Arquivo mensal: outubro 2012

Fácil achar motivo

Devemos esperar do outro apenas aquilo que ele é capaz de nos dar, sem o excesso de expectativas

Eu queria que ele ligasse no meu aniversário. Esperei o dia inteiro… Ligou muita gente, mas ele não. Podia ser só um “feliz aniversário, espero que seu dia seja legal” ou “estou ligando para te mandar um beijo”.

Eu já sabia que não podia contar com um “querida, você é muito importante pra mim, eu gosto demais da sua companhia, é muito bom ter você por perto”. Mas, poxa vida, nem um cumprimento protocolar?

Podia ter sido por mensagem de texto. Podia ter sido por e-mail. Se era medo de ficar sem graça, encabulado, soar bocó, não saber como dizer poucas palavras e logo desligar, podia escrever. Sei como é. Acontece comigo.

Mas não. Sabendo que eu gosto de fazer aniversário e gosto dele, não ligou. Fiquei triste. Tamanha falta de consideração me fez rever o que pensava sobre ele em todos os aspectos. Está sendo babaca hoje ou sempre foi?

Fácil concluir: sempre foi. Lembrei-me de vários pequenos deslizes, descuidos, desatenções. Recordei os momentos em que saí do meu caminho, encolhi minhas horas de sono e fui ao seu encontro ouvir relatos do dia, acolher seu cansaço, angústia, desalento. Esperei horas dentro do carro porque ia dar carona pra ele na saída do serviço e surgiu alguma coisa no último instante.

Lembrei-me daquele oi desenxabido e do beijo sem-vergonha de despedida. Lembrei-me de quando eu cansada e carente quis 20 minutos de sua atenção e ele estava afim de ir logo pra casa tomar banho e relaxar…

Eu queria odiá-lo, precisava ficar com raiva para não ficar triste à meia-noite do dia 24 e encontrei motivos à beça. Tão fácil!

Funcionou durante dois dias inteiros. Não é que eu não quisesse mais ficar com raiva, mas a vontade foi passando. Queria vê-lo, ouvir do seu dia e falar do meu. Quando ofereci carona, esperei na porta, ouvi desabafo por telefone até de madrugada, foi porque EU quis. Porque gosto dele, ofereci minha amizade e carinho e tive o prazer de ficar olhando, ouvindo. Não foi martírio.

Meu amigo querido é assim: travado, tímido, resguardado. Sou eu que não sou. Gostei e acho graça dele ser… diferente de mim. Ele é um pouco egoísta sim, mas não é por mal.

Ninguém pode dar o que não tem. É como querer que meu cachorro, que eu adoro, fale em vez de latir (acho que dessa comparação ele não vai gostar).

Sem raiva nenhuma, mandei uma mensagem: “E aí, tudo bem?”. E, pronto, tive meu amigo de volta. E ele nem sabia que tinha ido embora.

Autor: Soninha Francine

Fechado pra balanço

OMG, faz mais de um mês que postei meu último texto! Nunca fiquei tanto tempo sem postar.

Nesse último texto, expus o quanto quero ser amado, quero ser a torta preferida de alguém, quero viver um amor e quero uma relação recíproca.

Nada disso mudou. Passou mais de um mês e esse desejo continua aqui dentro, queimando fortemente e implorando pra ser saciado.

Talvez nesse pouco tempo, eu tenha fechado o meu coração pra balanço. Não que não tenha acontecido nada, até aconteceu. Troquei alguns sms com possíveis rolos, sai de novo com um ex, fui pra uma balada e fiquei com um garoto interessante, mas nada que valha a pena ser dividido. Ou que valha a pena ser levado a sério.

De importante mesmo, nada tem acontecido.

Estou fechado pra balanço. Como se eu estivesse olhando pra mim e fazendo o balanço de quem sou, do que quero e de onde pretendo chegar. Tentando encontrar em mim coisas que me façam continuar a acreditar no amor. Procurando vestígios de algo que fortaleça em mim a fé no sentimento sublime.

