Parte II – E vieram os 16

Era dezembro, transição entre minha sexta série e sétima série, eu tinha 12 anos. Convidados meninos para aniversário da piscina de uma amiga minha que fazia aniversário: eu e ele. Ele era um menino da minha sala chamado Renan que todos diziam ser gay. Achava exagerado o que falavam no menino. Pessoas falam demais e conseguem ser venenosas, e era algo que eu já tinha pra mim desde cedo.

Clássica festa de piscina, sem nada de diferente, até a hora de trocarmos para ir embora.

Entramos juntos no vestiário. Ele veio jogando uma ideia meio boba, algo que hoje talvez fosse um xaveco dos ruins, de que isso era normal, e eu deixei. Ele era um ano mais velho, e seja qual fosse a motivação, ele sabia o que tava falando. Garoto “pra frente”. E foi bom, não vou mentir não. E ele começou a movimentar, e eu gostei. Gostei muito. E eu gozei. Não, não é pra ser um conto erótico, mas aconteceu. Aquela culpa, a velha, adormecida, veio a tona. Só que muito mais forte.

Eu fui embora, mal me despedi e corri pra casa. Era “errado”, como eu podia!! Me fechei no quarto para chorar. “O que eu tinha feito?” Dormi para tentar acordar menos culpado. Mas parei. Sem mais fotos, sem mais pensamentos gays, era o que eu tinha decidido. Evitava o garoto a todo custo na escola. Se, às vezes, eu me masturbava no banho com o velho desejo homo como estímulo, logo me vinha à cabeça a cena no vestiário e eu ficava com a sensação de arrependimento, de culpa.  Quem eu queria enganar, eu era uma criança ainda. Nada disso de transição, de aceitação. Eu não estava pronto pra lidar. Na mesma época meus pais entram numa suposta crise e minha mãe tinha vindo até mim conversar que talvez eles pudessem se separar. Era informação demais pra mim. Me fechei e voltei a Igreja, procurando conforto. Até os meus 16 anos. Não se pode fugir, não é mesmo?

Talvez todo esse fechamento, essa negação pelo sentimento gay me fez gostar do corpo feminino. Não foi assim, rápido, mas um dia estava eu lá, vendo pornô hétero. Me enganando? Dizem que não existem os tais bissexuais, mas não vou discutir isso, por hora. Comecei a ficar com meninas, era bom, eu gostava da companhia, mas percebia que não estava completo. Eu precisava me entender, mas que, fossem quais fossem meus pensamentos, eu não me martirizasse por eles.

Com 15 anos (pouco depois que dei meus primeiros beijos heteros), conseguia não mais pensar em culpa. Entrar no chat UOL e conversar com estranhos mais vividos me fez ter novas opiniões, ver que não tinha nada demais. Que era mais normal do que se imaginava.  Meus pais já não me forçavam ir à Igreja, eu preferia não ir também. Eu não era uma aberração nem nada. Só era um garoto querendo ser feliz. Eu começava a conversar disso com alguns amigos na escola e tudo estava bem. Claro que um ou outro não sabia direito como lidar, mas pelo menos, até então, guardavam o segredo, quando eu pedia.

Aos 16 e no terceiro colegial, namorava uma menina, e, depois de 5 meses, terminamos.  Era a tensão do vestibular me assombrando a ponto de eu estar deixando de ser bom amigo, filho e namorado. Não estou querendo me justificar, também. Errei.

E no meio dessa tensão, no finado Orkut, surge um cara da faculdade daqui da minha cidade. Mais velho (20 anos na época), bom papo, olho azul, costas largas. Me levou fácil, se querem saber. Eu queria que acontecesse, eu estava (re-)explorando um lado da minha sexualidade que eu tinha inibido e estava gostando.

E o que veio daí, fica pro último post da minha trajetória de descoberta!

Abraços e beijos, meus queridos leitores! Opiniões, críticas, sugestões, sempre bem-vindas!

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Sobre The Believer

Me dá um copo de bebida e coloca minha batida eletrônica. Pronto. Me soltei. Estudante das exatas, cheio de compromissos com a faculdade durante o dia, livre durante a noite (a quem interessar). Libriano (com um ascendente perigoso e bem influente em escorpião), poliglota até que se prove o contrário. Pop, rock clássico, melódico, indie rock, black music, mais pop. Acredito no melhor das pessoas, que existem figuras incríveis ainda para conhecer, situações inesperadas para viver, e no meio disso tudo, ser feliz.

Publicado em março 3, 2012, em A descoberta, The Believer. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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