Arquivo mensal: janeiro 2013

Au revoir my friends!

Os anos que antecederam essa decisão foram marcantes, especialmente por cada um de vocês que passou pela minha vida: me deram força, coragem, me suportaram nos momentos de crise e aplaudiram nos momentos de conquista.

Ter um amigo é conhecer alguém tempo o bastante para saber que se pode ficar bravo e brigar com ele, sem se preocupar em perdê-lo. É ter a certeza de algo que vai durar.

Amigos podem ser duros. Talvez porque esperem mais do que estranhos. Estranhos te vêem do jeito que você quer que te vejam. Mas não dá para enganar os amigos. E é isso que os torna especiais.

Sei que minha presença será sentida, pois do outro lado do Atlântico, estarei com os mesmos sentimentos que vocês aqui.

Esse texto é em parte porque não sabemos o futuro. Esse é o objetivo da despedida: mostrar que continuaremos próximos, mesmos distantes.

E que venham novas aventuras!

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A hora de dizer adeus à um grande amor

Um dia você acorda, liga o celular e não tem mais mensagens de bom dia. Na hora do almoço, não  se encontra para discutir assuntos cotidianos, dar risada, falar do trabalho. Depois do expediente, não tem mais o chopp do happy hour, a ida ao cinema, o jantar às sextas-feiras. Na hora de dormir, nenhuma ligação para desejar boa noite e dizer “eu amo você“.

De repente, a música que toca na rádio não faz mais sentido – ou faz – mas de um jeito doloroso. O romance visto na TV, lido antes de dormir, não tem mais aquele ar de “é o que eu quero pra mim“, mas vem acompanhado da pergunta “será que isso existe mesmo?“. Não há mais descobertas gastronômicas para se dividir, domingos no parque para fazer picnic, muito menos noites de sábado assistindo maratona de alguma trilogia ou seriado.

Pois é. Acabou. E você só se dá conta disso com o passar dos dias, nos detalhes. O término, no momento da conversa, sempre é surreal. Parece encenação. No outro dia tudo vai estar normal, como se aquela conversa nunca tivesse existido. Mas não é assim. Realmente, acabou.

E dói. Dói porque um pedaço de você, tão enraizado na sua alma, foi arrancado. Sentimos como se aquela dor nunca fosse cessar, o ar nunca mais fosse passar pelos nossos pulmões e esse nó na garganta, por mais que se chore, nunca mais irá desatar. O coração já não bate de alegria, bate apenas pela sobrevivência. Os olhos não brilham com a mesma intensidade. O sorriso já não tem a mesma sinceridade.

E nessas horas, só nos resta esperar que a tempestade passe e o Sol surja novamente. Para isso, temos que ter paciência e acreditar em nosso único aliado: o tempo. E ele irá agir, em um processo que pode demorar dias, meses ou até, anos. Mas o sangramento irá parar. A dor irá diminuir. Tudo irá cicatrizar e novamente, vamos nos aventurar no campo do amor.

Porque amar é permitir que alguém possa te destruir. E confiar que isso não vai acontecer.

O direito de amar, sentir prazer e não sentir culpa por isso

Uma coisa que percebi ao me aceitar foi que também sou vulnerável. O machismo não é exclusividade da heterossexualidade.

Já tive mais de uma experiência próxima disso antes, de dizer para o cara que eu não queria, mas ele insistir, como se eu estivesse fazendo doce, mas não se resume à isso: homens sendo inconvenientes, pegando e tocando em partes do seu corpo que você não deu permissão para tocar, insistindo em te levar para a cama sem que você queira.

Isso me fez entender, embora em menor escala, as dificuldades que uma mulher enfrenta simplesmente por ser mulher. Assumir minha homossexualidade e encarar as dificuldades me fez ter empatia por elas.

E todos os dias tenho que reafirmar minha conquista. É cômico ter que lutar continuamente por algo que deveria ser direito de todos nós: é preciso assumir a bandeira do direito de amar, sentir prazer e não sentir culpa por isso.

Cada vez mais me convenço que uma vida sexual ampla é um sinal de respeito com o corpo (sempre se protegendo), ao contrário do senso comum que prega o resguardo doentio e insensato gerado pelo medo e a culpa impostos pela sociedade, de uma estupidez sem tamanho.

Por isso, acho que vale a pena seguir o que sua consciência diz, porque reputação, é algo que a sociedade pensa de você, mas caráter, é  o que determina o que você é.

*..2013..*

Primeiro do ano… 😛
 
A um ano atrás eu falava sobre fazer, sobre ter um 2012 de realizações e muito mais coisas feitas que sonhadas, posso dizer que fiz MUITA coisa.
– Vivi um amor
E que amor, intenso, verdadeiro e de tão forte me tirou de mim, me fez escrava do sentimento. Mas foi lindo, e aprendi demais;
– Viajei
Não para o exterior ou para algum dos lugares dos 30 coisas para fazer antes dos 30 , mas conheci um pouco mais do nosso Brasil, e amei;
– Trabalhei
Nossa e como trabalhei, três empregos… e assim continuo;
– Me reaproximei de alguns amigos
E esses tem feito meus dias mais fáceis (amo vcs Guys);
 
Então só posso dizer que na balança anual, 2012 foi MUITO bom, só tenho a agradecer a todos que fizeram parte do meu ano, me ajudando a crescer e amadurecer a cada ano que passa.
 