As vezes encontro, as vezes me perco.

Desde que decidi deixar tudo aqui, amigos, família, trabalho, faculdade e até os amores, tenho provado de um sentimento agridoce. Um misto de alegria pelo novo e de nostalgia por tudo que estou deixando aqui.

Sei o quão terrível seria se eu estivesse apaixonado por alguém, se eu estivesse namorando e pior, se alguém aqui estivesse apaixonado por mim e fosse vir a ser “abandonado”. Sei ser racional e entender isso, mas meu coração não sabe. Ele está carente. Quer carinho, atenção…amor.

Ele não entende o momento que estou passando, ele apenas me diz o tempo todo “eu quero ser amado”.

Amor e Ódio

Amor e ódio. Complementares e rivais, como o dia e a noite, o sol e a lua, o fogo e a água. É também vital como o ar.

Necessários na obtenção de experiência, no amadurecimento, na razão e na existência do ser humano.

Dão força ao corpo, alimentam a mente, dão vida a alma. Sentimentos abstratos, mas muito mais doloridos que um soco, uma facada, um tiro.

Tão fortes que são capazes de estremecer o mundo, destruir vidas, arruinar civilizações. Tão frágeis, que podem se modificar ou se transformar por causa de um pequeno gesto.

Se transmutam entre si, variando de dimensão, intensidade e força. Ambos fazem rir e chorar. Trazem alegria e sofrimento. Vontade de viver e dar vida; de morrer e de matar.

De tão poderosos, não possuem definição específica e só quem sentiu pode tentar expressar o que os dois são, o que acontece quando eles correm pelas veias e tiram a paz do coração e da razão.

Amor e ódio. Complementares. Vitais. Devastadores. Intrínsecos. Fortes. Frágeis. Mas definitivamente, sem os quais, viver não faria o menor sentido ou necessidade.

e no fim do inverno

Abri os olhos, e você já tinha ido, não via mais sua silhueta na porta e nem nos cantos, seu nome não apareceu mais na bina e nem vi mais a foto ao receber sms. E então a ficha caiu, você realmente tinha ido, tudo estava diferente sem sua voz, sua presença, seus olhares e suas palavras.
Me vi deitada na grama com o sol do fim de inverno aquecendo minha pele e minhas mãos estavam vazias de você e repletas de mim. As flores de começo de primavera misturadas com o céu azul um pouco nublado invadiram meus olhos que escorreram de uma saudade intensa de algo que a tempos não sentia. O som do suave vento e da turbulência da cidade tomou meus ouvidos me trazendo paz. Chorei.

Percebi que por mais que o amor ainda me tomava em corpo e alma, o amor por mim estava ali! Me amei, e assim continuo!

😉

Mendigato

É, ta rolando ai pelo face uma nova onda, a do mendigo, mendingo, mindingu (chame como quiser) modelete.

Em resumo: Uma guria, em Curitiba, tirou a foto de um cidadão de rua de olhos verdes e traços faciais notórios hoje em dia, e pronto, a coisa bombou, todo mundo ja quer casar com ele, faze-lo virar modelo e ter uma vida de príncipe.

 

Tai o tal do “Mendigato”

Engraçado, nao ?

 

AO meu ver isso só reflete uma coisa, o como a imagem e a noção de um modelo de beleza movem o mundo, ou seja, nao improta se voce é violento, viciado em crack, morador de rua, fugiu de casa, ou qualquer outra coisa, desde que você tenha um par de olhos claros e um rosto agradavel socialmente ( e claro, um minimo de higiene) pronto, é o suficiente para você ser perdoado pelos seus delitos (?), problemas ou seja la o que for e ter chance de sucesso na vida… enquanto isso há muito outros moradores  de rua por ai, mas apenas o mais belo tera chance de ascensão social. Por outro lado, há aqueles que estão estudando,  e se esforçam ao máximo na batalha por mudanças ou conseguir “subir na vida” mas pronto, eles terão que sofrer muito mais pois não tem os traços faciais da moda, nem nada do tipo. Enquanto uns tem que se matar com uma bolsa do governo ou aé mesmo um sub emprego exploratorio, outros conseguem casa, comida e roupa lavada apenas por uma foto !

