X-tatic Process

Não posso dizer que sou o maior fã de Madonna, mas a alguns anos, um amigo me apresentou uma música dela que realmente me tocou, me fez refletir sobre o modo que eu via e lidava com meus relacionamentos e as pessoas com quem eu me relacionava.

Quem já ouviu X-tatic Process? Não é uma das músicas mais famosas dela, mas com certeza, merece crédito, porque é aquele tipo de música que nos faz parar e prestar atenção na letra. Pra quem não ouviu, segue o link:

Toda vez que eu termino um relacionamento que me fez sofrer, eu tenho uma lista de músicas que ouço em uma ordem:

1. Músicas para sofrer
2. Músicas para se motivar
3. Músicas para se valorizar

E por mais que essa música esteja enquadrada na terceira fase, é sempre a primeira que eu escuto. E por que? Preste atenção na letra. Ela começa descrevendo como todos nós nos sentimos no começo de um relacionamento. Como nos portar? O que faz a pessoa rir? O que fazer para agradar? E muitas vezes, para responder essas perguntas, criamos um novo “eu”:

Eu não sou eu mesma quando você está por perto
Eu não sou eu mesma em uma multidão
Eu não sou eu mesma, e não sei como
Eu não sou eu mesma agora

Nesse ciclo vicioso de querer provar que somos o que a pessoa sonhou para si, acabamos nos perdendo. É nesse ponto que deixamos de ser interessantes: esquecemos que o que fez a pessoa se aproximar foi justamente o que éramos. E ela começa a se afastar, mas não sabemos exatamente porquê, afinal, nos tornamos o que ela esperava que nos tornássemos. Até que a ficha cai:

Eu sempre desejei encontrar
Alguém tão bonito quanto você
Mas no processo esqueci
Que eu também era especial

Este é o ponto. Não podemos deixar de ser quem somos por alguém. Devemos mudar, melhorar e evoluir, por nós. Se, quem gostamos, não é capaz de aceitar-nos como somos, será que essa pessoa realmente é capaz de nos amar incondicionalmente ou apenas quer nos moldar?

Eu sempre desejei encontrar
Alguém tão talentoso quanto você
Mas no processo esqueci
Que eu era tão boa quanto você

Por isso, sempre que escuto essa música, percebo que se terminou, a pessoa não foi capaz de ver tudo que eu podia oferecer. Aí respiro fundo, sorrio e ergo a cabeça novamente, afinal, eu sei que sou tão bom e especial como qualquer outra pessoa na face da Terra.

E sei que um dia, vou encontrar alguém que seja capaz de reconhecer isso, entre meus defeitos e qualidades.

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em novembro 7, 2012, em Pensamentos, The Serious. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. CLAP CLAP CLAP! Ouvindo no repeat. Adorei o texto.

    Nao podemos deixar escapar o sentimento de que também somos especiais,.

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