Fácil achar motivo

Devemos esperar do outro apenas aquilo que ele é capaz de nos dar, sem o excesso de expectativas

Eu queria que ele ligasse no meu aniversário. Esperei o dia inteiro… Ligou muita gente, mas ele não. Podia ser só um “feliz aniversário, espero que seu dia seja legal” ou “estou ligando para te mandar um beijo”.

Eu já sabia que não podia contar com um “querida, você é muito importante pra mim, eu gosto demais da sua companhia, é muito bom ter você por perto”. Mas, poxa vida, nem um cumprimento protocolar?

Podia ter sido por mensagem de texto. Podia ter sido por e-mail. Se era medo de ficar sem graça, encabulado, soar bocó, não saber como dizer poucas palavras e logo desligar, podia escrever. Sei como é. Acontece comigo.

Mas não. Sabendo que eu gosto de fazer aniversário e gosto dele, não ligou. Fiquei triste. Tamanha falta de consideração me fez rever o que pensava sobre ele em todos os aspectos. Está sendo babaca hoje ou sempre foi?

Fácil concluir: sempre foi. Lembrei-me de vários pequenos deslizes, descuidos, desatenções. Recordei os momentos em que saí do meu caminho, encolhi minhas horas de sono e fui ao seu encontro ouvir relatos do dia, acolher seu cansaço, angústia, desalento. Esperei horas dentro do carro porque ia dar carona pra ele na saída do serviço e surgiu alguma coisa no último instante.

Lembrei-me daquele oi desenxabido e do beijo sem-vergonha de despedida. Lembrei-me de quando eu cansada e carente quis 20 minutos de sua atenção e ele estava afim de ir logo pra casa tomar banho e relaxar…

Eu queria odiá-lo, precisava ficar com raiva para não ficar triste à meia-noite do dia 24 e encontrei motivos à beça. Tão fácil!

Funcionou durante dois dias inteiros. Não é que eu não quisesse mais ficar com raiva, mas a vontade foi passando. Queria vê-lo, ouvir do seu dia e falar do meu. Quando ofereci carona, esperei na porta, ouvi desabafo por telefone até de madrugada, foi porque EU quis. Porque gosto dele, ofereci minha amizade e carinho e tive o prazer de ficar olhando, ouvindo. Não foi martírio.

Meu amigo querido é assim: travado, tímido, resguardado. Sou eu que não sou. Gostei e acho graça dele ser… diferente de mim. Ele é um pouco egoísta sim, mas não é por mal.

Ninguém pode dar o que não tem. É como querer que meu cachorro, que eu adoro, fale em vez de latir (acho que dessa comparação ele não vai gostar).

Sem raiva nenhuma, mandei uma mensagem: “E aí, tudo bem?”. E, pronto, tive meu amigo de volta. E ele nem sabia que tinha ido embora.

Autor: Soninha Francine

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em outubro 31, 2012, em Geral, The Serious. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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