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Meu menino

Meio ano. 6 meses. 182 dias. 4368 horas. 262.080 minutos.

Quando ele desceu da moto, tirou o capacete e veio ao meu encontro sem jeito, eu senti que ele podia ser o cara. Já tinha esse sentimento quando pela primeira vez perguntou se podia me chamar de “seu menino”.

Mas o seu sorriso e sua risada me conquistaram no momento em que demos o primeiro beijo dentro do carro. Foi desajeitado, como todo primeiro beijo é, mas consegui ouvir os sinos tocarem.

“Por que não me manda uma mensagem?”, pensei algumas horas depois do nosso encontro. Do outro lado, ele questionava o mesmo. E foi assim, de modo leve, que nosso relacionamento começou.

Planos eram feitos e a intensidade foi tomando conta mas de um jeito tão gostoso que não assustava. Foi bonito perceber que o sentimento crescia de forma equalizada entre nós dois.

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E como num piscar de olhos, seis meses. Parece que foi ontem que começamos a namorar. Mas sinto que já o conheço há mais de uma vida.

Meu namorado, meu companheiro, meu melhor amigo. O que seria dessas fases turbulentas que atravessei sem ele? Sou do tipo que gosta de estar nos ares, cruzando os céus e voando cada vez mais alto, mas é muito bom saber que no final do dia, tenho um porto seguro, um alguém pra quem voltar.

Hoje só posso agradecer por ele ter me escolhido e me fazer o cara mais feliz desse mundo! Nosso relacionamento tem esse quê de agridoce e é nesse sentido, de sermos capazes de aprender com nossos erros e com isso crescer, amadurecer e nos fortalecer cada vez mais que sei que ele é o cara certo pra mim.

Obrigado por ser tudo isso pra mim. Obrigado pelos seis melhores meses. Obrigado por ser o meu amor.

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Recaídas e Certezas

Este último ano tem sido complicado para vir escrever sobre sentimentos, sendo que deles foi o que mais fugi. Me vejo culpando o trabalho, as prioridades, até mesmo os amigos, ou seja tudo que engloba minha vida para não permitir que nenhuma possibilidade surja.

Eu sei o quanto soa triste isso, mas sei também o quanto sofri para ficar assim, total e completamente, perdida. Só para imaginar o grau da situação, até algumas horas atrás eu pensava que talvez, quem sabe, eu poderia ficar com um homem dessa vez, de uma maneira seria, constante, quem sabe pensar em filhos de uma maneira mais ‘normal’.

A quem quero enganar? Só a mim, neh? Como posso cogitar, mesmo que por um segundo, passar o resto da minha vida sem um toque feminino? Não seria eu! Seria uma versão distorcida de uma felicidade utópica e ‘sem’ preconceitos.

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Também,  praticamente, um ano longe de qualquer envolvimento físico/sentimental com alguma mulher, o que mais eu poderia esperar? A carência nos cega, mas faz perceber que não vou conseguir ocupar o espaço que falta no peito com o trabalho ou com os amigos, eu sinto falta de uma mulher que me faça sorrir apenas por me enviar um smile por sms/whats/viber.

Será que chegou a hora de abrir as portas para as oportunidades novamente??? Um ano é tempo demais para colar os pedacinhos e visualizar a peça que sempre faltou. E dessa vez de uma maneira mais madura para não ter menos chances de me enganar com uma peça que não encaixe completamente!

Então assim começo esta minha auto avaliação antes de mais um ano se concluir em meu tempo! E como pedido para meu novo ano: Universo, esta na hora de me ajudar com a peça que falta, sinto falta da felicidade romântica de amar!
😉

O hispter blogayro

Cada um de nós (autores do blog) leva a sua vida de um jeito e traz pro blog aquilo que acha que deve. Sem cobranças e sem neuras. Eu gosto de compartilhar as coisas que de fato estão acontecendo comigo. É tipo um espelho dos meus relacionamentos e ultimamente, desde que conheci o “Garoto Across Atlântico” (por quem eu ainda estou apaixonado) as coisas não estão muito boas e é por isso que estou sumido. Teve o caso do escocês, mas isso foi um caso isolado que não vale para a pesquisa científico-social-sem-fundamentos a que esse blog se propõe.

Pois bem, minha vida do outro lado do Atlântico, emocionalmente falando, não poderia estar mais parada. Mudei de cidade e agora moro em uma com população total que beira os 30 mil, ou seja, com uma comunidade gay de 50? 30? Não sei ao certo.

