A dor da troca

Pior do que ser largado é ser trocado. Ver que algo que até certo ponto era meu, só meu, já não pertencer mais a mim. Sentir-me fraco e imponente diante de algo que é muito maior e mais forte do que eu.

Não há nada a fazer, apenas aceitar e seguir em frente.

Dói. Dói muito.

Dói sentir que as coisas já não são e nem serão como já foram um dia. Que tudo não vai passar de uma lembrança, uma boa lembrança, mas ainda uma lembrança. Que as mesas de bar já não são mais as mesmas, que não sou eu o convidado para aquele evento só para os mais íntimos, que não são pra mim os convites mais simples…que o que era meu, agora pertence – ou vai vir à pertencer – a outro.

Mais duro ainda saber que o outro é melhor. É mais legal, mais engraçado, mais divertido, mais simpático e até mais bonito. Que o papo com ele flui mais, a presença é mais leve e o riso é mais solto. Que as semelhanças entre eles são bem maiores do que as diferenças.

É duro aceitar que meu melhor amigo encontrou alguém melhor do que eu.

Ser capaz de sentir isso só me mostra o quão humano, podre e sujo, eu ainda sou. Que por mais que eu tente melhorar, que eu tente evoluir, eu ainda sou fraco, egoísta e ciumento feito uma criança de 3 anos que não quer dividir o seu brinquedo preferido. Que faz birra, se joga no chão e quebra coisas quando a mãe pede pra ela deixar o amiguinho, ao menos tocar, naquilo que ela julga tão importante e tão íntimo.

Eu sinto como se uma das coisas mais importantes pra mim me fosse tirada e entregue na mão de outra pessoa. Como se ela fosse conquistada, dia após dia, por outra pessoa. Que a cada passo que ele avance, eu recue. E o pior de tudo? Saber que o outro pode SIM ser melhor do que eu.

Pior ainda é não poder fazer nada, saber que isso faz parte da ordem natural das coisas e que a vida caminha assim. Quem nem tudo é pra sempre e que até aquela velha amizade, pura e simples, pode ser abalada com a chegada de alguém melhor.

No fim das contas, eu continuo sendo o egoísta de sempre que não aprendeu nada da vida.

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Sobre The Silly

Um perfeito reclamão, extremamente afobado e muito desastrado. Quero tudo e quero agora. Comunicador por formação e por paixão. Brasileiro com passaporte turquesa. Ouço todo tipo de música, mas é com o bom e velho pop/rock que eu me entendo bem. Adoro comer e não vivo sem chocolate. Canceriano clichê e romântico fundo de quintal. Leio muito e coleciono toys. Morro com barbas por fazer (de preferência clarinhas). Harrymaníaco incurável.

Publicado em agosto 13, 2012, em Pensamentos, The Silly. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Bruno Dias Soares

    Nem sei como vim parar neste blog, mas este texto descreve minuciosamente o meu sentimento, nesta madrugada. Também sou a criança mimada que quer seu brinquedo só para ela. 😦
    Parabéns pelo texto!
    Ótimo blog.

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