Se for se apaixonar, não beba

É interessante como me transformo em outra pessoa quando bebo. Dependendo da emoção que está presente, ela é catalisada e viro um novo ser: às vezes engraçado, às vezes chato ou depressivo, mas no pior dos casos (para mim), acontece da noite ser épica e cheia de acontecimentos que embora eu não lembre do ocorrido, desejo fortemente que as pessoas também não lembrassem. Acredito que isso aconteça com muita gente.

Acontece algo parecido quando nos apaixonamos: muitas das nossas convicções e regras impostas por nós mesmos para nós mesmos cai por terra. “De todas as maneiras de perder a dignidade, se apaixonar é a pior delas”. Essa frase tem mais do que um fundo de verdade; ela tem a verdade toda!

E perde-se a dignidade muito mais do que quando bebemos, ao meu ver. O êxtase não dura uma noite; pode chegar a durar meses, anos! A ressaca quando acordamos pra realidade também é maior. Agora imagina colocar as duas coisas juntas. No way!

Não falo sobre a alma gêmea, sobre a tampa da panela. Falo da paixão desmedida e sem freios. Todos passam por essa experiência: negros, brancos, diplomados, poliglotas, adeptos do sistema de castas, patricinhas, lutadores da causa GLBT, enfim, sendo ser humano, estamos fadados a essa maldição.

E por mais racional que alguém possa ser, em algum momento ao decorrer da vida, vai meter os pés pelas mãos, colocar o carro na frente dos bois e tomar alguma atitude que em sua plena racionalidade, consideraria improvável. Algo que o torna em alguém que não é você.

São aquelas histórias que ouvimos dos amigos e pensamos: “ele é louco?”, “qual o problema dele?”, “se fosse comigo, nunca faria algo assim!”. Mas no fundo, guardado a sete chaves, temos uma história parecida. Uma história onde foi arrastado nosso nome na Medina e o pior, por nós mesmos.

Lembra quando após o término, você ligou pro seu namorado no meio da madrugada e ficou mudo só pra ouvir a voz sonolenta dele dizer alô? Quando decidiu voltar com aquele cara que você sabia que não valia a pena? Ou quando chorou copiosamente implorando pro cara não te deixar? Quando prometeu pros seus amigos que já tinha superado, mas perseguia o cara no facebook 24 horas por dia? E a pior: quando você bebeu e chorando no meio da balada decidiu ligar pro cara dizendo que sem ele você não era capaz de viver?

Resumindo: são inúmeros os meios que temos de acabar com nossa dignidade.

Quando a emoção passa, vem a vergonha. “Meu Deus, como que eu pude ser capaz de ter uma atitude dessas? Onde está meu amor-próprio? Meu orgulho? Minha dignidade? Cadê?”. E normalmente não temos respostas pro nosso rompante emocional.

O golpe de misericórdia vem ao pensarmos que foi essa ação que arruinou qualquer chance que tínhamos de fazer a tal paixão dar certo. Não foi. Certas coisas realmente não são pra ser. Também achamos que o cara vai nos achar loucos, como se ele nunca tivesse feito algo parecido; nesse quesito, todos temos teto de vidro.

A paixão é um sentimento perigoso que nos toma a razão, mas é extremamente importante: são com esses erros e atitudes impensadas que aprendemos a ser pessoas melhores e nos prepararmos para entrar em um relacionamento mais maduros, centrados.

Aprendemos com as atitudes erradas e sabemos que nunca mais as cometeremos novamente. Cometeremos outras, novas e que farão o ciclo se repetir.

E esse é o bonito da vida.

(Releitura do texto de Gabriela Faustini)

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Sobre The Serious

Capricorniano nato, organizado e extremamente perfeccionista. Idealizador, que quer conhecer o mundo todo. Turismólogo por formação. Brasileiro e orgulhoso disso! Ama bife de picanha com arroz, feijão, farofa e batata frita e não abre mão de uma boa dose de Absolut, seja com coca, com suco, com gelo. Leitor ávido de todos os tipos de livro. Ouve todo tipo de música, de Cher à Victor e Léo. Adora uniformes e ternos. Viciado em viagens. Postagens às quartas.

Publicado em abril 17, 2013, em Geral, The Serious. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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