Arquivo mensal: agosto 2012

Qual seu número?

Dias atrás assisti o filme “Qual seu número?”, com Anna Faris (mocinha que parece a Britney) e Chris Evans (lindo-tesão-bonito-e-gostosão) no elenco principal. O filme é mais do mesmo no gênero comédia romântica, mas tem uma sinopse interessante. Segue:

Em ‘Qual seu Número?’, Ally é uma garota que se depara com uma pesquisa de uma revista feminina que mostra que mulheres que tiveram mais de 20 parceiros sexuais na vida tem 96% de chance de não se casarem. Desesperada, ela decide revisitar seu passado de ex-namorados com o intuito de encontrar o homem dos seus sonhos sem ultrapassar este número mágico.

Depois de assistir e rir bastante das situações cômicas do filme, parei pra pensar e resolvi fazer a linha Ally e listar todos os caras que já transei. Minha lista parou no 7º nome.

Enquanto eu listava – e lembrava de cada um – me veio à cabeça a real importância disso na minha vida e na vida das outras pessoas. E de verdade? Não tem importância alguma!

Não importa com quantos caras eu tenha transado, com quantos caras você tenha transado e nem com quantos caras o boy que você está saindo tenha transado. Esse tipo de conta não faz o menor sentido e só nos traz coisas ruins. A minha lista, se comparada ao “mundo gay”, foi bem baixa, mas isso não significa que eu seja mais puro, mais santo ou menos experiente do que um amigo meu que tenha perdido a conta de com quantos caras transou ou de um outro que tenha parado de contar no 25.

Isso não importa.

Esse tipo de comportamento só nos limita e nos faz refém da sociedade hipócrita em que vivemos. Pensar que, por ter transado com muitos caras, você seja sujo, podre, puto ou que não se dá ao valor, só alimenta ainda mais o preconceito que vivemos nas ruas.

Se fiz, foi porque eu quis e do que eu faço, não me arrependo.

Felizes daqueles que tiveram várias experiências sexuais na vida, vão ter mais histórias pra contar pros seus filhos, netos e bisnetos. Eles sim sabem que a vida é mais do que rótulos, tarjas e comportamentos piegas.

A vida pode ser muito mais rock’n’roll, é só a gente se permitir.

Se a pessoa que está com você se importa com quantos caras você já transou e se “seu número” a assusta, meu caro amigo, ela não é pra você. Simples assim.

Lembrando que sempre com proteção, ok? CAMISINHA SEMPRE!

Pra não perder a chance de bisbilhotar, lá vai: com quantos caras já transou?

Andrew, uma grata surpresa

Depois de discutir com o cara que se dizia meu namorado (vide O Desesperado de Cape Town), eu respirei fundo e nem imaginava se queria mesmo entrar de novo naquela balada. Foi quando olhei para o lado. Lá estava, um cara, sorrindo. Não, ele não sorria flertando. Ele sorria dizendo “mas que saco hein? Ouvi toda a conversa e não sei como você aguentou passar 12 horas com esse cara”.

E entendendo seu pensamento, eu sorri também. Ele se aproximou, nos apresentamos  e eu disse rapidamente que precisava encontrar o cara, pois estava de carona com ele. Andrew, o australiano de 44 anos que estava ao meu lado, se ofereceu para me levar em casa (What a gentleman!, eu pensei) e aceitei seu convite.

Andrew ainda pediu meu telefone, pois havia gostado de mim e queria sair mais vezes. Eu gentilmente passei e na semana que se seguiu, saímos praticamente todos os dias juntos. O mais interessante é que ele nunca me deixava pagar nada, fosse jantares, passeios, viagens; ele me dizia que estava lá sozinho e que eu era uma agradável companhia: esse era seu jeito de agradecer.

Se me senti um acompanhante? Sim, um pouco. Tirando a parte sexual, ao que ele nunca me exigiu nada. Mas para um garoto de 18 anos vivendo aquele sonho, essa parecia ser a cereja do bolo.

