Arquivo mensal: agosto 2013

A idiotice é vital para a felicidade

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?

Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!

Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

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É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… A realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem e que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou simplesmente sorrir…

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche”

Autor desconhecido

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O vizinho

Ele foi o único que eu não conheci através do Grindr, já que ele é meu vizinho e está sempre passando por mim. A primeira vez que nos vimos, eu estava lendo sentado na esquina e ele passou com seu cachorro e me “secou” da cabeça aos pés. Percebi que meu vizinho era do time ali.

Acabamos nos vendo outras vezes, um dia acabamos nos acenando e enfim, acabamos conversando. Trocamos whatsapp e combinamos de sair pra tomar um pint.

Fomos em um pub super legal aqui na cidade e nos divertimos muito. Ele é um palhaço e faz qualquer um rir, então isso não foi difícil. Em outro dia, sai com ele e mais duas amigas dele, que acabaram se tornando minhas amigas também e tive uma das noites mais legais ever.

E assim, ganhei mais um amigo. Sem pressão, sem Grindr, sem papo hot, sem fotos, sem nada. Apenas amizade. Em pouco tempo, já me sentia confortável pra conversar várias coisas com ele, vários assuntos e por aí vai. Até que um dia, chegou o dia do seu aniversário (no mesmo final de semana do aniversário do hipster) e eu fui.

Cheguei e sentei na mesa das meninas que eu já conhecia, que me trataram super bem e fizeram eu me sentir em casa. Os outros amigos dele fizeram eu me sentir um peixe no aquário. As pessoas que percebiam que eu era diferente e vinham conversar comigo, quando me ouviam dizer quem eu era, tinham reações do tipo:

– ahh, você é O VOCÊ!
– já ouvi muito de você.
– até que enfim te conheci.
– ah que legal que você veio.

Nesse momento eu percebi que esse amigo também estava com uma impressão errada sobre a nossa amizade. Uma das meninas percebeu a minha estranheza e disse “não liga não, vai passar, é que é muita novidade”.

Sem dúvida a hora mais estranha foi quando a mãe dele meio me cumprimentar e me chamou pelo meu nome e me deu uma espécie de abraço de boas-vindas, algo muito estranho para os irlandeses.

Deixei a festa alguns minutos depois alegando que precisava falar com a minha mãe.

Não restou nada mais

É tão difícil voltar e ver que não restou nada mais. As folhas caem com o vento e tentamos dizer que nada mudou e que nunca irá mudar, mesmo sabendo que ainda dói tanto lembrar que já não são mais os mesmos dias e que já perdemos o brilho em nossos olhos.

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Fica mais um pouco só até a chuva passar. Diz que vai voltar pra casa quando tudo acalmar. Sei que ninguém tem culpa e que já não há como cicatrizar o que o tempo feriu demais.

“Pra Sempre” sempre soou tão suave até sentir que não. Agora são só lembranças de dias em que tudo parecia tão certo até você partir pra não voltar…

O teenager boy

A história de hoje tem uma pitada de arrependimento da minha parte, já que eu deveria não ter me envolvido com esse garoto.

Assim como com os outros, o conheci pelo Grindr. Nos encontramos em um parque perto de casa, conversamos muito e então, começou a chover. Como eu morava perto do parque, o convidei pra vir pra casa. Até então, eu não tinha nada em mente, mas acabou rolando alguns beijos e um ou outro amasso mais forte. Não fizemos sexo, mas ficamos bem a vontade, if you know what I mean.

Depois desse dia, mantivemos contato pelo Facebook e pelo whatsapp e combinamos de nos ver novamente. Eu já sabia que não queria nada com ele, mas a gente tinha começado errado. Novamente ele veio em casa e a proposta era vermos um filme, o que realmente fizemos. Ele tentou me beijar e acabei cedendo na primeira vez, na segunda desviei, na terceira fiz caretinhas e ele não tentou a quarta.

Ele foi pra casa e eu fiquei aqui, pensando. Eu havia gostado muito dele, muito, muito, mas não a ponto de querer ter algo a mais. Acho que a minha carência me tomou e a gente ficou, mas tudo que eu queria dele era amizade, por eu sabia que nós poderíamos ser bons amigos.

O chamei no whatsapp e joguei limpo, pedi desculpas por tê-lo envolvido e disse que tudo que eu queria era amizade. Ele disse que estava decepcionado, mas que também tinha gostado muito de mim e que gostaria sim de ser meu amigo.

Foi a melhor decisão, já que ele se tornou meu melhor amigo na cidade.

Eu achei que ele de fato tinha entendido, mas eu estava errado. Dias atrás, nós saímos pra um festival na cidade e ele, já meio bêbado, me disse: “todos os seus amigos querem levar você pra cama, né? Inclusive eu”.

Fiquei meio sem reação, fingi que não ouvi e segui a minha vida. De todos, ele é o que eu mais me importo, por que foi com quem eu cheguei mais perto do sentimento de “melhor amigo”.

Eu disse no começo que me arrependo de ter me envolvido com ele por isso, ele se envolveu e eu não. Eu quero ser amigo e eu não sei se ele quer ser meu amigo também ou se ele esta sendo meu amigo na esperança de ser algo a mais.

Arrisque-se!

Arriscar-se é viver.

