Amores e sapatos

Comprei um All Star novo que, como todo bom e lindo All Star, está apertando meus dedos do pé até a alma. Dizem que ele faz isso pra laciar e depois ficar perfeito, como todo bom e lindo All Star.

Enquanto meus pés doíam e eu ia para o trabalho de ônibus, navegando pelo Instagram, vi uma frase que condizia muito com meu momento “apertado”. Não me lembro bem, mas dizia mais ou menos assim:

“Insistir em um amor que não dá certo é como insistir em usar um sapato lindo, mas que está apertado para os nossos pés. Por mais que o usar nos faça sentir-se melhor perante a sociedade, sabemos que ele está apertado. Machucando nossos dedos, causando bolhas e as vezes, fazendo sangrar. Enquanto os calçamos, desejamos estar descalços, livres. Pois sabemos que isso é o melhor para nossos pés cansados”.

Li isso e olhei para os meus pés. No momento, eu calçava um All Star novinho, recém-comprado, como se fosse um amor recém-conquistado, desfrutando daquelas primeiras semanas de descobertas. Mas era esse mesmo All Star que estava apertando meus pés. Chegava a incomodar, mas eu sabia que era por pouco tempo. Isso aconteceria até meus pés se acostumarem a ele e ele se acostumasse aos meus pés. Até que nossa relação “laciasse”.

No amor não é assim? Até que tudo entre nos eixos é necessário que cada lado ceda um pouquinho, aperte aqui e aperte ali. As vezes machuca, faz bolha, mas a gente sabe que no fim, vai ficar tudo certo.

Sabe porque? Por que sabemos que é nosso número, que não tem como dar errado. Se usamos 39, provamos o 39 e compramos o 39, é questão de tempo até que o sapato se torne indispensável na nossa vida e na nossa rotina.

O problema existe quando insistimos em um erro. É como uma pessoa que hoje usa 39, querer usar seu sapato 37 da adolescência, que por mais bonito e na moda que esteja, vai lhe causar dores. Infortúnios. Machucados. Sangramentos indesejados.

No fundo, precisamos aprender a desapegar de nossos sapatos antigos. Por mais que tenhamos gostado deles, se eles já nos servem, vamos passar para frente. Tem como que pode ser feliz com aquilo que já foi nosso. Desapegar também dos amores, ficar mais descalços, mais leves e mais livres.

Só precisamos tomar cuidado para que nosso amor não seja perecível como um All Star velho.

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Sobre The Silly

Um perfeito reclamão, extremamente afobado e muito desastrado. Quero tudo e quero agora. Comunicador por formação e por paixão. Brasileiro com passaporte turquesa. Ouço todo tipo de música, mas é com o bom e velho pop/rock que eu me entendo bem. Adoro comer e não vivo sem chocolate. Canceriano clichê e romântico fundo de quintal. Leio muito e coleciono toys. Morro com barbas por fazer (de preferência clarinhas). Harrymaníaco incurável.

Publicado em novembro 26, 2012, em Pensamentos, The Silly. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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