Ry-an, o Deus de Durban

Quando embarquei pra estudar inglês em um país estrangeiro, tinha em mente também que, nos dois meses que eu passaria fora, além de estudar, eu queria beijar mooooooito.

Por isso, procurei por todos os cantos da internet, os melhores lugares GLS da cidade onde eu ia ficar. Quando cheguei, descobri que a lista estava defasada. Mas, como havia um bairro inteiramente gay, não foi difícil achar um plano B.

Quando entrei na balada acompanhado de um amigo, já vi a diferença dos lugares que costumava ir ao Brasil: a entrada era de graça, você podia pular de uma balada em outra e, os caras, para chegarem em você, te ofereciam uma bebida. Para mim, o custo-benefício perfeito: não gastava um centavo para me divertir.

Enquanto dançava, eu o vi. Moreno, alto, de olhos verdes, usando uma camisa social. Lindo. O homem mais lindo que eu já havia visto (ao menos no momento eu achei que era). E fiquei olhando-o. Meu amigo me disse: “Vai lá, chega nele!”. Mas eu pensei: “Como vou chegar nele? Eu não sei como chegar em alguém aqui! E olha pra ele. Olha pra mim! No way dele ao menos olhar na minha cara”.

Foi quando nossos olhares se cruzaram. Eu olhei pra trás para confirmar se era pra mim mesmo que ele estava olhando, e, parecia que sim, uma vez que só tinha uma parede nas minhas costas. Mas ainda não acreditei. E chamei meu amigo para darmos uma volta pela balada.

Em uma das voltas, nos cruzamos. Ele veio de longe me olhando, me segurou pelos braços e me beijou. Simples assim. Sem dizer um oi. Me beijou e eu não acreditava que aquilo estava acontecendo.

Fomos para um lugar reservado e enquanto ele me dizia que não conseguiu parar de me olhar um minuto e que agora eu era quem ele queria, eu me apaixonava (acontece que, quando você está fora, sem família e amigos, sua carência chega ao nível 1208 do universo). E eu o queria pra mim.

Saímos algumas vezes depois dessa balada, ele pegou meu telefone do Brasil, disse que queria vir para cá se encontrar comigo. Queria que eu fosse passar o recesso de natal com ele, na cidade dele. Mas ele se foi. E com ele, suas palavras e toda a ilusão de ter encontrado uma história de amor.

Me senti mal, havia acreditado naquele homem que era melhor que qualquer um dos meus sonhos. Mas aprendi, naquele momento, que eu estava ali para me divertir e criar mais histórias como essas. E foi o que fiz: corri atrás de mais, para poder dividir, quando voltasse ao Brasil.

Anúncios

Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em agosto 15, 2012, em Histórias, The Serious. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: