Arquivo mensal: outubro 2013

Amor é incompreensão

Como é possível reconhecer um amor sincero e duradouro de uma paixão que logo, logo se esvai?

Por Diana Corso

Quando se ama, o pior inimigo não é, como dizem por aí, o costume. Ele pode ser traduzido em intimidade, à guisa do elogio. A rotina pode ser deliciosa, porto seguro da alma, lugar onde ancorar a salvo do medo. A mesmice do outro não é chatice, é repouso.

A duração de um amor não esbarra nisso, é a idealização das escolhas que a abala. Somos tolos como insetos em volta da lâmpada. Ficamos trocando de parceiro, renovando a expectativa de algo maior, relançando as apostas num encontro absoluto. Balela. Amar é combater o desencontro a cada dia. Escute Clarice Lispector: “Pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente”.

O convívio não destrói o mistério, pelo contrário. Viver uma vida toda ao lado de alguém é resignar-se a não decifrá-lo. Não nos saciaremos um no outro. Ele nunca chegará a nos pertencer definitivamente. Um rio separa os amantes, travessias são possíveis, mas as margens não fundirão.

Gulosos, consideramos que a felicidade seria fazer-se um: queremos mais do que encaixe, o objetivo é zerar a distância, virar uma só laranja. Nesse caso, melhor casar com o espelho ou seguir em busca desse par perfeito, pulando de promessa em promessa, procurando no amor o tesouro escondido da felicidade.

O problema é que o Amor e a Felicidade sofrem da mesma sina. São inflacionados, acima de tudo incompreendidos e costumam não ser reconhecidos quando estão presentes em nossas vidas. Por natureza, eles são discretos, deixam-se estar, dispostos a um bom papo, uma tacinha de vinho. Mas em geral são ignorados. Depois de um tempo, partem incógnitos. Os que não souberam reconhecê-los sequem têm motivo para lamentar por isso. A ignorância os protege.

Já a Paixão e a Euforia nunca passam despercebidas. Causam furor quando chegam. São barulhentas, jogam confetes em si mesmas e somem sem que se saiba quando foi que a Ressaca tomou seu lugar.

Os amantes ingênuos são mais afeitos ao estilo destas últimas. Como num parque de diversões eterno, ficam em longas filas, na chatice da espera, para viver instantes de vertigem. Prefiro gastar meu prazo tomando um vinho com a Intimidade. Essa é mais próxima da Felicidade. Acho que nunca terminarei de comemorar a permanência do amor como um presente que recebo a cada dia. Um pacote de presente que nunca abro.

O mistério de seu conteúdo faz parte da felicidade de tê-lo em mãos.

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Meu menino

Meio ano. 6 meses. 182 dias. 4368 horas. 262.080 minutos.

Quando ele desceu da moto, tirou o capacete e veio ao meu encontro sem jeito, eu senti que ele podia ser o cara. Já tinha esse sentimento quando pela primeira vez perguntou se podia me chamar de “seu menino”.

Mas o seu sorriso e sua risada me conquistaram no momento em que demos o primeiro beijo dentro do carro. Foi desajeitado, como todo primeiro beijo é, mas consegui ouvir os sinos tocarem.

“Por que não me manda uma mensagem?”, pensei algumas horas depois do nosso encontro. Do outro lado, ele questionava o mesmo. E foi assim, de modo leve, que nosso relacionamento começou.

Planos eram feitos e a intensidade foi tomando conta mas de um jeito tão gostoso que não assustava. Foi bonito perceber que o sentimento crescia de forma equalizada entre nós dois.

F

E como num piscar de olhos, seis meses. Parece que foi ontem que começamos a namorar. Mas sinto que já o conheço há mais de uma vida.

Meu namorado, meu companheiro, meu melhor amigo. O que seria dessas fases turbulentas que atravessei sem ele? Sou do tipo que gosta de estar nos ares, cruzando os céus e voando cada vez mais alto, mas é muito bom saber que no final do dia, tenho um porto seguro, um alguém pra quem voltar.

Hoje só posso agradecer por ele ter me escolhido e me fazer o cara mais feliz desse mundo! Nosso relacionamento tem esse quê de agridoce e é nesse sentido, de sermos capazes de aprender com nossos erros e com isso crescer, amadurecer e nos fortalecer cada vez mais que sei que ele é o cara certo pra mim.

Obrigado por ser tudo isso pra mim. Obrigado pelos seis melhores meses. Obrigado por ser o meu amor.

Onde está o amor?

Você está sozinho…Em frente à TV, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha…Triiiiiiiiiiiimmm! É sua mãe… Quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada.

Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase “galinha”, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido, desconfiado, cheio de olheiras…E o amor dá meia-volta, volver…

Por que o amor nunca chega na hora certa ? Agora, por exemplo… que você está de banho tomado, com camisa e jeans? Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana? Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz? Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi à praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida.

O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa. O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro.

Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito! A primeira lição está dada: “o amor é onipresente”. Agora, a segunda: “… mas é imprevisível”.

Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde… depois de uma discussão por você ter gostado do filme, e ela não…. e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovada no teste de baliza…

Idealizar é sofrer ! Amar é surpreender ! Amem sempre, pois (não é mera pieguice) tudo passa, no fim, só o Amor permanece!

A minha loucura pode estar em baixo da cama ou em cima do telhado… e eu aqui, sentado calmamente nesta poltrona escrevendo esta crônica…

Autor desconhecido

Mudei meu modo de ver algumas coisas

Mudei meu modo de ver algumas coisas.

Finalmente aprendi que a vida de cada um é livre de vínculos, dependências ou coisas do tipo.

Sempre amei e fiz tudo em minha vida com total entrega e intensidade, não parei para pensar que essa entrega e intensidade poderia ser somente de minha parte, afinal sou assim.

Sempre tive certeza que ocupava o primeiro lugar na vida das pessoas que EU pus em primeiro na minha.

Não funciona assim e aprendi.
A vida de cada um é independente. Sentimentos, palavras e ações são o que definem a personalidade de cada um.

Dói ainda, mas aprendi que não posso obrigar ninguém a sentir o mesmo que eu, me colocar em primeiro lugar porque EU fiz isso pela pessoa, nem fazer o que espero que faça.

A vida é assim, tombos seguidos de aprendizados.
Quem sabe um dia eu descubra que acertei em alguma coisa sem precisar cair para aprender?

O brilho no olhar que temos ao nascer tem prazo de validade de qualquer maneira.