha conseguido alguma independência e gostava de pensar que mandava em meu próprio nariz. Naquelas férias, viajei com amigos para os Estados Unidos e, uma vez lá, propus que visitássemos um dos símbolos do capitalismo e do american way of life: Las Vegas.

Saímos de carro de Los Angeles para uma viagem de cerca de quatro horas, em que se cruza a Califórnia por uma estrada perfeita, passando por pequenos povoados, inclusive a cidade fantasma de Calico, onde se espera ver um duelo na frente do saloon.

De repente, após cruzar o deserto de Mojave, estamos em Nevada e, quando menos se espera, já se avistam as torres dos hotéis da Strip, no meio do nada. Las Vegas pulsa com luzes, pecados, risos, esperanças e desesperos. Em 2011, completou 100 anos de existência essa cidade artificial, construída no deserto do sonho americano, para ser a capital dos prazeres.

Mas o que estaria eu, que não gosto de jogar nem palito, fazendo naquele lugar? Meus amigos não sabiam, mas o que eu queria mesmo não era ficar apostando fichas na mesa de black jack, e sim assistir a um show no lendário Golden Nugget, porque Las Vegas não é feita só de jogos, mas também de grandes espetáculos. O artista? Ele. A Voz. Frank Sinatra.

E Sinatra não decepcionou. Cantou Fly Me To The Moon, Strangers in the Night, New York, New York, fazendo o imenso teatro quase levitar; e de repente atacou uma música que mexei comigo de um jeito que eu não esperava: My Way.

I’ve lived a life that’s full
I traveled each and
every highway
And more, much more than this
I did it my way

A música, adaptada por Paul Anka da francesa Comme d’Habitude, é um desabafo de um homem que confessa que viveu intensamente, amou, viajou, riu, chorou e sabe que, em alguns momentos, mordeu mais do que podia mastigar. Mas de nada se arrepende, pois tem a consciência de que, tudo que fez, fez porque quis e, acima de tudo, fez como quis. “Fiz do meu jeito”, insisti – I did it my way.

O impacto sobre meu ser foi forte porque eu tinha duas dúvidas que ficaram mais fortes depois que refleti sobre a música. A primeira é se eu estava conduzindo minha vida do jeito que eu queria. A segunda é, se afinal, eu sabia que jeito era esse.

Eugenio Mussak, Revista Vida Simples, fev/12

E você? Como está conduzindo sua vida?

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em fevereiro 15, 2012, em Geral, The Serious. Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Que texto lindo! Me fez refletir tb em algo..estou conduzindo minha vida do meu jeito, memso errando..estou fazendo do meu jeito. Assim como esse personagem fez.

    =D

  2. não, não sei, minha vida tá na merda e todas as minhas escolhas se mostraram erradas. não sei mais o que faço.

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