Arquivo mensal: julho 2013

Não era pra ser

A primeira vez que vi a foto no seu perfil, eu sabia que queria te conhecer.

Ao assistir aquele filme, no momento em que tocou Glad You Came, eu soube que eu estava encantado por você. Eu soube que a minha vontade maior de sair do país naquele momento era para ir ao seu encontro. Eu soube.

Eu também sabia que seria complicado: não nos conhecíamos, eu estava chegando em um país novo, você tentando se estabilizar, tudo contra nosso encontro. Doeu ao saber que você namorava. Metade do meu sonho foi transformado na dura e fria realidade: será que eu poderia ter você para mim algum dia?

Deixei passar. Cheguei, não te avisei, não perguntei se poderíamos nos encontrar. Eu sabia o que iria acontecer no momento que eu te visse. Eu sabia.

Mesmo assim, te vi, sem querer, naquele bar. Não tive coragem de chegar perto, mesmo assim, não consegui tirar os olhos de você. No outro dia, a vontade foi mais forte: te falei que havia te visto. Só não te falei da vontade que tive de ir até lá, te roubar pra mim e guardar bem guardado no paraíso que eu havia construído para nós dois.

Ontem, ao chegar de viagem, um convite. Como negar? Como eu poderia negar qualquer coisa que viesse de ti?

Hoje ao te encontrar naquele local, quando veio em minha direção sorrindo, por um segundo senti minha alma deixar o meu corpo: como você podia ser mais do que eu imaginei?

Foi ótimo estar com você. Foi ótimo poder assistir aquele filme contigo. Mas foi maravilhoso quando você apoiou seu braço na minha perna e nossas mãos se encontraram. Eu não queria mais soltar sua mão. Um sorriso despontou de meu rosto.

Continuei com os olhos fixados no filme. Eu estava tentando resistir à você, mas quando você quase apoiou a cabeça no meu ombro e eu senti sua respiração próxima ao meu ouvido, não fui capaz de resistir ao ímpeto de meu corpo: eu precisava te beijar. Eu precisava sentir seus lábios contra os meus. E assim foi. E assim senti você me puxar contra seu corpo, com desejo, ofegando.

Eu também te queria. Te queria tanto! Meu coração disparava a cada movimento de nossos lábios. Minhas mãos percorriam seu corpo, minha respiração entrecortada ecoava pela sala. Eu não queria mais deixar você se afastar. “Cole seus lábios aos meus”, eu pedia em pensamento.

Mas nos afastamos. E outros beijos não vieram. E a realidade deu um tapa no meu rosto.

E naquele momento, eu soube que independente de você ser o cara certo para mim, talvez eu não fosse para você. E doeu. Meu coração suplicou por mais espaço, mas meu peito estava tão apertado que não era possível. Minha garganta secou. Meu pulmão parou. Minhas mãos antes quentes contra as suas, agora pendiam frias ao lado do meu corpo.

Seu sotaque, seu sorriso encantador, o brilho no seu olhar de menino. Seu jeito de me fazer rir. Sua pegada que me fazia ir aos céus e voltar. Tudo o que eu queria era te ter para mim.

Mas não podia ser. Não devia ser. Não era para ser.

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Procuro alguém

Procuro alguém que eu possa contar. Que saiba a importância de segurar minha mão e de me abraçar quando eu precisar. Que saiba me escutar, mas também falar o que é preciso.

Que saiba sentir o que eu sinto, o que eu penso, o que eu quero. Que seja uma ótima companhia até para os programas de índio que eu inventar. Que sempre veja algo positivo em mim, mesmo quando eu não seja capaz de fazer isso.

Que me apoie, tanto nas decisões mais difíceis quanto nas mais fáceis, como quando eu não sei qual molho do Subway escolher.

Que seja o namorado mais perfeito do mundo porque sabe, acima de tudo, ser meu amigo. Meu melhor amigo.

Talvez eu não precise procurar mais. Porque o melhor de tudo é que eu já encontrei esse cara.

Coisas surpreendentes acontecem quando menos se espera

Um dia, antes do planejado, por motivos que prefiro não citar, decidi voltar ao Brasil. Não foi uma decisão fácil: tudo o que eu havia sonhado e lutado para conseguir não tinha sido do jeito que eu esperava e eu sentia, no fundo da minha alma, que o melhor era respirar fundo e voltar.

O que as pessoas iriam pensar? O que iriam dizer? – Essas perguntas passavam pela minha mente e queimavam meu coração. Você não deve se preocupar com isso, um amigo me disse, se você acha que sua felicidade não está aqui e sente que pode estar lá, vá sem medo.

E eu fui, sem contar para ninguém que estava voltando.

Quando entrei no voo para o Brasil, não sabia o que esperar. Não sabia qual seria meu próximo passo. Eu estava perdido, como poucas vezes estive na vida.

Fui muito bem recebido por todos que me amavam e isso fez com que minha angústia diminuísse, dando lugar ao eco que existia no meu âmago pela falta de um plano. Em um dia, andando de carro por uma estrada com um amigo, abri o vidro e gritei para o Universo: Me traga um namorado!

Meu amigo riu. Eu ri. Seria o Universo capaz de entender ou escutar o meu pedido? Eu queria alguém pra mim. Eu queria me sentir vivo de novo. Eu queria viver por alguém.

Algum tempo depois, quase sem querer, alguém me adicionou no facebook. Eu não estava em um dos meus melhores dias, mas comecei a conversar com aquele cara que, além de bonito, era simpático. Foi um papo rápido, já era tarde, então combinamos de continuar nos falando no outro dia.