No último dia em que Andrew ficaria em Cape Town, era reveillon. Ele me convidou primeiro para uma festa na cobertura do seu hotel, que eu prontamente fui e depois para a festa do bairro gayWaterkant. Assim, eu teria todas as chances de me despedir de meu bem feitor, certo? Errado.

Durante a festa no Waterkant, estávamos conversando quando um outro cara de aproximou de nós. Começamos os três a conversar até que ele disse que era australiano e Andrew e ele começaram a falar sobre as políticas do país. Eu era um peixe fora d’água. Decidi que era o momento daquilo acabar.

Em um ímpeto de egocentrismo, eu flertei com o outro australiano. E ele me beijou. Andrew, vendo a cena, apenas bateu em meu ombro e disse “Have a good night”. Eu me senti péssimo por um segundo. Logo após, voltei a beijar o outro australiano.

Na manhã seguinte acordei com ressaca moral. Como podia ter feito isso com Andrew? Dividimos um tempo juntos, conversamos sobre nossas vidas pessoais, frustrações, relacionamentos, enfim, ele era mais do que um cara que pagava as coisas para mim. Era um amigo.

Ao ligar o celular, a surpresa: ele havia me mandado uma mensagem. Na mensagem, ele pedia desculpas por ter saído daquele modo, mas que não se sentiu confortável ao me ver com outro cara. Enfim, ele havia gostado de me conhecer e agradecia o tempo que passei com ele.

Naquele momento, percebi que Andrew realmente foi mais do que um passatempo; ele me ensinou que às vezes tomamos decisões erradas, mas que, se houver maturidade e entendimento, tudo pode ser levado de um jeito mais leve.

O desesperado de Cape Town

Quando meus amigos foram viajar no recesso de natal, eu acabei ficando praticamente sozinho na cidade. Isso não me abateu de modo algum. Eu me arrumava e ia para a balada sozinho, pois sabia que muitos estrangeiros estavam na mesma situação que eu e eu sempre achava alguém para conversar.


Em uma dessas noites, conheci um cara (ao qual não recordo o nome agora) e acabamos ficando. Em um certo momento da noite, ele perguntou se eu não gostaria de sair da balada e ir para outro lugar. Prontamente, aceitei. Fomos conversando em seu carro e ele parou de frente para o mar, que naquele dia, devido a luz do luar e as estrelas, estava especialmente lindo. Eu perdi o fôlego. Era uma das coisas que eu mais tinha vontade de fazer. Estar com alguém em um lugar perfeito em um momento perfeito. Ficamos lá por um bom tempo, conversando, nos beijando, até que eu tive que voltar para casa.

Na noite de natal, ele me ligou, queria me ver. Eu disse que seria possível após a ceia, já que eu havia combinado de ir na casa de alguns amigos. Como combinado, à 1 hora da manhã, ele estava na porta da casa dos meus amigos para me buscar.

Fomos para a balada e ele começou a agir estranhamente, pois estava bêbado. Em um certo momento, perdi a paciência e saí do lugar, para tomar um ar. Ele veio atrás de mim, argumentando que estava agindo daquele modo pois eu era seu namorado e não parava de olhar para os lados.

Eu não acreditava no que eu ouvia. Eu conhecia o cara há 12 horas. Falei que não era seu namorado e que precisava de um momento sozinho. Ele me perguntou se eu iria voltar e eu disse que sim e ele entrou na balada de novo. Claro que não voltei.

Durante esse tempo, um cara estava ouvindo toda a nossa conversa. Ele puxou assunto comigo e eu acabei indo embora com ele. Foi assim que conheci o Andrew, mas isso é história para um outro post.

One More Night

De todas as aventuras que vivi, de todos os caras que conheci e dos poucos homens que transei, o garoto dos 12 dias foi o mais intenso, o mais perfeito e o que ainda me dá um aperto no coração só de lembrar.

Desde que terminamos, nos vimos pouquíssimas vezes e em todas elas eu tive a mesma sensação: descer numa montanha russa interminável com um bando de borboletas frenéticas dentro do meu estômago.

Uma sensação não muito agradável, que por algumas vezes acabou com a minha noite.

