Conexões

Eu gosto de viajar. Não apenas para conhecer novos lugares ou viver novas experiências. Gosto de viajar porque me torna mais forte, mais maduro, um ser humano melhor, que compreende que as coisas são maiores, mais mágicas e intensas do que o próprio mundo paralelo em que se vive.

O que não gosto é das conexões em aeroportos. Tempo perdido, eu penso. Onze horas em Guarulhos, sem ter o que fazer, tendo como companheiros apenas um livro, a seleção de musicas preferidas e uma cadeira pouco confortável. Conexão não é das melhores coisas da vida.

Para passar o tempo, decido sentar no desembarque internacional: além de mais tranquilo, é onde as emoções, sorrisos, abraços e beijos são mais acalentados.

De onde vêm essas pessoas? Quantas saudades deixaram? Quais sonhos estão perseguindo ou finalizando? É bonito ver o ser humano no seu sentido mais puro, onde acontece o desejo ingênuo e verdadeiro.

Decido tomar um café. Perdido em meus pensamentos, noto ao longe, em uma mesa de frente para a minha, um comissário, também tomando café, olhando calmamente o jornal do dia.

O uniforme está impecável. Sua camisa branca, sua calça azul-marinho, sua gravata listrada, mesclando azul e vermelho e o sapato lustrado, tudo perfeitamente alinhado. Era como um anjo vindo dos céus com sua barba feita, sorriso tranquilo e olhar penetrante. Sua pele morena quebra um pouco o olhar angelical, dando aquela sensação de calor, desejo, fogo. Um perfeito cavalheiro.

Ele percebe meu olhar. Se levanta e vem em minha direção. Pergunta se pode se sentar e com meu consentimento, começamos a conversar. Descubro que ele está em uma situação parecida com a minha, de plantão no aeroporto, caso necessite ser chamado para algum vôo.

Depois de algumas horas, já estamos conversando sobre os mais diversos assuntos, mas não consigo parar de reparar em seus cabelos negros simetricamente penteados e nem em seus lábios que se mexem majestosamente exibindo lindos dentes branquíssimos, com uma risada mágica que me contagia e me envolve imensamente.

No fim do dia, chega a hora do meu embarque e o fim de seu plantão. Ele me acompanha até o embarque e levemente toca meu rosto com a mão em um ato de despedida. Sorri, acena e vai embora.

Ainda perco um tempo vendo-o caminhar para longe de mim. Em apenas algumas horas, ele foi capaz de me encantar de uma forma tão intensa, como se eu já o conhecesse há muito tempo. Junto com ele, seguem agora minhas aspirações, desejos, sentimento e o sonho de um dia, encontrá-lo de novo…

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em dezembro 12, 2012, em Histórias, Pensamentos, The Serious. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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