Arquivo do autor:The Serious

O amor? Acabou.

Trilha:

 

Ah… se soubéssemos lá no começo como isso ia acabar, talvez tivéssemos agido diferente. Talvez tivéssemos sorrido mais, beijado mais, feito mais sexo. Talvez teríamos sido mais amigos, companheiros. Talvez tivéssemos nos sufocado de tanto amor.

Eu era o amor da vida dele. E, do jeito que veio, se foi. Ponto. Acabou.

Como viver agora sem seu beijo de boa noite? Como acordar no meio da noite e não ter seu cheiro, sua respiração, pra me acalmar? Como olhar o celular de um em um minuto só pra ver se tem alguma mensagem nova sua, com qualquer coisa, que me faça sorrir?

Acordo em um dia e me sinto bem, como se já houvesse superado tudo. No minuto seguinte, vem aquela angústia, aquele nó na garganta e a vontade de falar com você.

Vontade de te ligar e dizer: “esquece tudo isso, volta pra mim, eu te quero, eu te amo”. Mas isso não vai acontecer.

Dizem que amor não se implora. Amor se dá sem esperar nada em troca, pelo simples fato de que é um multiplicador e no nosso caso, já estávamos nos dividindo.

O tempo hoje é meu maior aliado e meu maior inimigo. Já podemos pular para a parte que me sinto bem comigo mesmo, sem precisar de alguém? “Não”, responde o tempo. E eu me encolho mais no meu casulo particular, onde todas as lembranças me esmagam de forma assustadoramente eficaz.

E assim fico, encolhido na escuridão de meu próprio ser, na espera que a tempestade acabe e o Sol volte a brilhar.

Alguém que eu costumava conhecer

Trilha:

 

O amor vem das formas mais inesperadas.

Você tá lá, tomando um bom vinho e rolando sua timeline do facebook, quando alguém te adiciona. De onde veio? Como me achou?

Não importa. O sorriso já cativa. O papo, surpreendentemente, flui. Um café, um jantar, um cinema.

Nosso prato preferido é o mesmo! Também gosto de tal seriado. Essa música também significa muito pra mim. Agora, ela significa pra nós.

O namoro era evidente. Fazíamos um casal tão lindo! Como sou sortudo, aos 20 e poucos anos, achar alguém que pensa como eu, alguém que eu posso considerar em dizer um “eu te amo”, alguém que eu posso ter pra sempre.

Vamos enfrentar o mundo juntos! Nosso amor vale mais do que qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer desafio. Vamos superar tudo, porque temos um ao outro.

Não temos mais. Eu, que pensava tanto no presente e aprendi a pensar no futuro, estava sendo deixado no passado.

E tudo que abri mão? E tudo que enfrentei? E as decisões que tomei? Nada mais importa. Já foi. Acabou.

Ele, que podia ser tudo pra mim, ficava insistindo em não ser nada.

Por mim tudo bem. Foi apenas alguém que eu costumava conhecer.

Amor é incompreensão

Como é possível reconhecer um amor sincero e duradouro de uma paixão que logo, logo se esvai?

Por Diana Corso

Quando se ama, o pior inimigo não é, como dizem por aí, o costume. Ele pode ser traduzido em intimidade, à guisa do elogio. A rotina pode ser deliciosa, porto seguro da alma, lugar onde ancorar a salvo do medo. A mesmice do outro não é chatice, é repouso.

A duração de um amor não esbarra nisso, é a idealização das escolhas que a abala. Somos tolos como insetos em volta da lâmpada. Ficamos trocando de parceiro, renovando a expectativa de algo maior, relançando as apostas num encontro absoluto. Balela. Amar é combater o desencontro a cada dia. Escute Clarice Lispector: “Pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente”.

O convívio não destrói o mistério, pelo contrário. Viver uma vida toda ao lado de alguém é resignar-se a não decifrá-lo. Não nos saciaremos um no outro. Ele nunca chegará a nos pertencer definitivamente. Um rio separa os amantes, travessias são possíveis, mas as margens não fundirão.

Gulosos, consideramos que a felicidade seria fazer-se um: queremos mais do que encaixe, o objetivo é zerar a distância, virar uma só laranja. Nesse caso, melhor casar com o espelho ou seguir em busca desse par perfeito, pulando de promessa em promessa, procurando no amor o tesouro escondido da felicidade.

O problema é que o Amor e a Felicidade sofrem da mesma sina. São inflacionados, acima de tudo incompreendidos e costumam não ser reconhecidos quando estão presentes em nossas vidas. Por natureza, eles são discretos, deixam-se estar, dispostos a um bom papo, uma tacinha de vinho. Mas em geral são ignorados. Depois de um tempo, partem incógnitos. Os que não souberam reconhecê-los sequem têm motivo para lamentar por isso. A ignorância os protege.

Já a Paixão e a Euforia nunca passam despercebidas. Causam furor quando chegam. São barulhentas, jogam confetes em si mesmas e somem sem que se saiba quando foi que a Ressaca tomou seu lugar.

Os amantes ingênuos são mais afeitos ao estilo destas últimas. Como num parque de diversões eterno, ficam em longas filas, na chatice da espera, para viver instantes de vertigem. Prefiro gastar meu prazo tomando um vinho com a Intimidade. Essa é mais próxima da Felicidade. Acho que nunca terminarei de comemorar a permanência do amor como um presente que recebo a cada dia. Um pacote de presente que nunca abro.

O mistério de seu conteúdo faz parte da felicidade de tê-lo em mãos.

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Meu menino

Meio ano. 6 meses. 182 dias. 4368 horas. 262.080 minutos.

Quando ele desceu da moto, tirou o capacete e veio ao meu encontro sem jeito, eu senti que ele podia ser o cara. Já tinha esse sentimento quando pela primeira vez perguntou se podia me chamar de “seu menino”.

Mas o seu sorriso e sua risada me conquistaram no momento em que demos o primeiro beijo dentro do carro. Foi desajeitado, como todo primeiro beijo é, mas consegui ouvir os sinos tocarem.

“Por que não me manda uma mensagem?”, pensei algumas horas depois do nosso encontro. Do outro lado, ele questionava o mesmo. E foi assim, de modo leve, que nosso relacionamento começou.

Planos eram feitos e a intensidade foi tomando conta mas de um jeito tão gostoso que não assustava. Foi bonito perceber que o sentimento crescia de forma equalizada entre nós dois.

F

E como num piscar de olhos, seis meses. Parece que foi ontem que começamos a namorar. Mas sinto que já o conheço há mais de uma vida.

Meu namorado, meu companheiro, meu melhor amigo. O que seria dessas fases turbulentas que atravessei sem ele? Sou do tipo que gosta de estar nos ares, cruzando os céus e voando cada vez mais alto, mas é muito bom saber que no final do dia, tenho um porto seguro, um alguém pra quem voltar.

Hoje só posso agradecer por ele ter me escolhido e me fazer o cara mais feliz desse mundo! Nosso relacionamento tem esse quê de agridoce e é nesse sentido, de sermos capazes de aprender com nossos erros e com isso crescer, amadurecer e nos fortalecer cada vez mais que sei que ele é o cara certo pra mim.

Obrigado por ser tudo isso pra mim. Obrigado pelos seis melhores meses. Obrigado por ser o meu amor.

Onde está o amor?

Você está sozinho…Em frente à TV, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha…Triiiiiiiiiiiimmm! É sua mãe… Quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada.

Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase “galinha”, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido, desconfiado, cheio de olheiras…E o amor dá meia-volta, volver…

Por que o amor nunca chega na hora certa ? Agora, por exemplo… que você está de banho tomado, com camisa e jeans? Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana? Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz? Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi à praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida.

O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa. O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro.

Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito! A primeira lição está dada: “o amor é onipresente”. Agora, a segunda: “… mas é imprevisível”.

Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde… depois de uma discussão por você ter gostado do filme, e ela não…. e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovada no teste de baliza…

Idealizar é sofrer ! Amar é surpreender ! Amem sempre, pois (não é mera pieguice) tudo passa, no fim, só o Amor permanece!

A minha loucura pode estar em baixo da cama ou em cima do telhado… e eu aqui, sentado calmamente nesta poltrona escrevendo esta crônica…

Autor desconhecido

Mudei meu modo de ver algumas coisas

Mudei meu modo de ver algumas coisas.

Finalmente aprendi que a vida de cada um é livre de vínculos, dependências ou coisas do tipo.

Sempre amei e fiz tudo em minha vida com total entrega e intensidade, não parei para pensar que essa entrega e intensidade poderia ser somente de minha parte, afinal sou assim.

Sempre tive certeza que ocupava o primeiro lugar na vida das pessoas que EU pus em primeiro na minha.

Não funciona assim e aprendi.
A vida de cada um é independente. Sentimentos, palavras e ações são o que definem a personalidade de cada um.

