O moço do carrinho de lanche

Trabalho pertinho da academia que frequento e costumo, todos os dias, deixar minha moto na frente dela. Assim, acabo meu treino e já saio, sem precisar vir até o estacionamento do trabalho pra pegar a moto.

Porém, nesse dia eu fiz diferente. Estava chovendo e eu preferi andar duas quadras na chuva e manter minha moto segura no estacionamento do que ir com ela até a academia e chegar todo molhado.

Cheguei na academia e fiz meu treino como sempre. Absolutamente normal, inerte em meus pensamentos e na minha música.

Saí da academia e já não estava mais chovendo e foi aí, muito cansado, que me toquei que teria que andar longas duas quadras para chegar à minha moto. Recoloquei os foninhos, aumentei o som e fui, andando muito devagar e pensando na “morte da bezerra”, como diria minha avó.

Na esquina da quadra da academia tem uma barraquinha de lanche que vive cheia e nesse dia, não foi diferente. Quando passei, um moço bonito, vestido de social, com um alargador na orelha e com um cabelo style “io sono una beesha“, me olhou e eu retribui o olhar.

Passei por ele, andei 3 passos e resolvi fazer o teste do “olhar de volta” e, pimba, ele ainda estava olhando. Pensei comigo “seria muito legal se ele viesse atrás de mim, seria uma aventura”. Comecei a andar mais devagar e dei lugar aos meus pensamentos impuros.

Olhei pra trás novamente e ele já não estava mais lá e também, não estava atrás de mim. Perdi as esperanças e continuei meu caminho. Na esquina da outra quadra, do lado do estacionamento da moto, passou um carro com um moço olhando de uma lado a outro da rua. Era ele. Me procurando.

Quando me viu, fez sinal com a mão e eu retribui. Pedi pra ele parar na próxima esquina. Ao invés dele parar onde falei, resolveu parar ali e impedir a passagem de outros carros. Quando já tínhamos uma pequeno engarrafamento na rua, ele resolveu ir, mas não parou onde falei, virou a rua e seguiu.

Achei que ele tinha ido embora, mas mesmo assim fui até a esquina. Tirei os foninhos e esperei. Dois minutos depois, ele surgiu ali e estacionou o carro. Fui até a porta e seguiu-se esse diálogo:

Eu: Oi
Ele: Qual seu telefone?
Eu: Oi? E qual o seu nome, por favor?
Ele: É fulano e o seu? Estou com um pouco de pressa, não posso demorar. Me passa seu telefone e eu te ligo.
Eu: Meu nome é The Silly e meu número é tal.
Ele: Posso te ligar que horas?
Eu: A hora que quiser.

Brochei 100%. O cara nem meu nome perguntou e já pediu meu telefone. Fui pra casa e assim que cheguei, meu celular tocou e era ele. Conversamos por alguns minutos e ele desligou. Pré-agendamos um encontro para aquele fim de semana.

Fui salvar o número dele na agenda e vi que ele havia me ligado de um número restrito. Fiquei um pouco emputecido, mas anyway, deixa pra lá. Quando ele ligar novamente eu questiono isso.

Chegou o dia do tal encontro e nada dele ligar confirmando. Acabou que não nos vimos, não saímos e não mais nos falamos.

E assim seguiram-se alguns dias. Ele lá e eu aqui. Eis que, na balada desse fim de semana, uma das poucas em que eu estava seguro de mim e com a auto-estima lá na LUA, eu o encontro. Ele me olha, observa e não faz nada. Não liguei e continuei a minha noite, passando por ele algumas vezes. Umas propositais e outras não. Ele sempre na dele, mas me olhando como se fôssemos alguma coisa. Fiz questão de esnobar e de nem dar “oi”.

A lição que tiro dessa história é que, independente de quão suados, sujos e cansados nós estejamos, sempre vai ter alguém que vai nos olhar. Esse alguém pode ser o amor da sua vida ou mais um babaca que a vida te privou de conhecer melhor.

Esteja sempre aberto!

Anúncios

Sobre The Silly

Um perfeito reclamão, extremamente afobado e muito desastrado. Quero tudo e quero agora. Comunicador por formação e por paixão. Brasileiro com passaporte turquesa. Ouço todo tipo de música, mas é com o bom e velho pop/rock que eu me entendo bem. Adoro comer e não vivo sem chocolate. Canceriano clichê e romântico fundo de quintal. Leio muito e coleciono toys. Morro com barbas por fazer (de preferência clarinhas). Harrymaníaco incurável.

Publicado em março 26, 2012, em Histórias, The Silly. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Poxa! Adorei a história! E melhor ainda o incentivo … acho que vc deixou muito claro que devemos SEMPRE estar de bem com nós mesmo pois SEMPRE haverá alguém nos observando seja pra ser amor ou decepção! BjOo

    • Exatamente! Vc entendeu o X da questão..por mais ruins que nós nos sentimos, sempte tem gente nos observando e se estivermos sempre bem e abertos a isso, as coisas vao fluir… alguns serao lindos e vao nos amrcar e outros, mesmo nos decepcionando, vao nos ensinar.

      É auqilo de olhar o copo sempre meio cheio.

      Bjoo e obrigado por comentar.

  2. Mas mas…Vc nao sabe ao fato o verdadeiro motivo pra ele ter agido daquela forma…as vezes há até uma razão palusível. Ok, nao que eu concorde com a atitude dele, mas um dia pode ser vc no lugar desse cara 😛

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: