Preconceito por assimilação

Comecei a ler um livro muito interessante onde um líder espiritual indiano destaca a importância de manter o coração aquecido. Logo na introdução, me deparei com uma história muito curiosa. Quando ele vivia em Londres, durante a primavera, costumava andar pelos parques a caminho da estação de trem. Em uma manhã, viu o jardim de uma casa onde havia desabrochado algumas hortênsias. Logo, ele reparou em uma menina que vivia na casa e que estava admirada com a beleza das flores.

A mãe, apenas olhou sem muito cuidando explicando silabicamente que eram hor-ten-sias. Ele então, manteve o diálogo em sua mente, preocupado que a menina, em seus momentos de admiração ao longo da vida, se expressasse dizendo: “Isso é tão… tão hortênsia!”, e questiona em que momento deixamos de lado a criança cheia de admiração para nos tornamos adultos tão cheios de respostas, às vezes para perguntas que nem sequer fizemos.

Aí você vai me perguntar: O que isso tem a ver com a temática do blog? E mais, com o título desse post?

Pois é meu amigo. Em um dos parágrafos, me deparei com a seguinte afirmação:

Não quero dizer com isso que as respostas às vezes não sejam úteis. Elas são. Mas quando deixamos que a pilha de respostas vá crescendo sem nunca questioná-las ao longo dos anos – das gerações e até mesmo dos séculos – é claro que acabamos em meio a uma grande confusão.

Ou seja: muito do que acreditamos hoje não é o que realmente acreditamos que seja a verdade. É apenas o que a sociedade vem passando de geração em geração, através dos séculos e nisso se enquadra o preconceito.

A humanidade hoje sofre com uma grave doença patológica: o preconceito por assimilação. A pessoa às vezes nem tem ódio, raiva ou pensa mal do gay. Ela apenas o faz porque os outros fazem (o que é um absurdo ridículo e sem tamanho, diga-se de passagem).

E é nesse público que deveria ser focada a conscientização. Não adianta querer mudar o pensamento de um senhor de 102 anos. A época dele foi outra. Os conceitos, os valores morais, eram outros. Mas o garoto de 14 que pratica bullying na escola, esse sim, tem muito o que aprender. Mostrar desde pequeno que ser diferente é normal, ajudaria a haver uma maior consciência de respeito ao próximo como um todo.

E quando a verdade é alterada no âmago de uma sociedade, ela dói. Ela corrói. A sociedade grita desesperada porque não gosta de mudanças. A nova verdade precisa tomar o lugar (praticamente a força) da verdade passada, que deve se tornar apenas um capítulo na história daquele povo. Mas, ao passar a nova verdade de geração em geração, acabaríamos com a grande confusão instaurada nos séculos passados, onde a injustiça condenou todos que eram diferentes do que era/é considerado normal.

Por isso, vamos quebrar as barreiras e os estereótipos e mostrar que o preconceito por assimilação é uma doença grave sim, mas possível de ser tratada. Quando houver respeito, conscientização e a segregação de classes se tornar menor ou nula, será possível avaliar a sociedade contemporânea como justa, clara e democrática.

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em março 21, 2012, em Pensamentos, The Serious. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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