Rir é arriscar-se a parecer louco. Chorar é arriscar-se a parecer sentimental. Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver. Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor seu eu verdadeiro. Amar é arriscar-se a não ser amado. Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder. Viver é arriscar-se a morrer. Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção. Tentar é arriscar-se a falhar.

goldfish jumping out of the water

 

Mas é preciso correr riscos. Porque o maior azar da vida é não arriscar nada. Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são. Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza. Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver.

Acorrentadas às suas atitudes, são escravas; Abrem mão de sua liberdade. Só a pessoa que se arrisca é livre…

Arriscar-se é perder os pés por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida.

O hispter blogayro

Cada um de nós (autores do blog) leva a sua vida de um jeito e traz pro blog aquilo que acha que deve. Sem cobranças e sem neuras. Eu gosto de compartilhar as coisas que de fato estão acontecendo comigo. É tipo um espelho dos meus relacionamentos e ultimamente, desde que conheci o “Garoto Across Atlântico” (por quem eu ainda estou apaixonado) as coisas não estão muito boas e é por isso que estou sumido. Teve o caso do escocês, mas isso foi um caso isolado que não vale para a pesquisa científico-social-sem-fundamentos a que esse blog se propõe.

Pois bem, minha vida do outro lado do Atlântico, emocionalmente falando, não poderia estar mais parada. Mudei de cidade e agora moro em uma com população total que beira os 30 mil, ou seja, com uma comunidade gay de 50? 30? Não sei ao certo.

Conheci alguns garotos e é deles que quero falar nesses próximos posts. Não me julguem, a única forma de conhecê-los foi através do Grindr, já que aqui não tem “lugares gays”. Editei meu perfil e deixei BEM CLARO que eu estava procurando amigos, pois era novo na cidade.

Ao que tudo indica, eles entenderam.

O conheci em um dia típico, chuvoso e frio e fomos tomar um café. Percebemos que tínhamos MUITAS coisas em comum e naquele momento eu soube: ganhei um amigo. Não tive em momento nenhum um pingo de atração por ele e ainda mais com todas essas coisas em comum, era amizade.

hipster

Acabamos saindo mais algumas outras vezes e a cada café, a amizade crescia e a atração (que já não existia, não aparecia). Parece que para ambos o sininho “amizade” havia batido. Um dia, do nada, ele me mandou um sms perguntando se eu não gostaria de fazer um “sexo sem compromisso” as vezes. Eu respondi educadamente que não, por que eu não sei separar sexo de sentimentos (quando diz respeito a amigos) e seria muito estranho ter algo assim como ele.

Alguns dias depois, ele me convidou para um festa na casa dele, o seu aniversário. Eu fui, levei um cartão super bonitinho, encontrei algumas pessoas que eu conhecia, conheci tantas outras, fiquei bêbado e como eles dizem aqui, I had the craic!

Nesse dia da festa, eu conheci um rapaz interessante, amigo do hipster. Acabamos ficando e como eu estava muito bêbado, acabamos dormindo juntos.

Ai que começaram os problemas.

O hipster ficou extremamente chateado comigo e veio tirar satisfação pelo Facebook. Disse ainda que no dia da festa, já que eu havia dito que não gostava de fazer sexo sem sentimento, ele estava disposto a me pedir em NAMORO e estava procurando formas de me abordar, mas eu fodi comtudo ficando com UM AMIGO DELE no ANIVERSÁRIO DELE.

Awkard, não?

Conversamos, pedi mil desculpas e me senti muito mal. Mas tudo bem, as coisas vão ficar melhores entre a gente.

Dia atrás, o hipster, que também tem um blog, postou um novo texto cujo tema era “Como quebrar o coração de um garoto”. O texto falava basicamente de 4 casos que ele teve recentemente que quebraram o coração dele e um deles sou eu.

Nesse texto ele diz que eu ensinei uma lição a ele: de o que as pessoas dizem e o que elas fazem é muito diferente e que eu, assim como todos os outros, também sou um “asshole” (não consigo traduzir isso muito bem pro português). Nesse texto, tinha um link para um outro texto (também sobre mim e que eu ainda não tinha lido).

No outro texto, além de me descrever de um jeito que ninguém nunca me descreveu antes (olhos de tubarão, altura e peso perfeitos, cabelos rebeldes que ficam lindo até quando ele passa a mão, estiloso e com roupas tão bem ajustadas que ficariam perfeitas no chão do meu quarto e com um sorriso muito lindo), ele diz que desde o primeiro dia soube que seríamos só amigos, assim como eu soube.

E minha pergunta é: porque mudou de opinião e queria me pedir em namoro?

Nunca saberei, já que agora eu sou um asshole.

Afinidade

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. Afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, o mais delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto onde foi interrompido.

Ter afinidade é muito raro. Mas, quando existe não precisa de códigos verbais pra se manifestar. Existe antes do conhecimento, irradiada durante e permanece depois que as pessoas deixam de estar juntas.

blue contact

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com, não é sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Sentir com, é não ter necessidade de explicar o que esta se sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do falar, ou, quando falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas, quanto nas impossibilidades vividas. Afinidade é retomar a relação do ponto que parou sem lamentar o tempo de separação. Por que tempo de separação nunca existiu, foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida.

Artur da Távola