Virgindade

Engana-se quem pensa que perdeu a virgindade na primeira vez que esteve em um ato sexual. A virgindade é considerada um tabu desde o começo das civilizações; é nela que está focada toda a inocência, pureza e castidade, normalmente exigida das mulheres e mal vista nos homens.

O conceito de virgindade deveria ir além: quem se lembra de como era antes de perdê-la? Quem se lembra dos sonhos que tinha em relação ao amor, das expectativas, das vontades do conto-de-fadas?

Eu perdi minha virgindade muito depois de ter minha primeira relação sexual. Percebi que ela estava perdida, quando já não me importava mais com a data do primeiro beijo, com a entrega de um bombom no começo de um encontro, quando meu olhar, antes tão caloroso, havia se tornado frio.

Percebi também que minha virgindade foi perdida no momento em que entreguei-me, pela primeira vez. Aí está a verdadeira virgindade: entregar-se, de corpo e alma, sem medo, a alguém. Naquele momento, corre-se o risco de perder toda a magia existente dentro do seu ser, de se expor de uma forma antes não pensada, de deixar cair todas as armaduras tão densas construídas para proteger-se.

Assim, eu sei que, quem teve seu primeiro ato sexual baseado apenas no sexo, não perdeu a virgindade; só atravessou uma etapa que qualquer ser vivo atravessa. A castidade, a inocência, está baseada em outra coisa: no fazer amor, no estar junto, no ceder seu tempo e sua atenção e abrir mão de tudo para girar em torno de alguém.

Hoje, eu luto para recuperar minha inocência. Quero de novo poder me encantar, me surpreender, me apaixonar sem medo do que vem a seguir. Talvez seja com isso que devemos nos preocupar: em deixar as armaduras caírem mais uma vez, ao invés de nos importarmos tanto com o sexo, tão banalizado hoje em dia.

Por isso, proponho a nova virgindade, que deve manter-se ligada ao sentimento, ao compromisso e comprometimento, a acreditar no amor como quando ainda se era uma criança sonhando com seu príncipe encantado. O que nos diferencia dos outros seres vivos do planeta é isso e é nisso que devemos nos focar: amarmos e sermos amados, sem perder a inocência, a vontade de ser e de fazer feliz, sempre.

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em novembro 28, 2012, em Pensamentos, The Serious. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Nossa que texto ótimo!
    Fazia tempo que não sentia aquele friozinho na barriga ao ler algo tão intenso e verdadeiro.
    Parabéns 😉

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