Distância Próxima

Sentado em um dos bares mais badalados do momento, eu o observo. Ele, conversa distraidamente com uma moça que eu acredito ser sua companheira de sala na faculdade. Talvez ele nem me note ali, naquela mesa no canto mais escuro do bar, lugar que reflete perfeitamente a minha aura naquele momento.

Ele sorri enquanto fala devaneios de um dia de trabalho exaustivo. Indiretamente, eu e ele sabemos, que na verdade, esta sorrindo para mim. Sinto ao longe sua risada suave e gostosa de ser ouvida a qualquer momento.

Então ele se torna sério, explica alguma teoria de que acredita. Aquele mesmo olhar sério, que invade minha alma através de meus olhos duramente fixados nos dele. Aquele mesmo olhar que era capaz de conseguir o que queria, de alternar entre o olhar de desaprovação para o de felicidade em instantes e que tanto me encantava.

Seus lábios, seus cabelos, sua pele, seu corpo: tudo evidencia que ele também me quer. Tudo evidencia que ele também me procura. Tudo evidencia que ele também me sente.

Sou acordado de meus sonhos por um de meus amigos, que diz me chamar pela sétima vez. Realmente devo ter demorado esse tempo para atendê-lo, afinal, o som não se faz presente, muito menos pessoas, quando ele está por perto.

Levanto a mão para chamar o garçom e sinto seu olhar pairar sobre mim. A minha espinha gela, me sinto desnudo. As máscaras caem, os movimentos se atrapalham, a fala fica desconexa, os pensamentos são confusos.

Ele vira o rosto como se eu fosse um desconhecido. Alguém com quem sem querer ele trombou os olhos. Alguém que você diz apenas bom dia na fila do pão de manhã; alguém que você dá passagem no trânsito. Isso me corta a alma, que sangra incessantemente, por sua indiferença.

De repente sinto meu celular vibrar. O pego, é uma mensagem dele, dizendo que está louco pra me beijar, que tem vontade de mim. Meu sorriso sem jeito me condena; meus amigos percebem. Busco-o com o olhar, ele acena, daquele jeito de menino-homem dele.

Pronto: não me falta mais nada. Embora esteja sentindo um gigantesco mal estar por estar ali e não poder tocá-lo, beijá-lo, conversar com ele e nem sequer poder sorrir de modo que ele entenda o que eu sinto, eu não poderia querer estar em outro lugar, afinal, era ali que minha felicidade estava.

E antes de ir embora, eu olho mais uma vez pra poder guardar na mente a imagem dele naquele dia no bar, que é acompanhado de um pensamento: A pior saudade não é aquela sentida a distância, mas aquela a que se esta a um passo de matar e ser proibido de fazê-lo.

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em julho 11, 2012, em Histórias, Pensamentos, The Serious. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Primeiro comentário meu por aqui após váários acessos! rsrs
    Texto sensacional. ps: saudades daquilo que nem chegou a começar também dói MUITO!

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