 

Só eu acho isso engraçado ?

 

Um bjo de esmola a todos =*

Abstinência

Deitado em minha cama, a única visão que tinha além da mobília de meu quarto, era a da paisagem que a janela me proporcionava. O crepúsculo se instalava, as nuvens no céu brincavam com as cores, variando entre tons róseos, amarelos e lilases. A janela era a moldura e a imagem enquadrada, estava ali, só para eu contemplar.

Dentro de mim, as cores eram diferentes. Enquanto a paleta de um pintor se esboçava do lado de fora, no meu interior estava tudo acinzentado, assim como minha amada cidade melancólica. Havia vida, mas era imperceptível dentro do turbilhão de emoções e dúvidas. O meu querer era maior que o meu poder e isso me tornava impotente.

A boca estava seca, pela falta do beijo. A pele estava arrepiada, como se estivesse com frio, pela falta do abraço. O corpo estremecia, formigava, pela falta do toque. Os olhos não possuíam mais o mesmo brilho, porque o dono de meus sentimentos já não estava ali. Meus gritos silenciosos ecoavam pelo breu de sua ausência.

Decido me levantar; As pernas estremecem, o corpo não tem equilíbrio, os braços estão inertes. A apatia corrói a alma. A paixão havia se tornado uma obsessão; não dormia, não estudava, não comia; era impossível respirar, uma vez que o oxigênio não se fazia presente.

Me olho no espelho: onde está o garoto sonhador, que tinha um sorriso sincero nos lábios e vontade de vencer? Onde está o homem responsável, que não se abalava com simples sentimentos tipicamente adolescentes? Onde está o menino, que acreditava veemente em contos de fadas? Perdidos, creio eu, na imensidão da dor.

Então, ouço passos. Ninguém deveria estar ali. Eu queria, eu precisava, era vital estar sozinho nesse momento. Por que não me deixavam em paz? Será que nenhum deles havia uma vez na vida sofrido por amor?

Tudo volta a mente: as experiências passadas, os traumas, o sofrimento, a angústia e as dúvidas de não saber como proceder; a impotência toma conta novamente. A maçaneta em estilo colonial gira, a porta se abre. O perfume invade o quarto, eu o reconheço, ele me trás de volta a consciência.

Antes que eu tenha a chance de falar, de me exaltar, de expor minhas dúvidas, ele coloca o dedo em meus lábios em sinal de silêncio e sorri. Como se adivinhasse meus pensamentos, diz que estará ali, comigo, do modo como os outros não estiveram.

Já não sinto mais sede, pois possuo seus beijos. Já não sinto mais frio, pois estou aquecido por seu abraço. O corpo está calmo, pois possui o toque. Os olhos voltam a brilhar, pois há felicidade. E os gritos silenciosos dão lugar a uma canção, que ecoa pelos jardins, onde eu ando de mãos dadas, sob o céu estrelado e a lua que reflete no lago límpido e calmo, com o meu salvador.

A real beleza dos súditos

Aí você tem aquele amigo que todo mundo acha lindo – inclusive você. Quando ele começou a sair com seu grupo, o comentário sobre a beleza dele era unânime. Todos queriam conhecer o menino, saber seus gostos. Embora você soubesse que era amizade, seu lado carnal nutria um certo desejo por ele.

Com o passar do tempo, todo esse desejo que você tinha se transformou em amizade e admiração. Mas isso não aconteceu com todas as outras pessoas do grupo, que continuaram com as indiretas e xavecos sem fundamento.

