Arquivo mensal: abril 2013

Revelações I

Há, queria aproveitar hoje e revelar uma saudade …. Uma saudade não de um tempo que passou, mas uma saudade constante de algo que, por mim, poderia acontecer com certa frequência.

Mas afinal, que seria esse algo?

Ando com a saudade e consequentemente a vontade de conhecer alguém sem querer, seja dos meios mais tradicionais, como na escola, no trabalho, em festa, etc… ou quem sabe até, de forma mais moderna, como as redes sociais e em menor grau, mas não descartando, aplicativos/sites de relacionamento. Entretanto não quero que haja junto às apresentações a intenção inicial da pegação ou do sexo, ou coisas do tipo,  quero que de momentâneo surja certo interesse, interesse que não sabemos explicar, talvez seja a vontade imensa de jogar a pessoa em uma cama e tira-la toda a roupa, ou talvez seja a vontade desesperada de beija-la, ou tudo ao mesmo tempo.  Mas é apenas uma vontade, a qual ficará guardada em segredo, porém o interesse no outro, aaaaaaa, esse fica, e se manifesta no desejo de encontra-lo novamente (ou pela primeira vez?) fica aquele desejo de sentir o perfume, de poder ter uma conversa gostosa que durará horas, o desejo de tocar na mão e sentir a pele…”sem querer”.

Dessa forma, o que se faria? Marcaria um encontro…só os dois, em um lugar tranquilo, banal até, o qual tem potencial de se tornar especial por qualquer motivo. E junto, por favor, vinho…(pode ser cerveja se estiver calor), mas não uma garrafa só, ok?

Então, a conversa se inicia, muito tímida, ambos sem saber o que falar ou como reagir, afinal ambos tem interesse um no outro, todavia ninguém sabe como dizer, como expressar, e no desespero de não saber o que fazer, procuram refugio na conversa….aaaaaaaa, essa deliciosa conversa que durará horas, um misto de revelações, risadas, oposições e principalmente, identificações… Onde os dois se empolgam e querem se mostrar ao outro, encantar. Porém ao mesmo tempo que ouvir, conhecer, descobrir e ser encantado, e nesse ponto a timidez já se foi.

E claro, no meio de tudo isso, pede-se ao garçom, ou retira-se da mochila mais uma garrafa, pois a anterior já se foi. E os copos se enchem novamente, ou os gargalos são tomados pela sede de ambos. Que sede será essa? será fisiológica? Ou seria a sede pelo outro? A sede pelo toque, pela pele, pelo beijo. Aquela vontade que cresce cada vez mais enquanto o controle diminui-secada vez menos. principalmente após as mãos tocarem-se “sem querer?” no meio de tudo isso.

Logo muitas palavras são ditas, a voz se eleva, a coragem também e consequentemente as historias trocadas tornam-se mais reveladoras, mais constrangedoras, os olhos se abaixam pela vergonha mas os risos só se expandem. Então, o bar se fecha e/ou a bebida acaba

E chega-se oa fim da bebida, o fim das palavras,  entretanto não o fim da vontade, muito pelo contrário… Nesse momento apenas se entreolham, tímidos (sim, a timidez voltou),  olham-se novamente porém logo voltam a olhar pros lados, sorrindo, sem saber o que fazer ou o que dizer….Na verdade sabendo exatamente o que Gostariam de fazer.

O mundo fica em silêncio, a razão se vai a vontade fica, agora é a leve embriaguez que dita as regras levando a um súbito pico de coragem,  inventa-se um assunto ou uma desculpa para se aproximarem. E se aproximam cada vez mais, inocentemente é claro. Até que as peles se tocam, o perfume intensifica e já não há mais escapatória. Os lábios se tocam…aaaaaaaaaaa… que saudade desses beijos !

Anúncios

A difícil tarefa de estar comigo

Depois de um longo e demorado banho quente, saí do Box com o roupão que uso normalmente. Parei na frente do espelho e passei a mão para retirar o excesso de vapor, querendo desvendar a imagem oculta.

Tirei lentamente o roupão. Cabelo normal, castanho, rebelde. Olhos normais, castanhos, opacos. Pele muito branca, dando contraste em tudo, exceto no revestimento da parede.

Prestei mais atenção na imagem refletida, mais do que meus olhos conseguiam ver e repeti mentalmente: “como é difícil estar comigo”. Procurei algo anormal em meu corpo, na minha mente, algo que pudesse explicar essa sensação.

Me senti culpado por esse pensamento me fazer tão mal. Me senti desolado, triste, melancólico, raivoso, mas acima de tudo, injustiçado. Achei injusto o que a vida me reservava naquele momento. Porque eu não podia me amar como eu era, sem exigir tanto de mim?

Mais do que a sociedade era capaz de julgar, eu era meu pior inquisidor e fim. A dura realidade dava um tapa em minha cara. Como quem puxa um esparadrapo de uma só vez, para sentir a dor de uma vez só.

A outra voz na minha mente dizia: “ah, me poupe!”. Tanta coisa pra fazer, trabalho atrasado, roupa pra lavar e guardar e eu lá, em pé na frente do espelho pensando em como era difícil estar comigo, como se pensar nessa frase milhões de vezes fosse ajudar a aceitar quem sou ou mudar a realidade.

Procurei possibilidades, brechas. E se eu fosse atrás de qualquer pessoa, que massageasse meu ego, que me elogiasse e eu sorrisse em retorno, só pra aumentar minha auto-estima? “Que isso!” – a voz disse – “Que pensamento mais baixo!”. Se quisesse algo assim, compraria um boneco inflável.

Mas como lidar com a rejeição quando ela vem de dentro? Como lidar com o próprio reflexo no espelho? Como lidar com a auto-estima ou a falta dela? Como tentar pensar diferente quando o próprio reflexo te olha maldosamente e diz: “você não é bom o suficiente”.

E logo eu, que achava que ter um bom caráter, estudo e bom papo eram suficientes, me sentia perdido em um oceano profundo que sou eu mesmo. “Como é difícil estar comigo”, pensei novamente.

Sem saber quanto tempo esse pensamento iria me perseguir, saí do transe e voltei à realidade. Me troquei e fui até o supermercado atrás do único que não me julgaria pela minha neurose e que preencheria momentaneamente esse vazio: chocolate.

Devorei a barra rapidamente assistindo um episódio de Grey’s Anatomy, voltando ao pensamento do começo da crônica mais rapidamente do que esperava.

Como é difícil estar comigo.

Se for se apaixonar, não beba

É interessante como me transformo em outra pessoa quando bebo. Dependendo da emoção que está presente, ela é catalisada e viro um novo ser: às vezes engraçado, às vezes chato ou depressivo, mas no pior dos casos (para mim), acontece da noite ser épica e cheia de acontecimentos que embora eu não lembre do ocorrido, desejo fortemente que as pessoas também não lembrassem. Acredito que isso aconteça com muita gente.

Acontece algo parecido quando nos apaixonamos: muitas das nossas convicções e regras impostas por nós mesmos para nós mesmos cai por terra. “De todas as maneiras de perder a dignidade, se apaixonar é a pior delas”. Essa frase tem mais do que um fundo de verdade; ela tem a verdade toda!

E perde-se a dignidade muito mais do que quando bebemos, ao meu ver. O êxtase não dura uma noite; pode chegar a durar meses, anos! A ressaca quando acordamos pra realidade também é maior. Agora imagina colocar as duas coisas juntas. No way!

Não falo sobre a alma gêmea, sobre a tampa da panela. Falo da paixão desmedida e sem freios. Todos passam por essa experiência: negros, brancos, diplomados, poliglotas, adeptos do sistema de castas, patricinhas, lutadores da causa GLBT, enfim, sendo ser humano, estamos fadados a essa maldição.

E por mais racional que alguém possa ser, em algum momento ao decorrer da vida, vai meter os pés pelas mãos, colocar o carro na frente dos bois e tomar alguma atitude que em sua plena racionalidade, consideraria improvável. Algo que o torna em alguém que não é você.

São aquelas histórias que ouvimos dos amigos e pensamos: “ele é louco?”, “qual o problema dele?”, “se fosse comigo, nunca faria algo assim!”. Mas no fundo, guardado a sete chaves, temos uma história parecida. Uma história onde foi arrastado nosso nome na Medina e o pior, por nós mesmos.

Lembra quando após o término, você ligou pro seu namorado no meio da madrugada e ficou mudo só pra ouvir a voz sonolenta dele dizer alô? Quando decidiu voltar com aquele cara que você sabia que não valia a pena? Ou quando chorou copiosamente implorando pro cara não te deixar? Quando prometeu pros seus amigos que já tinha superado, mas perseguia o cara no facebook 24 horas por dia? E a pior: quando você bebeu e chorando no meio da balada decidiu ligar pro cara dizendo que sem ele você não era capaz de viver?

Resumindo: são inúmeros os meios que temos de acabar com nossa dignidade.

Quando a emoção passa, vem a vergonha. “Meu Deus, como que eu pude ser capaz de ter uma atitude dessas? Onde está meu amor-próprio? Meu orgulho? Minha dignidade? Cadê?”. E normalmente não temos respostas pro nosso rompante emocional.

O golpe de misericórdia vem ao pensarmos que foi essa ação que arruinou qualquer chance que tínhamos de fazer a tal paixão dar certo. Não foi. Certas coisas realmente não são pra ser. Também achamos que o cara vai nos achar loucos, como se ele nunca tivesse feito algo parecido; nesse quesito, todos temos teto de vidro.

A paixão é um sentimento perigoso que nos toma a razão, mas é extremamente importante: são com esses erros e atitudes impensadas que aprendemos a ser pessoas melhores e nos prepararmos para entrar em um relacionamento mais maduros, centrados.

Aprendemos com as atitudes erradas e sabemos que nunca mais as cometeremos novamente. Cometeremos outras, novas e que farão o ciclo se repetir.

E esse é o bonito da vida.

(Releitura do texto de Gabriela Faustini)

A primeira paixão across Atlântico – parte 2

Não leu a parte 1? Clique.

Ficamos o tempo todo entre a sala e a cozinha. Ele preparou um jantar pra gente e me trouxe uns 15 dvds para escolher um para vermos. Nessa semana, havia sido o aniversário dele e eu comprei um presente. Na verdade, era um cartão escrito “Happy Birthday Mr. Perfect” e eu escrevi uma mensagem bobinha, escrevi algumas frases e palavras em inglês/português e coloquei um bilhetinho dentro escrito “if you want, you can change this for a kiss”.

Entreguei. Ele se derreteu todo e ficou lendo por vários minutos as frases em português e me fazendo rir até doer a barriga, mas nem tocou no bilhete. ¬¬

Ele sentou do meu lado, me puxou pra perto, virou meu rosto e me tascou o beijo mais gostoso que eu já dei na vida. Demorado, calmo e muito intenso.

Depois do beijo, rimos, seguramos as mãos e ficamos vendo filme de mãos dadas e um deitado no outro. Uma hora, já depois de vários beijos e muito carinho, eu perguntei a ele se ele havia visto o bilhete, ele disse que sim, mas não leu. Pedi pra ele ler. Ele riu feito bobo e disse “mas já te beijei”. Dai ele veio e trocou mais um, rs.

Deu a hora de eu ir embora e ele me levou até o ponto, me dando um selinho antes de eu entrar no ônibus.

Pela primeira vez na vida eu entendi porque as pessoas não precisam fazer sexo no primeiro encontro.

algo além…

Estranho como mesmo quando temos muito o que dizer, as palavras nos faltam. É assim que tenho passados esses últimos tempos longe daqui, cheia de palavras e deixando-as escapar entre os véus de minha mente, entre a correria do dia-a-dia, entre o medo de encarar que mesmo entre tantas coisas boas acontecendo falta algo.

Quero falar deste algo e sei que mesmo falando muito ainda será pouco perto de tudo.

Porque falta algo?

Essa pergunta ecoa em mim, não consigo entender, a fase está tão boa. Tenho amigos que amo e estão por perto, tenho uma família que me apóia e esta por perto, tenho projetos sendo realizados e  a luz no fim do túnel do sucesso financeiro começou a brilhar, mas mesmo assim o peito ainda clama.
Estou feliz, não confundam, estou realmente bem, sinto-me bem, sinto-me feliz, e tem momentos que acho que não falta nada. Porém quando toca uma musica ou penso naquelas poucas sexta e sábados a noite que estarei em casa, sinto aquele vazio.

have_you_key_to_my_heart_by_hello_or_goodbye1

É preciso de alguém. Mesmo esse alguém tendo que ser bem especifico. Bem compreensivo e MUITO mais MUITO mais amigo, parceiro e companheiro que namorado.

Eu quero casar neh? Medo disso!

Já não tenho mais paciência nem para baladas nem para azaração no bar da esquina, essas situações me entediam, quero naturalidade, não quero conhecer alguém com a intenção de algo mais, quero simplesmente conhecer, mas tudo neste novo mundo parece ter alguma intenção a mais… Chega a dar preguiça só de pensar!

Então eu abstraio essa necessidade e guardo todo esse amor que tenho, dentro de uma caixinha, tranco com aquela chave bonita e escondo em algum lugar , rezando para que no momento certo eu a encontre!

 

Cansei de Ilusão! Me tornei uma Adulta!

E o fim? Será temperado com amor ou sem?

Em algumas conversas com os amigos, sempre vem aquele medo do futuro: somos jovens, temos toda a vida pela frente e estamos começando a engatinhar a caminho da estabilidade, seja financeira, pessoal, emocional ou amorosa.

Um dos tópicos que sempre abordamos é a questão de encontrar aquele alguém especial que iremos levar por toda a vida. Ansiamos por encontrar esse grande amor que irá ser a cereja do bolo da nossa felicidade. E quanto mais o desejamos, maior é o buraco no peito, maior é a profundidade da ferida por sofrer tantas vezes na procura.

Mas será que existe um único amor? E porque temos tanto medo de terminar a vida sozinhos?

Old-Gay-Couple

Ao meu ver, a relação homoafetiva difere da heteroafetiva justamente por sermos pessoas iguais: somos homens relacionando-se com homens ou mulheres relacionando-se com mulheres. Também acredito que haja mais de um amor ao decorrer da vida. É fácil perceber: o amor da adolescência não se encaixaria no que estamos vivendo atualmente e provavelmente o amor de agora também não se encaixará se formos aquele tipo de pessoa que gosta de mudar conforme o vento: somos seres em constante evolução e aprendizado.

Somos seres programados para amar. Somos seres programados para sermos amados. E a relação homoafetiva talvez esteja a frente evolucionalmente falando justamente por algo que lutamos contra: a falta da monogamia. Talvez ao viver tantos anos com a mesma pessoa, a relação da paixão – que se transformou em amor – vire uma grande amizade. Já vi casos assim, de homens que amam homens, mas que depois de 10, 15, 20 anos de relacionamento se tornaram grandes amigos.

Também há o problema de procurar ansiosamente pelo parceiro para passar o resto da vida e num golpe de azar, a vida o tirá-lo de nós antes do tempo. E de repente, de um segundo para outro, nos vemos sozinhos novamente, tendo que construir uma relação do zero. Por mais que doa, é fácil fazer isso aos 20 anos. Aos 50, talvez nem tanto.

Por isso, acredito que se temos mesmo medo de estarmos sozinhos ao final da vida, não é atrás de um grande amor que devemos correr, mas sim, de cultivar as amizades que temos hoje. São os amigos que nos farão companhia, que estarão lá por nós em qualquer situação e que nos aceitarão mesmo que nossos rostos não possuam a mesma vivacidade e beleza dos anos passados.

Pense nisso.

A primeira paixão across Atlântico

O vi pela primeira vez pelo Grindr e tudo começou com um “Hi” – que partiu dele. Do Grindr, depois de alguns papos hot, partimos para o Whatsapp. Durante quase 2 meses, nossas conversas se resumiam ao Whatsapp. VÁRIAS VEZES ele simplesmente me deixava no vácuo. Sem mais nem menos.

De fato, eu não entendia qual era a dele. Ficava dois dias sem me responder e do nada mandava um “Hi, how are you?”. Eu ficava tentando decifrar, parecia que ele estava me cozinhando, me deixando ali pra quando ele quisesse “comer”.

Depois de um tempo já conversando, descobri o endereço do trabalho dele e resolvi fazer uma surpresa. Apareci lá um dia X, em que ele estava trabalhando e fui dar um “hello” pessoalmente. Quando ele me viu, riu e disse “Are you here?”. Perguntei se ele me reconhecia e ele disse “claro que sim”.

Desde então, tudo mudou. Não fiquei mais no vácuo e vários dias ele mandou um whats antes mesmo de eu mandar. Dias depois, marcamos um date oficial.

Nesse dia, eu achei que sairia do trabalho as 19h e no meu intervalo disse isso a ele. Voltei ao trabalho confiante de que iria vê-lo só lá pelas 21h. Aconteceu que sai as 20h e quando sai, eu tinha 2 ligações, 3 sms e 2 whats no meu celular…dele. Ele havia ido até o meu trabalho para me fazer uma supresa e me pegar na saída. Pedi mil desculpas, mas ri por dentro dele ter feito esse papel, e fui até o centro encontrá-lo. Já que ele estava indo embora pra casa quando eu vi as mensagens e resolveu descer do ônibus e pegar um próximo.