Dói ainda, mas aprendi que não posso obrigar ninguém a sentir o mesmo que eu, me colocar em primeiro lugar porque EU fiz isso pela pessoa, nem fazer o que espero que faça.

A vida é assim, tombos seguidos de aprendizados.
Quem sabe um dia eu descubra que acertei em alguma coisa sem precisar cair para aprender?

O brilho no olhar que temos ao nascer tem prazo de validade de qualquer maneira.

Felicidade realista

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor… Não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveita-lo, gasta-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando.

É necessário apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.

Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontra-la e deixa-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não é felicidade.

Viva mais e se cobre menos.

Autor desconhecido

Encerrando ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistimos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que sentem-se culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração , e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o está apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal.” Antes de começar um capitulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Fases do fim de relacionamento

Terminar um relacionamento é um saco. Vou repetir isso uma porção de vezes até me conformar ou descobrir o motivo pelo qual as pessoas têm que passar por isso. Mas, tirando do que já vi e já vivi, dá pra ver que todo final, todo luto, passa por algumas fases. Elas não acontecem necessariamente em uma ordem, e podem acontecer todas juntas. Às vezes leva-se anos para passar por todas ( ou pelo menos a maioria delas ). Às vezes leva-se alguns poucos dias. Não importa, de todo jeito… Tudo isso é um saco. Saco.

1 – CHOQUE ( Ou, “Hã?” )

  • É quando acontece. Ponto final, acabou. Não deu tempo de perceber nem pensar em nada ainda, só se percebe a realidade. Dessa vez, foi. Caiu no chão, quebrou, já era. Não importa quem entrou com o pé e quem entrou com a bunda. Tão pouco importa o motivo ( desamor, traição, tédio, medo, ciúme, atormentações em geral, você descobrir que o cara é um chato, etc, etc, etc ). Você não reage, não respira, não entende, não consegue pensar. É como se a vida se suspendesse por um momento, fazendo você se debater no ar sem conseguir pisar no chão. É um saco. Mas passa logo.

2 – DOR ( Ou, “Vou morrer disso” )

  • As horas passam aos pouquinhos. Os dias vão vindo. E você se dá conta que não é mesmo só mais uma briga. Acabou. Sua vida vai seguir e aquela pessoa não vai mais estar por perto. E aí começa a doer. Às vezes, dói no dedinho mindinho do pé; outras, dói o corpo todo. A cabeça, o peito, o coração. Você fica gripada, não quer dormir, não quer comer, só chora e fica ouvindo músicas que falam de amores perdidos. As pessoas se preocupam com você, mas nada te consola e nem te anima. Você tem certeza que nunca vai superar aquilo. Mas, sendo uma pessoa normal, você vai superar. Só que até lá… É um saco.

3 – RAIVA ( Ou, “Que vá queimar no mármore do inferno”)

  • Aqui, você começa a ter raiva, ódio, nojo do indivíduo. Se pergunta dia e noite como você pode ter se apaixonado por tão chato, tão nojento, tão feio, tão sórdido, tão cafajeste, tão… Tão repugnante ser. É a hora de pegar um saco de lixo e fazer uma limpeza – rasgar fotos e cartas, mandar devolver presentes. Você joga pragas, diz pra todo mundo que não quer ver nem pintado de ouro, deseja todo o mal pra ele. E se tiver uma nova moça no meio… Coitada. Ela também será atingida pelo poder das suas energias negativas. Você jura que odeia essa pessoa do fundo do coração. Mas não odeia não, tolinha. E é um saco perceber isso.

4 – RACIONALIZAÇÃO ( Ou, “Eu nem queria mesmo.” )

  • É a hora de se acalmar. Você procura mantras, textos de apoio, psicólogos, os amigos. Todos dizem o mesmo, que você é linda, maravilhosa, e logo vai achar um outro fofo… Que nada acontece por acaso, que foi melhor assim, etc. E você vai repetindo todas essas frases lindas e fingindo acreditar. Você racionaliza, explica o seu romance todo e as razões e desrazões de tudo ter começado ou acabado. E, durante um tempo, isso funciona muito bem. Você parece pronta pra seguir sua vida sem pensar no indivíduo, desejando pra ele um caminho de luz. Mas só parece. Saco.

