Parte I – É isso que você quer pra sua vida?

“Não”, era minha resposta.

Quando eu era pequeno, seja em desenhos ou filmes que eu assistia, a figura masculina me chamava a atenção. Pra quem se lembra      do Leo, o Power Ranger Vermelho da Galáxia Perdida, já me balançava. Mas não era desejo, era uma admiração. Dos meus amigos da infância, todos eram maiores. Acho que eu gostava da sensação de estar “protegido” andando com eles.Eu tinha essa admiração. O corpo masculino era interessante. Mas eu não me achava gay. Eu não me achava nada. Se estou falando disso hoje, é porque são os olhos de hoje. Não faria essa análise em 2012 com minha cabeça de 2000, nem poderia.

Psicologias à parte, eu me encaixo no perfil de mãe super protetora e pai ausente; talvez fosse algo natural eu buscar essa figura masculina sem necessariamente ser homossexual (leigo falando aqui, Behavioristas de plantão).

De família tradicional católica fervorosa (podia ser pior, não?), ser gay não era bem visto. Lembro-me dos meus primos mais velhos já fazerem piadinhas do assunto.

Pois bem, com 12 anos e esperando os sábados para acessar a velha internet discada, o instinto já se refletia no google images … o mais engraçado era que, além da dificuldade em encontrar na época (tente hoje com o safesearch desativado para você ver a facilidade), eu era educado nas minhas buscas, só faltava pedir “Por favor, google”. Melhorei nas pesquisas com o passar do tempo.Mas sempre pesquisava fotos de homens. O corpo feminino foi começar a ter algum efeito mais tarde, mas falamos disso depois.

A velha Igreja, indo em caminho contrário, me deixava com o sentimento de culpa. No entanto, o prazer que eu conseguia com aquelas fotos não podia deixar de acontecer, eu teria que conviver com a culpa. E a culpa foi ficando adormecida, adormecida, e sumiu.

Se a adolescência já é complicada sendo heterossexual, imagina começá-la sendo gay. E sem meios de nos expressar, somos obrigados a nos fechar e, secretamente,  ponderar crenças, desejos, a nossa realidade, para conseguir viver.

E então,nesse ano, paralelo a tudo isso, começava um boato na minha sala de que um menino era gay. Os meninos, na educação física, ficavam comentando. Achava que era maldade porque o garoto só andava com meninas. Estereótipo inconveniente atacando.

Chega, pois, dezembro. 13 anos, transição entre sexta e sétima série.  Sou convidado pra uma festa na piscina por uma amiga. Convidados meninos: eu e o tal menino.  Mas, o que aconteceu lá, fica pra uma próxima história.

Obrigado pela atenção, e um obrigado especial aos autores pelo convite para colaborar. Espero cumprir às expectativas de todos! Grande abraço galerinha (:

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Sobre The Believer

Me dá um copo de bebida e coloca minha batida eletrônica. Pronto. Me soltei. Estudante das exatas, cheio de compromissos com a faculdade durante o dia, livre durante a noite (a quem interessar). Libriano (com um ascendente perigoso e bem influente em escorpião), poliglota até que se prove o contrário. Pop, rock clássico, melódico, indie rock, black music, mais pop. Acredito no melhor das pessoas, que existem figuras incríveis ainda para conhecer, situações inesperadas para viver, e no meio disso tudo, ser feliz.

Publicado em fevereiro 18, 2012, em A descoberta, Geral, The Believer. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Adorei o texto, estou ansioso pela próxima parte!

    Welcome! =D

  2. Uma história muito interessante a sua!

    Estou ansioso pela próxima parte! (2) =}

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