Nesse date, não rolou nada. Apenas jantamos juntos, rimos muito e conversamos a beça. E ele me deu chocolates. Isso porque foi perto da Páscoa e eu havia dito dias antes que estava triste por não poder participar do amigo secreto dos meus amigos. Ele disse que podíamos fazer nós dois, mas nem botei fé. No date, ele está lá…com vários chocolates pra me dar.

Marcamos outro date e de novo, a gente se complicou. Perdi o ônibus e o deixei esperando. Resolvemos que seria melhor ele pegar um ônibus e ir pra casa e eu pegar o mesmo ônibus e descer perto da casa dele. Assim, iríamos para a casa dele.

Cheguei primeiro do que ele e em alguns minutos ele chegou e fomos pra casa dele. Ele foi o ser humano mais fofo que eu já conheci. Cadê o ogro do whats? Dos sms? Sumiu.

Ali do meu lado tinha um cara fofo que tava mais pra gatinho querendo carinho do que leão bravo.

O resto eu conto semana que vem.

Conquistar ou ser conquistado?

Outro dia comecei a pensar em um menino, que eu era afim, mas há muito tempo não conversava. Decidi mandar um inbox pra ele no facebook“Saudade de você, eu disse. A resposta veio prontamente, como se ele já estivesse esperando minha mensagem: “como você pode sentir saudade de algo que só viu uma vez?”. Sim, caros leitores, ele conseguiu ser ogro a esse ponto. Eu apenas respondi “posso ter visto apenas uma vez, mais foi tão bom e intenso, que valeu muito mais do que caras que vi durante meses. Qualidade à quantidade, sempre”. E decidi que deixaria esse assunto para lá.

Alguns minutos depois, chega outra mensagem dele: “Que lindo! Sabe, eu acabei de sair de um relacionamento, estou triste e carente. Se você me quer mesmo, essa é a hora de tentar me conquistar”.

Gente, WTF?! WHAT THE FUCK?! Eu vou pular a parte sobre ele ter acabado de sair de um relacionamento e esse não ser realmente o momento apropriado para se chegar próximo à alguém que você quer. Também vou pular  a parte do egocentrismo e arrogância vindas desse ser que eu acreditava ser um cara legal. Quero mesmo é me focar na última parte da mensagem dele: Essa é a hora de tentar me conquistar.

Quem inventou esse conceito babaca de conquistar e ser conquistado? Eu me sinto, tipo sei lá, em uma mata densa correndo atrás de um veado das colinas sul-senegalescas em extinção quando esse termo surge. Por que? Oras, porque ninguém é caça e ninguém é caçador no jogo da sedução. Como já disse anteriormente, ou quer, ou não quer. E se não quer, faça o favor de ser íntegro e educado e dizer, pra que a fila possa andar. Não tenho tempo de lidar com seu egocentrismo e sua vontade de alguém massagear seu ego.

Mas, voltando ao tópico principal após esse desabafo, eu realmente acredito que o termo conquistar e ser conquistado caiu em desuso. Era muito lindo – e útil –  na época da Inocência, quando os rapazes tinham que cortejar as moças anos a fio para conseguirem segurar suas mãos.

Hoje o mundo é livre! As expressões são livres! O sexo é livre! Então por que ainda queremos ser cortejados desse modo? Temos a possibilidade de fazer algo que nunca antes foi possível: sermos sinceros, sermos donos de nossos corpos e dizer: “Eu te quero. Você me quer? Não, então tchau”.

Vamos aprender a apreciar realmente a liberdade, essa sim conquistada com muito suor e que ainda derrama sangue em suas lutas. Precisamos nos deixar levar e viver intensamente cada momento. Não quero conquistar ninguém. Não quero ser conquistado. Só quero ser feliz e se for ao lado de alguém, melhor ainda!

E, se você ainda usa esse termo hoje em dia, preciso te atualizar: as pessoas tem pressa pra tudo. Se você ficar nesse joguinho, vai acabar só. Por isso, não é melhor deixar o “conquistar e ser conquistado” para os jogos de tabuleiro? Eu tenho War em casa, caso se interesse em jogar…