Eu gostava do modo que ele falava comigo. No outro dia, ele chegou e me cumprimentou com um “oi, menino”. Eu respondi e disse: “adoro quando você me chama assim”. E eu realmente gostava, pois me sentia assim: um menino, sozinho, à noite no quarto escuro com medo do bicho papão. Tudo o que eu queria era alguém para me proteger.

E ele me respondeu: “E se eu te chamar de meu menino?”.

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Pronto. Eu podia não querer contar pra ninguém, eu podia não querer aceitar nem pra mim, nem assumir, mas eu sabia: eu já era dele.

Nosso primeiro encontro demorou um pouco para acontecer, mas quando o vi e senti seu abraço, seu cheiro, seu beijo, eu tive a certeza de algo que meu coração já dizia: eu queria ele pra mim.

Eu já não me sentia mais perdido. Ele me protegia do mundo. Ele entendia minha língua. Ele desvendava o meu corpo. Ele apoiava os meus sonhos. O que mais eu poderia querer?

Hoje vejo que tenho mesmo que confiar no meu instinto. Se eu não sabia o porque devia voltar para o Brasil, hoje eu sei: era pra te encontrar. Era pra poder viver tudo isso com você.

Era pra ser seu.

Por que?

Por que ele?
Poderia ter sido com qualquer um, mas porque foi com ele?

Talvez porque ele preencha todos os requisitos mentais que eu criei para o homem perfeito?

Talvez seja obsessao?

Nao sei.
So sei que me tira o sono.

O garoto do pub

Ele me ligou meia hora antes do horário combinado para nos encontrarmos para confirmar se eu iria. Dei um sorriso que ele sentiu através do telefone e disse que sim. Em meus pensamentos, eu sabia que tudo o que eu queria era conhecê-lo.

Sabe aquele tipo de gente que te faz sentir bem, bonito, querido? Ele é desses.

Acabei chegando dez minutos atrasado, mas não foi difícil achá-lo: moreno, cabelos pretos curtos, com o olhar de menino preocupado. Fui diretamente em sua direção sorrindo e ao meu ver, ele sorriu de volta e veio me dar um abraço. Por que eu sentia que já nos conhecíamos?

Não perdi tempo: antes de começamos aquela dança da sedução do primeiro encontro, disse que já tinha data marcada para ir embora. Expliquei meus motivos e vi a cada palavra que eu falava, o sorriso sumir de seus lábios e o brilho ir embora de seus olhos.

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“Eu te entendo, espero que seja feliz, mas não posso dizer que estou contente com a notícia”, ele me disse. Eu me sentia do mesmo modo. Uma parte de mim sabia que eu precisava partir, enquanto a outra, queria ficar ali, conhecê-lo melhor e deixar as coisas acontecerem entre a gente.

“Acredito que tudo acontece por um motivo e vamos poder nos encontrar de novo se estivermos predestinados a isso. Hoje começo uma história com você, mas não vou colocar um ponto final nela. A minha partida será uma vírgula na nossa história”, eu disse.

Vi nesse momento o sorriso e o brilho voltarem. Senti o toque de sua mão na minha pele e percebi que estava próximo quando sua respiração tocou meu rosto. Assim, ele me beijou.

Foi um lindo começo de história, sem data para acabar.

Historias inacabadas

Odeio comecar historias e ser obrigado a deixar de escreve-las antes do previsto.

Nao estou falando de historias de filme, de conto de fadas, de novela da Globo ou de amizade. Estou falando de historias de amor.

Digo isso porque, eu, quando conheco alguem, comeco uma historia e gosto de imaginar o que vem pela frente, gosto de brincar mentalmente com os personagens (eu e ele), gosto de inventar dialogos, gosto de repassar frases bonitas, gosto de reviver as cenas 2, 3, 4 vezes e principalmente, gosto de vive-la.

Odeio quando o outro protagonista pula fora do meu roteiro. Sem mais nem menos. Sem me dar explicacoes. Sem nem ao menos se dar o trabalho de tentar descobrir tudo o que tenho reservado pra gente nos proximos capitulos.

È como voce deixar de acompanhar uma serie so porque o primeiro episodio nao foi tao legal assim. Por que as pessoas fazem isso? Sera que esperam spolier da vida amorosa tambem?

Por que? Por que?

E ai ele me diz: nao pergunte tanto por que, apenas aceite.

E assim, ele pulou fora da nossa historia sem saber o que o esperava.

O escoces que nao usava kilt

O conheci atraves do PlanetRomeo, logo nas minhas primeiras semanas na Irlanda, mas nunca deu certo de nao encontrarmos. O papo era sempre leve e interessante, mas nao sei porque, perdemos contato durante os ultimos meses. Algumas semanas atras, eu estava sozinho na casa de uns amigos (pois iria viajar no outro dia) e pouco antes de dormir, resolvi abrir o Grindr pra ver a qualidade da vizinhanca.

E ele estava la. Nao so estava la, como tinha te mandado uma “hi, cute”. Conversamos e rapidamente ele se lembrou de mim. Disse a ele que estava sozinho na casa dos meus amigos e ele perguntou se eu gostaria de cia. Passei o endereco e em meia hora, o escoces estava la. Sem kilt. #chatiadu

kilt

Botamos o papo em dia e eu fiquei extremamente surpreso com a altura dele (bem pertinho dos 2mt) e com sua beleza. Cabelo escuro, barva quase ruiva, olhos verde-agua e um belo sorriso.

Ficamos if you know what I mean e foi muito bom. Teve ate um momento engracado quando um dos amigos resolveu voltar mais cedo da balada e chegou acendendo todas as luzes. Adrenalina a mil – o que deixou as coisas mais legais!

Depois acabou, ele foi embora e eu me senti vazio.