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Agora quanto a 2013, que este seja muito bem – vindo.
 
Pois já que os Maias estavam errados tenho muito o que fazer para construir um 2013 cheio de aventuras, romances, viagens, textos e com várias missões entre elas realizar algumas das 30 coisas e entrar nos 26 aninhos (OMG agora to perto dos 30) uma delícia.
 
Um MARAVILHOSO 2013 a todos. 😉

Amor, sexo e a imposição da sociedade

A minha vida sexual sempre foi ativa; mesmo porque, entre homens, a busca do prazer é feita sem maiores delongas. Nos olhamos, sentimos vontade e fazemos. Caso contrário, morre deabo. Esse pensamento racional é prático e objetivo, ainda mais para quem tem dificuldade com o flerte. Não é preciso gastar muita saliva para ir para a cama, ou melhor, não desse modo.

Isso também te dá uma vasta experiência, uma vez que é possível experimentar caras mais velhos, mais novos, casados, solteiros, enrustidos, assumidos, bêbados, sóbrios. E essa roda continua a girar, enquanto existir curiosidade e prazer.

Embora eu acredite que sexo com amor seja mais gostoso, não há uma ligação direta entre os dois. Para o sexo valer a pena, basta que duas pessoas queiram e sintam prazer. O sexo não deve ser tratado como um templo ou uma ação de merecimento.

Já tive neuroses de me achar usado ou de estar vendendo a minha alma ao diabo, o que me leva a outro pensamento: o preconceito e os medos sobre o corpo e prazer aplicados às mulheres são transferidos ao homem gay.

A primeira paranóia que surgiu foi sobre as algemas da beleza. Quando comecei a me aventurar, percebi que era medido pela aparência – dos pés à cabeça. Mudei a forma de me arrumar e me vestir, seguindo os padrões do que eu gostava de usar. Também comecei a tentar me sentir mais confiante, mais bonito.

Mas o que me assustou mesmo foi o julgamento da sociedade. Se por um lado eu sou julgado por não ser conservador, por outro, o preconceito já espera isso de mim como gay.

E aí cabe mais uma comparação com as mulheres: a mulher sofre mais pela liberdade sexual, porque isso não é o esperado dela, como também não é esperado dos gays, a afetividade.

Por isso que a sociedade nos faz acreditar que todas as relações que são fora do considerado relacionamento sério envolvem culpa, vergonha e sensação de erro. Até que você consegue se libertar.

Mas por que isso acontece? Não vivemos só a nossa vida, mas as vontades e os julgamentos impostos por uma comunidade. É preciso enfrentar os dogmas para experimentar a liberdade.

Reflexões do meu eu

Já faz algum tempo que venho relatando minhas experiências e pensamentos no blog, mas antes de começar essa narrativa, gostaria de fazer um parênteses: eu sou um gay parcialmente assumido (ou seja, parte da família e dos amigos sabem) e a descoberta da minha sexualidade foi um tanto tardia e um pouco difícil de ser aceita (com 16 anos percebi que gostava de meninos e aos 18 perdi a virgindade).

Acredito que isso tenha a ver com a vergonha que sentia do meu corpo, por ter sido gordinho na adolescência quanto por causa de uma repressão interna que eu me impunha, causada, acredito eu, por medo e incompreensão.

Eu nasci em uma cidade do interior do estado de São Paulo, onde não é difícil encontrar pessoas que prefiram ter um filho drogado a um filho gay. Tive sorte dos meus pais pensarem diferente: independente da minha orientação, sempre quiseram a minha felicidade. Entretanto, a pressão social não diminuiu com isso.

Some isso ao bullying sofrido na escola e teremos uma grande tempestade de angústia sexual. Mas não vim hoje aqui para falar sobre os meus dramas passados.

O que quero tratar é que, quando comecei a ter relacionamentos com outros caras, iniciou-se o processo de descoberta do meu corpo e do sexo. Normalmente me envolvo com caras mais velhos e isso tem uma vantagem: eles tem mais experiência e paciência para ensinar e lidar com a falta de jeito dos novatos.

E eles ajudaram muito no meu aprendizado e no modo de eu ver a vida, principalmente no quesito sexual e amoroso. Uma das coisas mais importantes que eu aprendi foi que não era necessário eu me ater aos modelos tradicionais de relacionamento e afeição impostos pela sociedade.

Mas aqui, cabe um porém: não creio que por ser gay eu esteja fadado à uma relação poligâmica e os heterossexuais à uma monogâmica. A variedade e liberdade de amar e transar independe da orientação sexual, na verdade, cabe aos costumes e crenças de cada um.

Nos próximos posts, irei tratar sobre esse assunto, pois ultimamente tenho sentido a necessidade de debater sobre esses pensamentos que passam pela minha mente.

Vejo vocês em breve!