De uns tempos pra cá, vivi muitas coisas e aprendi a me desvencilhar disso. Eu entendi que ele é aquele tipo de pessoa que é tipo droga: vicia e pode fazer mal se usado em doses exageradas ou constantes.

Acredito que seja exatamente isso que me puxe pra ele. Não puxe só a mim, mas puxe também as suas outras presas. Maldita natureza com suas leis naturais absurdas e injustas.

Semana passada passei por um problema pessoal e compartilhei inúmeras vezes em meu Facebook. Quando a situação enfim se resolveu, recebi um sms dele: que tal comemorar o final feliz comigo no motel?

Não se sei dizer ao certo o que senti quando li, foi um negócio estranho, afinal, ele queria me ter de novo. Resumindo, iria acontecer tudo de novo e eu iria sofrer MAIS UMA VEZ!

Decidi que iria e que agora seria diferente, pois eu estou diferente. Eu cresci, mudei e amadureci. não sou mais o mesmo cara que esteve com ele há alguns meses atrás. Agora eu sei pra onde vou e sei que, tudo que eu menos preciso agora, é de um amor no Brasil. Viajo em 5 meses e não quero deixar meu coração aqui.

Eu poderia encontrar 1 milhão de justificativas para sair com ele novamente e mais 1 milhão e 1/2 para não sair. A questão era um só: eu queria sentir aquilo mais uma vez. Eu PRECISAVA sentir aquilo de novo.

One More Night.

Como a vida é feita de riscos, me arrisquei.

No dia que recebi a sms fui até sua casa, conversamos e acabamos ficando. Combinamos de ir ao motel no outro dia e claro, eu mal dormi e passei o dia ansioso. Achando que a qualquer momento ele iria mandar um sms dizendo: pegadinha do malandro.

Mas ele não o fez.

Saímos no dia e horário combinamos e fomos ao mesmo motel que fomos da outra vez.

Ele me tratou como um príncipe. Tirou minha roupa com o maior cuidado do mundo, a dobrou, a deixou em cima da mesa e me olhou com um olhar de desejo enorme. Era como se eu fosse UM em UM MILHÃO.

Fizemos o que tinha que ser feito e como da outra vez, foi sensacional. Arriscaria dizer que foi até mais, pois eu estava seguro e sabia com quem eu estava lidando.

Combinamos de, quem sabe, fazer isso mais vezes até minha viagem.

Ps: Eu não liguei no dia seguinte e nem mandei sms e ele, claro, também não o fez.

Acho que estou evoluindo e já posso brincar de ter um PA.

Ry-an, o Deus de Durban

Quando embarquei pra estudar inglês em um país estrangeiro, tinha em mente também que, nos dois meses que eu passaria fora, além de estudar, eu queria beijar mooooooito.

Por isso, procurei por todos os cantos da internet, os melhores lugares GLS da cidade onde eu ia ficar. Quando cheguei, descobri que a lista estava defasada. Mas, como havia um bairro inteiramente gay, não foi difícil achar um plano B.

Quando entrei na balada acompanhado de um amigo, já vi a diferença dos lugares que costumava ir ao Brasil: a entrada era de graça, você podia pular de uma balada em outra e, os caras, para chegarem em você, te ofereciam uma bebida. Para mim, o custo-benefício perfeito: não gastava um centavo para me divertir.

Enquanto dançava, eu o vi. Moreno, alto, de olhos verdes, usando uma camisa social. Lindo. O homem mais lindo que eu já havia visto (ao menos no momento eu achei que era). E fiquei olhando-o. Meu amigo me disse: “Vai lá, chega nele!”. Mas eu pensei: “Como vou chegar nele? Eu não sei como chegar em alguém aqui! E olha pra ele. Olha pra mim! No way dele ao menos olhar na minha cara”.

Foi quando nossos olhares se cruzaram. Eu olhei pra trás para confirmar se era pra mim mesmo que ele estava olhando, e, parecia que sim, uma vez que só tinha uma parede nas minhas costas. Mas ainda não acreditei. E chamei meu amigo para darmos uma volta pela balada.