Conheci alguns garotos e é deles que quero falar nesses próximos posts. Não me julguem, a única forma de conhecê-los foi através do Grindr, já que aqui não tem “lugares gays”. Editei meu perfil e deixei BEM CLARO que eu estava procurando amigos, pois era novo na cidade.

Ao que tudo indica, eles entenderam.

O conheci em um dia típico, chuvoso e frio e fomos tomar um café. Percebemos que tínhamos MUITAS coisas em comum e naquele momento eu soube: ganhei um amigo. Não tive em momento nenhum um pingo de atração por ele e ainda mais com todas essas coisas em comum, era amizade.

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Acabamos saindo mais algumas outras vezes e a cada café, a amizade crescia e a atração (que já não existia, não aparecia). Parece que para ambos o sininho “amizade” havia batido. Um dia, do nada, ele me mandou um sms perguntando se eu não gostaria de fazer um “sexo sem compromisso” as vezes. Eu respondi educadamente que não, por que eu não sei separar sexo de sentimentos (quando diz respeito a amigos) e seria muito estranho ter algo assim como ele.

Alguns dias depois, ele me convidou para um festa na casa dele, o seu aniversário. Eu fui, levei um cartão super bonitinho, encontrei algumas pessoas que eu conhecia, conheci tantas outras, fiquei bêbado e como eles dizem aqui, I had the craic!

Nesse dia da festa, eu conheci um rapaz interessante, amigo do hipster. Acabamos ficando e como eu estava muito bêbado, acabamos dormindo juntos.

Ai que começaram os problemas.

O hipster ficou extremamente chateado comigo e veio tirar satisfação pelo Facebook. Disse ainda que no dia da festa, já que eu havia dito que não gostava de fazer sexo sem sentimento, ele estava disposto a me pedir em NAMORO e estava procurando formas de me abordar, mas eu fodi comtudo ficando com UM AMIGO DELE no ANIVERSÁRIO DELE.

Awkard, não?

Conversamos, pedi mil desculpas e me senti muito mal. Mas tudo bem, as coisas vão ficar melhores entre a gente.

Dia atrás, o hipster, que também tem um blog, postou um novo texto cujo tema era “Como quebrar o coração de um garoto”. O texto falava basicamente de 4 casos que ele teve recentemente que quebraram o coração dele e um deles sou eu.

Nesse texto ele diz que eu ensinei uma lição a ele: de o que as pessoas dizem e o que elas fazem é muito diferente e que eu, assim como todos os outros, também sou um “asshole” (não consigo traduzir isso muito bem pro português). Nesse texto, tinha um link para um outro texto (também sobre mim e que eu ainda não tinha lido).

No outro texto, além de me descrever de um jeito que ninguém nunca me descreveu antes (olhos de tubarão, altura e peso perfeitos, cabelos rebeldes que ficam lindo até quando ele passa a mão, estiloso e com roupas tão bem ajustadas que ficariam perfeitas no chão do meu quarto e com um sorriso muito lindo), ele diz que desde o primeiro dia soube que seríamos só amigos, assim como eu soube.

E minha pergunta é: porque mudou de opinião e queria me pedir em namoro?

Nunca saberei, já que agora eu sou um asshole.

Não era pra ser

A primeira vez que vi a foto no seu perfil, eu sabia que queria te conhecer.

Ao assistir aquele filme, no momento em que tocou Glad You Came, eu soube que eu estava encantado por você. Eu soube que a minha vontade maior de sair do país naquele momento era para ir ao seu encontro. Eu soube.

Eu também sabia que seria complicado: não nos conhecíamos, eu estava chegando em um país novo, você tentando se estabilizar, tudo contra nosso encontro. Doeu ao saber que você namorava. Metade do meu sonho foi transformado na dura e fria realidade: será que eu poderia ter você para mim algum dia?

Deixei passar. Cheguei, não te avisei, não perguntei se poderíamos nos encontrar. Eu sabia o que iria acontecer no momento que eu te visse. Eu sabia.

Mesmo assim, te vi, sem querer, naquele bar. Não tive coragem de chegar perto, mesmo assim, não consegui tirar os olhos de você. No outro dia, a vontade foi mais forte: te falei que havia te visto. Só não te falei da vontade que tive de ir até lá, te roubar pra mim e guardar bem guardado no paraíso que eu havia construído para nós dois.

Ontem, ao chegar de viagem, um convite. Como negar? Como eu poderia negar qualquer coisa que viesse de ti?

Hoje ao te encontrar naquele local, quando veio em minha direção sorrindo, por um segundo senti minha alma deixar o meu corpo: como você podia ser mais do que eu imaginei?

Foi ótimo estar com você. Foi ótimo poder assistir aquele filme contigo. Mas foi maravilhoso quando você apoiou seu braço na minha perna e nossas mãos se encontraram. Eu não queria mais soltar sua mão. Um sorriso despontou de meu rosto.

Continuei com os olhos fixados no filme. Eu estava tentando resistir à você, mas quando você quase apoiou a cabeça no meu ombro e eu senti sua respiração próxima ao meu ouvido, não fui capaz de resistir ao ímpeto de meu corpo: eu precisava te beijar. Eu precisava sentir seus lábios contra os meus. E assim foi. E assim senti você me puxar contra seu corpo, com desejo, ofegando.

Eu também te queria. Te queria tanto! Meu coração disparava a cada movimento de nossos lábios. Minhas mãos percorriam seu corpo, minha respiração entrecortada ecoava pela sala. Eu não queria mais deixar você se afastar. “Cole seus lábios aos meus”, eu pedia em pensamento.

Mas nos afastamos. E outros beijos não vieram. E a realidade deu um tapa no meu rosto.

E naquele momento, eu soube que independente de você ser o cara certo para mim, talvez eu não fosse para você. E doeu. Meu coração suplicou por mais espaço, mas meu peito estava tão apertado que não era possível. Minha garganta secou. Meu pulmão parou. Minhas mãos antes quentes contra as suas, agora pendiam frias ao lado do meu corpo.

Seu sotaque, seu sorriso encantador, o brilho no seu olhar de menino. Seu jeito de me fazer rir. Sua pegada que me fazia ir aos céus e voltar. Tudo o que eu queria era te ter para mim.

Mas não podia ser. Não devia ser. Não era para ser.

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Coisas surpreendentes acontecem quando menos se espera

Um dia, antes do planejado, por motivos que prefiro não citar, decidi voltar ao Brasil. Não foi uma decisão fácil: tudo o que eu havia sonhado e lutado para conseguir não tinha sido do jeito que eu esperava e eu sentia, no fundo da minha alma, que o melhor era respirar fundo e voltar.

O que as pessoas iriam pensar? O que iriam dizer? – Essas perguntas passavam pela minha mente e queimavam meu coração. Você não deve se preocupar com isso, um amigo me disse, se você acha que sua felicidade não está aqui e sente que pode estar lá, vá sem medo.

E eu fui, sem contar para ninguém que estava voltando.

Quando entrei no voo para o Brasil, não sabia o que esperar. Não sabia qual seria meu próximo passo. Eu estava perdido, como poucas vezes estive na vida.

Fui muito bem recebido por todos que me amavam e isso fez com que minha angústia diminuísse, dando lugar ao eco que existia no meu âmago pela falta de um plano. Em um dia, andando de carro por uma estrada com um amigo, abri o vidro e gritei para o Universo: Me traga um namorado!

Meu amigo riu. Eu ri. Seria o Universo capaz de entender ou escutar o meu pedido? Eu queria alguém pra mim. Eu queria me sentir vivo de novo. Eu queria viver por alguém.

Algum tempo depois, quase sem querer, alguém me adicionou no facebook. Eu não estava em um dos meus melhores dias, mas comecei a conversar com aquele cara que, além de bonito, era simpático. Foi um papo rápido, já era tarde, então combinamos de continuar nos falando no outro dia.

Eu gostava do modo que ele falava comigo. No outro dia, ele chegou e me cumprimentou com um “oi, menino”. Eu respondi e disse: “adoro quando você me chama assim”. E eu realmente gostava, pois me sentia assim: um menino, sozinho, à noite no quarto escuro com medo do bicho papão. Tudo o que eu queria era alguém para me proteger.

E ele me respondeu: “E se eu te chamar de meu menino?”.

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Pronto. Eu podia não querer contar pra ninguém, eu podia não querer aceitar nem pra mim, nem assumir, mas eu sabia: eu já era dele.

Nosso primeiro encontro demorou um pouco para acontecer, mas quando o vi e senti seu abraço, seu cheiro, seu beijo, eu tive a certeza de algo que meu coração já dizia: eu queria ele pra mim.

