O garoto do ônibus

Atravessei a ponte do canal e andei em direção ao ponto de ônibus. Era a primeira vez que iria pegar o ônibus sozinho e não sabia exatamente em que ponto teria que descer, mas tudo bem. Qualquer coisa, era só perguntar para que lado o shopping ficava e eu estaria facilmente em casa.

Quando vi, o ônibus já estava no ponto. Não queria perdê-lo: tinha pressa de chegar em casa. Bati na porta e o motorista apontou para a frente e eu vi várias pessoas esperando. Ele tinha parado, mas a entrada ainda não tinha sido autorizada. Respirei aliviado e fui para o ponto.

Ele parou próximo a mim e abriu a porta. Eu facilmente poderia ter entrado primeiro, mas seria injusto com todas aquelas pessoas que chegaram antes de mim. Parei do lado da porta e esperei as pessoas entrarem, olhando para seus rostos cansados depois de um dia de trabalho.

Foi quando eu o vi: no fim da fila, com barba por fazer e com aquele cabelo louro escuro, eu o vi. Fazia tempo que não via alguém com os olhos tão brilhantes. Fiquei alguns segundos admirando tamanha beleza. Ele se ofereceu para ajudar uma mãe com o carrinho de bebê. Achei o gesto muito lindo. Quando percebi, estava encarando o garoto, desviei o olhar e  entrei no ônibus.

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Sentei no fundo, preocupado em ficar do lado em que pudesse ter pontos de referência e saber onde deveria descer. Liguei o player do celular e fiquei conversando com meus amigos pelo whatsapp. Em dado momento, vi que havia vaga na parte da frente do ônibus e fui lá sentar. Ao olhar para o lado, aquele lindo garoto estava do meu lado do outro lado do corredor. Trocamos olhares rápidos. O coração acelerou. Abaixei a cabeça.

Em dado momento com o sol batendo diretamente em mim, tive que me levantar para tirar o sobretudo. Quando olhei para o lado, ele me encarava. Me senti nu. Quanto tempo não me sentia olhado com tanto desejo por alguém? “Besteiras da minha cabeça”, pensei, “Ele não está te olhando desse modo…”.

Ao chegar no ponto do shopping, ele desceu. Quando vi, ele estava parado no ponto, olhando para mim. Eu desviei o olhar algumas vezes, mas queria ter certeza que era pra mim que ele estava olhando. Quando a porta do ônibus se fechou, ele piscou e sorriu. Ele também tinha gostado de mim. Eu sorri de volta.

Ele poderia ser o amor da minha vida, ou talvez, um bom amigo para um café. Na verdade, posso cogitar e supor muitas coisas, mas nunca saberei a verdade, pois naquele momento em que a porta do ônibus se fechou, eu perdi a oportunidade e não pude, tentar.

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em fevereiro 27, 2013, em Histórias, Pensamentos, The Serious. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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