Essa situação parece familiar? Pois é. Acontece com todo mundo. Acontece em todos os grupos. Sem saber quando nem porquê, o amigo passa de igual à Deus. Ele é colocado em um patamar diferente do resto do grupo. E de cima do pedestal, ele também não entende porque é tratado de modo diferente.

A situação se torna chata, caótica, gera problemas e climão. Você de um lado, é taxado de invejoso. O amigo-Deus, do outro, não pode reclamar, porque seria taxado de arrogante e egocêntrico.

Por que tratamos o igual como diferente? De onde surge essa necessidade de definir quem é mais ou menos que o outro?

De um lado, fica o amigo endeusado; do outro, o resto do grupo, seus súditos.

Eu quero me rebelar! Eu quero mostrar que tenho beleza também! Eu quero que as pessoas percebam que somos todos iguais, que todos temos defeitos e qualidades e aquela coisinha única e sem nome que nos faz tão especiais.

Eu quero poder ser eu mesmo. E se meu amigo é considerado o Sol, eu sou a lua, a chuva, o orvalho da manhã; todos temos importância, todos podemos brilhar. Não deixe que a superficialidade de alguns apague sua estrela.

E a dica da vez? Tire o amigo do pedestal e trate-o como igual. No fundo, é o que ele mais quer.

O brasiliense no Rio de Janeiro

Conhecer o Rio de Janeiro foi uma das melhores viagens que fiz. Como já era um período pós-carnaval, a cidade estava agradável e com poucos turistas, se comparada a períodos como dezembro, janeiro e fevereiro.

O lugar é lindo, as pessoas são receptivas e os homens – ah os homens! – são lindos de morrer. Se existe magya em um lugar, é no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa.

Só que havia um problema: havia tanta gente bonita e interessante e eu não podia chegar em ninguém. Nem deixar que chegassem em mim. Eu havia viajado com minha família. Estava ciente de que eu não pegaria balada, não paqueraria e já estava conformado com a situação.

Conheci vários pontos, várias praias e sempre rolava uma troca de olhares com alguém, mas não passava disso. Percebi que iria voltar pra minha cidade subindo pelas paredes, querendo a qualquer custo alguém que me desse algum momento de paz e sossego, pois os banhos gelados de chuveiro e mar já não estavam adiantando mais.

No último dia de viagem, após acabar de fazer minha mala, disse que iria ao banheiro escovar os dentes para dormir. Eu estava hospedado em um hostel (que pra quem não conhece, é um albergue filiado à uma rede mundial, onde se hospedam pessoas do mundo todo, por preços mais baixos que em hotéis, em lugares bem localizados das cidades. O único desconforto é ter que dividir quarto/banheiro com outras pessoas, o que, na realidade, não é nenhum fim do mundo).

Toda vez que ia ao banheiro, já que era compartilhado, eu olhava para as duchas, tentando ver alguém, algum pedaço de homem, qualquer coisa que pudesse me dar um pouco de paz. Nesse dia não foi diferente. Enquanto escovava os dentes, olhei pelo espelho para uma ducha ocupada atrás de mim. Para minha surpresa, após alguns instantes olhando, dei de cara com o moço me olhando também. Levei um susto. Achei que ele havia percebido meu olhar e já ia me agredir, dizendo “tinha que ser bixinha, nem tomar banho em paz eu posso mais!” 

Disfarcei e fui para o mictório. Na volta, eu insisti em olhar e ele estava olhando. Quando me viu passando, abriu a cortina e disse: “Entra aqui”. Foi aí que eu vi, aquele homem lindo, todo bronzeado e com a marquinha de sunga. Não resisti. Tirei a roupa e entrei na ducha com ele.

O engraçado é que durante os primeiros minutos, conversamos em espanhol, por eu achar que ele era chileno e ele achar que eu era argentino. Coisas que acontecem apenas em viagens. Depois, ele me disse que era de Brasília.

Não preciso contar o que rolou dentro daquela ducha. Para os mais curiosos, digo  que, ao menos, conseguiu aplacar o calor da cidade maravilhosa.