O comissário de Buenos Aires – A primeira impressão não é a que fica!

Essa história mostra como o destino pode brincar com a gente, de formas variadas e inusitadas e em como ele pode se alterar com pequenas decisões que tomamos ao longo dos dias, das viagens, da vida.

Quando cheguei em Buenos Aires, a primeira impressão que tive foi de uma cidade limpa e organizada. O vento frio do inverno já começava a deixar os pêlos da nuca ouriçados. A arquitetura da cidade era completamente diferente do que eu estava acostumado a ver no Brasil. As pessoas tinham um ar diferente. Eu estava em um pedacinho da Europa na América do Sul.

Eu acabei fazendo amizades por lá. Em uma das saídas, um dos meninos me apresentou um comissário de uma companhia aérea brasileira que estava fazendo curso de espanhol na Argentina. A apresentação foi intencional: meu amigo queria saber se o cara era gay ou não. Eu, logo após a apresentação, assim que tive oportunidade, disse ao meu amigo: “Não sei se é. Mas se fosse, eu não pegava”.

No sábado dessa semana, resolvemos ir a uma cidade próxima de Buenos Aires, chamada Tigre. Lá há um parque de diversões e queríamos fazer algo diferente, além de pegar o trem (um atrativo à parte). Assim sendo, combinamos de nos encontrar na estação final da linha de metrô, de onde saía o trem intermunicipal. Para minha surpresa, quando chegamos na estação às 7 horas da manhã, lá estava o comissário. Eu lembrava vagamente de termos comentado com ele sobre o passeio, mas nunca esperaria que ele estivesse lá. Sorri.

A viagem demorou cerca de uma hora. Quando chegamos a Tigre, a primeira providência foi tomar café da manhã. Todos estavam mortos de fome. Então, nos dirigimos a uma lanchonete. Quando o comissário veio para se sentar conosco, ele acabou sofrendo um pequeno acidente e dois copos de café voaram em sua roupa. Eu me peguei pensando “Se, no solo, ele consegue ser desastrado, o que ele faz durante uma turbulência?”. Mas, ao ver a cara de desapontamento dele, esse pensamento sumiu de minha mente e só consegui sentir compaixão por ele.

Ele prontamente disse que iria embora. Eu fui o primeiro a dizer que deveria ficar. O convenci dizendo que uma roupa manchada de café não era nada, comparada à um dia que ele perderia nessa viagem tão especial. Quando ele voltaria a Tigre? E se voltasse, será que seria com pessoas que ele se identificasse tão bem quanto nós? Por esses motivos, ele decidiu ficar.

O dia no parque foi deliciosamente aproveitável. O jeito que ele tratava as pessoas, os nossos amigos de viagem, o sorriso, o modo de falar, tudo fez com que eu começasse a mudar de ideia sobre ele. Me descobri então, encantado por aquele cara que, alguns dias atrás, eu disse que não pegaria. Tive vontade de abraçá-lo, de estar com ele, de sentir seus lábios nos meus.

Mas eu não podia. O meu amigo o queria. Ele o havia visto primeiro. Além do mais, eu não queria estar na Argentina e acabar com um brasileiro. Mas a vontade era tão grande… o que fazer?

Na volta, decidimos que iríamos para uma balada. E que a prévia seria no apartamento do comissário. Vi ali, minha chance. Eu iria apostar tudo ou nada. Eu iria realizar meu desejo de estar com ele, custasse o que custasse.

Se eu consegui? Descubra no próximo post, pois o final dessa história fica pra outro dia.

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em setembro 5, 2012, em Histórias, The Serious. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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