Em uma das voltas, nos cruzamos. Ele veio de longe me olhando, me segurou pelos braços e me beijou. Simples assim. Sem dizer um oi. Me beijou e eu não acreditava que aquilo estava acontecendo.

Fomos para um lugar reservado e enquanto ele me dizia que não conseguiu parar de me olhar um minuto e que agora eu era quem ele queria, eu me apaixonava (acontece que, quando você está fora, sem família e amigos, sua carência chega ao nível 1208 do universo). E eu o queria pra mim.

Saímos algumas vezes depois dessa balada, ele pegou meu telefone do Brasil, disse que queria vir para cá se encontrar comigo. Queria que eu fosse passar o recesso de natal com ele, na cidade dele. Mas ele se foi. E com ele, suas palavras e toda a ilusão de ter encontrado uma história de amor.

Me senti mal, havia acreditado naquele homem que era melhor que qualquer um dos meus sonhos. Mas aprendi, naquele momento, que eu estava ali para me divertir e criar mais histórias como essas. E foi o que fiz: corri atrás de mais, para poder dividir, quando voltasse ao Brasil.

A dor da troca

Pior do que ser largado é ser trocado. Ver que algo que até certo ponto era meu, só meu, já não pertencer mais a mim. Sentir-me fraco e imponente diante de algo que é muito maior e mais forte do que eu.

Não há nada a fazer, apenas aceitar e seguir em frente.

Dói. Dói muito.

Dói sentir que as coisas já não são e nem serão como já foram um dia. Que tudo não vai passar de uma lembrança, uma boa lembrança, mas ainda uma lembrança. Que as mesas de bar já não são mais as mesmas, que não sou eu o convidado para aquele evento só para os mais íntimos, que não são pra mim os convites mais simples…que o que era meu, agora pertence – ou vai vir à pertencer – a outro.

Mais duro ainda saber que o outro é melhor. É mais legal, mais engraçado, mais divertido, mais simpático e até mais bonito. Que o papo com ele flui mais, a presença é mais leve e o riso é mais solto. Que as semelhanças entre eles são bem maiores do que as diferenças.

É duro aceitar que meu melhor amigo encontrou alguém melhor do que eu.

Ser capaz de sentir isso só me mostra o quão humano, podre e sujo, eu ainda sou. Que por mais que eu tente melhorar, que eu tente evoluir, eu ainda sou fraco, egoísta e ciumento feito uma criança de 3 anos que não quer dividir o seu brinquedo preferido. Que faz birra, se joga no chão e quebra coisas quando a mãe pede pra ela deixar o amiguinho, ao menos tocar, naquilo que ela julga tão importante e tão íntimo.

Eu sinto como se uma das coisas mais importantes pra mim me fosse tirada e entregue na mão de outra pessoa. Como se ela fosse conquistada, dia após dia, por outra pessoa. Que a cada passo que ele avance, eu recue. E o pior de tudo? Saber que o outro pode SIM ser melhor do que eu.

Pior ainda é não poder fazer nada, saber que isso faz parte da ordem natural das coisas e que a vida caminha assim. Quem nem tudo é pra sempre e que até aquela velha amizade, pura e simples, pode ser abalada com a chegada de alguém melhor.

No fim das contas, eu continuo sendo o egoísta de sempre que não aprendeu nada da vida.

Happy Birthday…

Hoje faz exato um ano do meu primeiro post. Que alegria.
 
Um ano de Posts, um ano de vida, um ano de realizações, mudanças e novas perspectivas.
Por mais que eu tenha deixado passar várias sextas-feiras, a vida continuou entre turbulências e calmarias seguindo seu rumo, e o futuro foi plantado.
Sempre que fases são concluídas nos paramos pensamos, refletimos sobre tudo o que aconteceu, todos os obstáculos ultrapassados e as alegrias vividas. E hoje não foi diferente, o pensamento se perdia em meio ao trabalhando pensando em sentimentos e em como este ultimo ano foi turbulento neste quesito e mesmo assim eu fui feliz. Feliz por amar, feliz por ser amada, feliz por lutar por algo/alguém que acredito. Como é importante tentar, mesmo quando as coisas parecem confusas, se existe alguma maneira do final ser feliz devemos tentar, lutar por algo que faz a vida realmente ser vivida com intensidade e valor… O amor!
Assim concluo este primeiro ano, lutando pelo amor e desejando que todos vocês sejam fortes e busquem amar, tudo, todos, diferente, forte, intenso. Amem e vivam!