5 – VINGANÇA ( Ou, “Ele me paga.” )

  • Aqui, é uma recaída da fase da raiva. Só que agora, você acha que só conseguirá purgar seu ódio se fizer ele te pagar com juros os preciosos momentos que você perdeu com ele. Você traça planos mirabolantes. Procura essas mulheres que fazem feitiços na boca do sapo. Dá telefonemas anônimos pra família e pra namorada nova dele. Faz fofocas. Difama. Arruma um outro só pra passar na frente dele e fazer o maior farol. Dependendo do caso, xinga diretamente, move ações na justiça, tira tudo que pode dele. Mas aos poucos você percebe que isso não adianta nada, que saco.

6 – GALINHAGEM ( Ou, “Estou em outra, quer ver?” )

  • Ora, mas pra que tanto desespero? Existem muitos outros homens por aí. E então você começa a sair. E fica com um. E dá uns beijos em outro. E se atraca com um outro lá. Faz loucuras que nunca fez, chuta o pau da barraca, e não sente a menor culpa. Afinal, você não quer mais se envolver, e diz que está numa fase descolada. Só que em cada boca, em cada abraço, em cada cheiro, é no desgraçado que você pensa, e de repente você vê que só lotou a sua agenda e o seu currículo com um monte de caras que não passam de alguém pra você achar que é um saco no dia seguinte. Ai.

7 – DESPREZO ( Ou, “Nem ligo”)

  • É a hora de fazer força para esquecer. Você entende que essa adrenalina toda não faz bem pra alma e nem pra pele, e decide sossegar. Simples. Só não pensar. Ignora totalmente a existência dele. Nem enxerga mais. Esquece do número de telefone. Arquiva tudo que se escreveram e se deram numa caixa, lacra e coloca no fundo do armário. Pronto. Tudo enterrado. Mas o defunto logo começa a arranhar o caixão querendo sair. E sai. Saco.

8 – VAZIO ( Ou, “…” )

  • Saco.

9 – RECAÍDA ( Ou, “Vai ver que não é bem assim…” )

  • De repente, um telefonema… Um encontro marcado, ou casual… Uma conversa amigável em nome dos bons tempos. E você pensa, “puxa, podemos ser amigos… Por que não?” E então vocês começam a se ligar, a se falar, a se encontrar. E de repente, estão falando do passado, lembrando coisas, rindo juntos. E mais de repente ainda, ele passa a mão no seu cabelo, te olha fundo e te beija. E você pensa, “por que não podemos ficar? Só um pouquinho… Não tem problema.” Mas tem problema sim. O problema é que, depois de uma recaída, o seu saco fica cheio como nunca.

10 – O NOVO NAMORADO ( Ou, “Pra esquecer um amor antigo, só um novo amor.” )

  • É isso que todo mundo diz. Que a dor de amor se cura com outro amor. E você, tolinha… Acredita nessa bobagem e arruma um outro namorado. Pode ser um outro namorado mesmo, oficial, com carteira assinada. Ou outro rapaz por quem você acha que se apaixonou. E com o tempo, você se pega pensando no passado, e fazendo mil comparações. O outro, mesmo longe, parece muito melhor. E então você entende que, mesmo sendo um saco aceitar isso, ninguém substitui ninguém. E que as situações mal resolvidas só podem deixar de ser mal resolvidas de uma maneira: sendo resolvidas. E então manda o novo amor embora de dentro de você tão rápido quando chegou.

11 – SAUDADE ( Ou, “Ai…” )

  • É a hora de encarar que saudade dói. E mesmo sendo um saco… É preciso senti-la, até esgotá-la, mesmo que você se esgote com ela. É quando você deixa de resistir pra curtir essa dor até o fim. E, geralmente é quando caem todas as fichas.

12 – SUPERAÇÃO ( Ou, “Bola pra frente” )

  • O tempo passa, passa, passa. As coisas se acomodam. Aos poucos, você vai deixando a idéia fixa de lado. Começa realmente a ver o lado positivo das coisas. Começa a se desligar. E quando você vê… A pessoa está longe dos olhos e do coração. E vira uma lembrança gostosa de lembrar e reviver. De repente, você pode até virar amiga do fulano. A doença já curou. Passou. Vem aquela vontade de cuidar de você mesma, de ficar só e de sentir aquela solidão que não é triste, apenas necessária pra recomeçar. E o seu saco esvazia, ficando pronto pra começar a encher de novo com o próximo. Afinal, como se diz por aí… A fila tem que andar.

E ainda bem que anda mesmo.

Estamos com fome de amor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão”. Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

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Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada “Nasci pra ser sozinho!”.

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”.

Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabor