Dia dos Namorados

O dia dos namorados para mim sempre foi um dia perdido entre todos os outros dias do calendário anual. Não era um dia ao qual havia motivo para se alegrar, que houvesse ansiedade no aguardo de presentes e nem sorrisos entusiasmados após a surpresa já esperada.

Era como um dia de junho deveria ser, frio por ser inverno. Era um dia como outro qualquer, exceto por ser mais melancólico, nebuloso e solitário. Por que aquele dia tinha que ser considerado tão especial pelos amantes?

Eu observava os casais em frente a loja de doces, onde uma fonte de chocolate encantava os mais apaixonados que, como um ritual, molhavam seus espetos de frutas na calda que descia deliciosamente quente até o rio de cacau levemente adocicado.

Ao passar em frente ao café principal da cidade, pude notar que naquela fatídica data parecia não haver problema em se sentar bem perto, para que os olhares sinceros trocados fossem mais intensos, enquanto uma xícara de cappuccino era dividida sem a menor preocupação sobre quem deveria ou não tomar mais da bebida que, no meu pensamento, nem era necessária, uma vez que o calor dos corações já acalentava seus corpos.

Até o parque central, que naquela época do ano se tornava silencioso, devido a falta de folhagem das arvores e o desaparecimento das flores e de grande parte dos animais, ganhava vida naquela data. Todos disputavam um pedaço do gramado perto do lago semi-congelado, para desfrutar de um piquenique à dois, onde parecia que uma batalha era travada, para mostrar qual era mais talentoso para agradar ao outro.

Eu não entendia de onde tanta paixão, cordialidade e gentileza poderiam vir. De onde pessoas que nasceram, cresceram e viviam em um mundo capitalista onde não se havia nem tempo para um bom-dia corriqueiro, podiam ter dentro de si tanta alegria e simpatia.

Por fim, chego ao meu destino. Diferentemente dos outros anos onde esse pensamento sempre me acompanhou, nesse eu conseguia compreender o que se passava. Eu conseguia entender porque a fonte de chocolate era tão encantadora; porque o cappuccino dividido tinha mais sabor e o porquê o parque se tornara tão mágico naquela data em específico.

Três batidas na porta eram suficientes. Ali estava, a razão de tudo fazer sentido. E é estranho pensar que, tudo nesse momento faz sentido por na realidade não haver o que compreender e muito menos o que se entender. Que tudo na verdade faz sentido apenas, pelo sentimento, que torna tudo mais vivo, mais intrínseco e intenso, como a vida deveria ser.

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em junho 13, 2012, em Histórias, Pensamentos, The Serious. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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