Por que estamos solteiros?

Essa é uma boa pergunta. Enquanto o sol brilha, a praia está cheia e as micaretas acontecem em Salvador, dificilmente você vê alguém se perguntar isso. Talvez porque a lacuna existente em cada um de nós para o amor esteja preenchida de prazeres e risadas momentâneas, ou embriagadas de álcool e água de coco.

Mas é só o inverno começar pra vir essa perguntinha. Às vezes ela não surge exatamente assim na mente. Às vezes, ela aparece atrás de uma melancolia leve que sentimos, de um suspiro não completado, de uma xícara de chocolate quente não dividida. Mas ela está ali.

Talvez estejamos solteiros porque hoje nenhum de nós quer se doar, porque nenhum de nós é capaz de se doar ou porque temos medo de nos doar. Quem nunca mergulhou de cabeça em um relacionamento pensando que ia dar certo e deu de cara em uma piscina de concreto, que atire a primeira pedra ao julgar alguém que tem medo de amar. Todos já passamos por isso.

Talvez estejamos solteiros porque sempre esperamos que o próximo da fila seja melhor do que quem está com nós agora. Ninguém quer se prender a uma pessoa no mundo globalizado de hoje: e se o outro for mais bonito? Mais inteligente? Mais rico? Hoje em dia, um “para sempre” normalmente significa “até encontrar alguém melhor”.

Não quero dizer que é ruim estar só. Eu mesmo, adoro. O difícil é quando o verbo estar se transforma em ser. E ser só, meu amigo, é a pior coisa que existe.

Mas sabe o que eu acho mesmo? Que estamos solteiros porque o mais difícil é se deixar amar, do que amar. Achamos que não merecemos o sentimento do próximo e procuramos motivos e defeitos para provar isso, mesmo que seja inconsciente. Então que tal deixar de lado os medos e traumas, as neuras e paranoias e começar a aceitar que quem nos quer, nos quer exatamente pelos nossos defeitos tão perfeitos?

Arrisco a dizer que assim, nesse inverno, é capaz de você ter alguém pra dividir essa xícara de chocolate quente que está em suas mãos e o coco na praia no próximo verão!

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em junho 20, 2012, em Pensamentos, The Serious. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Que texto lindo!

    É incrível a evolução que temos tido ao longo dos textos.

  2. lindo texto mesmo… 😉

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