Sinto a felicidade de uma etapa concluída, e rumo aos dois anos, e a novas experiências e textos para vocês.

😉

Intercâmbio e viagens

Se fosse possível, nesse momento, instituir uma lei federal, seria de que todo jovem, em algum momento entre o colegial e o fim da faculdade, teria direito a um intercâmbio!

Fazer intercâmbio vai além de aprender um outro idioma; é a questão de conquistar independência e maturidade de um modo mais rápido e divertido. Além disso, é uma oportunidade para se aprender sobre uma nova cultura (e nisso incluo a questão de aprender a respeitar), novos conhecimentos e principalmente, a chance de viver novas experiências (únicas e deliciosas, diga-se de passagem).

Durante algumas semanas, vou contar histórias que aconteceram comigo em intercâmbios e viagens. E que com elas, vocês consigam sentir o quão bom é ser um cidadão do mundo!

Com o perdão do trocadilho, espero que vocês entendam o porque é bom conhecer tantas línguas (risos).

Ciúmes…

“Estamos acostumados com a ideia de que, se alguém mantém uma relação com outra pessoal, isso significa que há amor. Mas isso não é 100% verdade. Muitos dos relacionamentos nada mais são do que uma troca de interesses: você me dá o que eu preciso, e eu te dou o que precisa. É aí que o ciúmes entra em cena.

Ciúme quer dizer EGO FERIDO. É o sentimento que surge quando não nos sentimos no controle da situação. Sentimos ciúmes quanto achamos que possuimos alguém – e acredite, essa é uma grande ilusão. Você pode controlar a pessoa de todas as formas do mundo, mas nunca vai conseguir possuí-la de verdade. E, por mais que fique paranóico seguindo todos os passos do outro, se ele quiser, vai te trair em um lugar tão improvável quanto no caminho do banheiro em um bar.

Certo. Mas é possível não sentir ciúmes? Acredito que não. O ciúme é um sentimento instintivo nosso, como raiva, ansiedade, nervosismo. Depende de nós escolher o que vamos fazer dele – dominá-lo ou sermos dominados. A mente mente e o ciúme nos faz enxergar claramente coisas que não existem.

Então, sua tarefa de hoje é trabalhar a seguinte ideia na sua cabeça: Quem ama, deixa livre. A única coisa que pode fazer para que a pessoa não te traia, é trabalhar TODOS OS DIAS para manter um relacionamento muito completo e feliz, cuidando para que não falte nada – quem está totalmente satisfeito não vai procurar outra pessoa para tapar os buracos. Essa é a sua única garantia.”
(Texto do Blog Casal Sem Vergonha – http://www.casalsemvergonha.com.br/2011/05/06/8a-missao-aprenda-a-controlar-o-ciume-plano-de-acao-para-desencalhar-e-ser-mais-feliz/)



“Eu sinto ciúme quando alguém te abraçaporque por um segundo essa pessoa está segurando meu mundo inteiro.” ( Caio Fernando Abreu )


E vocês o que pensam sobre ciúmes?

 

😉

O amor parece desfrutar de um status diferente do de outros acontecimentos únicos

De fato, é possível que alguém se apaixone mais de uma vez, e algumas pessoas se gabam – ou se queixam – de que apaixonar-se e “desapaixonar-se” é algo que lhes acontece (assim como a outras pessoas que vêm conhecer nesse processo) de modo muito fácil. Todos nós já ouvimos histórias sobre essas pessoas particularmente “propensas” ou “vulneráveis” ao amor.

Há bases bastante sólidas para se ver o amor e em particular a condição de “apaixonado”, como – quase que por sua própria natureza – uma condição recorrente, passível de repetição, que inclusive nos convida a seguidas tentativas. Pressionados, a maioria de nós poderia enumerar momentos em que nos sentimos apaixonados e de fato estávamos. Pode-se supor (mas será uma suposição fundamentada) que em nossa época cresce rapidamente o número de pessoas que tendem a chamar de amor mais de uma de suas experiências de vida, que não garantiriam que o amor que atualmente vivenciam é o último e que têm a expectativa de viver outras experiências como essa no futuro. Não devemos nos surpreender se essa suposição se mostrar correta.

Afinal, a definição romântica do amor como “até que a morte nos separe” está decididamente fora de moda, tendo deixado para trás seu tempo de vida útil em função da radical alteração das estruturas de parentesco às quais costumava servir e de onde extraía seu vigor e sua valorização. Mas o desaparecimento dessa noção significa, inevitavelmente, a facilitação dos testes pelos quais uma experiência deve passar para ser chamada de “amor”. Em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padrões do amor, esses padrões foram baixados. Como resultado, o conjunto de experiências as quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito. Noites avulsas de sexo são referidas pelo codinome de “fazer amor”.

A súbita abundância e a evidente disponibilidade das “experiências amorosas” podem alimentar (e de fato alimentam) a convicção de que amar (apaixonar-se, instigar o amor) é uma habilidade que se pode adquirir e que o domínio dessa habilidade aumenta com a prática e assiduidade do exercício. Pode-se até acreditar (e frequentemente se acredita) que as habilidades do fazer amor tendem a crescer com o acúmulo de experiências; que o próximo amor será uma experiência ainda mais estimulante do que a que estamos vivendo atualmente, embora não tão emocionante ou excitante quanto a que virá depois.

Esta é, contudo, outra ilusão… O conhecimento que se amplia juntamente com a série de eventos amorosos é o conhecimento do “amor” como episódios intensos, curtos e impactantes, desencadeados pela consciência a priori de sua própria fragilidade e curta duração. As habilidades assim adquiridas sãs as de “terminar rapidamente e começar do início”, das quais, segundo Soren Kierkegaard, o Don Giovanni de Mozart era o virtuoso arquétipo “impotente amoroso”. Se o propósito dessa busca e experimentação infatigáveis fosse o amor, a compulsão a experimentar frustraria esse propósito. É tentador afirmar que o efeito dessa aparente “aquisição de habilidades” tende a ser, como no caso de Don Giovanni, o desaprendizado do amor – uma “exercitada incapacidade” para amar.

Um resultado como esse – a vingança do amor, por assim dizer, sobre aqueles que ousam desafiar-lhe a natureza – seria de se esperar. Pode-se aprender a desempenhar uma atividade em que haja um conjunto de regras invariáveis correspondendo a um cenário estável e monotonamente repetitivo que favoreça o aprendizado, a memorização e a manutenção dessa simulação. Num ambiente instável, fixar e adquirir hábitos – marcar registradas do aprendizado exitoso – não são apenas contraproducentes, mas podem mostrar-se fatais em suas consequências.

O que é mortal para os ratos dos esgotos urbanos – aquelas criaturas inteligentíssimas capazes de aprender rapidamente a distinguir comidas de iscas venenosas – é o elemento de instabilidade, de desafio às regras, inserido na rede de calhas e dutos subterrâneos pela “alteridade” irregular, inapreensível, imprevisível e verdadeiramente impenetrável de outras criaturas inteligentes – os seres humanos, com sua notória tendência a quebrar a rotina e derrubar a distinção entre o regular e o contingente. Se essa distinção não se sustenta, o aprendizado (entendido como a aquisição de hábitos úteis) está fora de questão. Os que insistem em orientar suas ações de acordo com precedentes, como aqueles generais conhecidos por lutar novamente sua última guerra vitoriosa, assumem riscos suicidas e não favorecem a eliminação dos problemas.

Para saber mais: “Amor Líquido – Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos”, Zygmunt Bauman.