Eu já não me sentia mais perdido. Ele me protegia do mundo. Ele entendia minha língua. Ele desvendava o meu corpo. Ele apoiava os meus sonhos. O que mais eu poderia querer?

Hoje vejo que tenho mesmo que confiar no meu instinto. Se eu não sabia o porque devia voltar para o Brasil, hoje eu sei: era pra te encontrar. Era pra poder viver tudo isso com você.

Era pra ser seu.

O garoto do pub

Ele me ligou meia hora antes do horário combinado para nos encontrarmos para confirmar se eu iria. Dei um sorriso que ele sentiu através do telefone e disse que sim. Em meus pensamentos, eu sabia que tudo o que eu queria era conhecê-lo.

Sabe aquele tipo de gente que te faz sentir bem, bonito, querido? Ele é desses.

Acabei chegando dez minutos atrasado, mas não foi difícil achá-lo: moreno, cabelos pretos curtos, com o olhar de menino preocupado. Fui diretamente em sua direção sorrindo e ao meu ver, ele sorriu de volta e veio me dar um abraço. Por que eu sentia que já nos conhecíamos?

Não perdi tempo: antes de começamos aquela dança da sedução do primeiro encontro, disse que já tinha data marcada para ir embora. Expliquei meus motivos e vi a cada palavra que eu falava, o sorriso sumir de seus lábios e o brilho ir embora de seus olhos.

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“Eu te entendo, espero que seja feliz, mas não posso dizer que estou contente com a notícia”, ele me disse. Eu me sentia do mesmo modo. Uma parte de mim sabia que eu precisava partir, enquanto a outra, queria ficar ali, conhecê-lo melhor e deixar as coisas acontecerem entre a gente.

“Acredito que tudo acontece por um motivo e vamos poder nos encontrar de novo se estivermos predestinados a isso. Hoje começo uma história com você, mas não vou colocar um ponto final nela. A minha partida será uma vírgula na nossa história”, eu disse.

Vi nesse momento o sorriso e o brilho voltarem. Senti o toque de sua mão na minha pele e percebi que estava próximo quando sua respiração tocou meu rosto. Assim, ele me beijou.

Foi um lindo começo de história, sem data para acabar.

A primeira paixão across Atlântico – parte 2

Não leu a parte 1? Clique.

Ficamos o tempo todo entre a sala e a cozinha. Ele preparou um jantar pra gente e me trouxe uns 15 dvds para escolher um para vermos. Nessa semana, havia sido o aniversário dele e eu comprei um presente. Na verdade, era um cartão escrito “Happy Birthday Mr. Perfect” e eu escrevi uma mensagem bobinha, escrevi algumas frases e palavras em inglês/português e coloquei um bilhetinho dentro escrito “if you want, you can change this for a kiss”.

Entreguei. Ele se derreteu todo e ficou lendo por vários minutos as frases em português e me fazendo rir até doer a barriga, mas nem tocou no bilhete. ¬¬

Ele sentou do meu lado, me puxou pra perto, virou meu rosto e me tascou o beijo mais gostoso que eu já dei na vida. Demorado, calmo e muito intenso.

Depois do beijo, rimos, seguramos as mãos e ficamos vendo filme de mãos dadas e um deitado no outro. Uma hora, já depois de vários beijos e muito carinho, eu perguntei a ele se ele havia visto o bilhete, ele disse que sim, mas não leu. Pedi pra ele ler. Ele riu feito bobo e disse “mas já te beijei”. Dai ele veio e trocou mais um, rs.

Deu a hora de eu ir embora e ele me levou até o ponto, me dando um selinho antes de eu entrar no ônibus.

Pela primeira vez na vida eu entendi porque as pessoas não precisam fazer sexo no primeiro encontro.

A primeira paixão across Atlântico

O vi pela primeira vez pelo Grindr e tudo começou com um “Hi” – que partiu dele. Do Grindr, depois de alguns papos hot, partimos para o Whatsapp. Durante quase 2 meses, nossas conversas se resumiam ao Whatsapp. VÁRIAS VEZES ele simplesmente me deixava no vácuo. Sem mais nem menos.

De fato, eu não entendia qual era a dele. Ficava dois dias sem me responder e do nada mandava um “Hi, how are you?”. Eu ficava tentando decifrar, parecia que ele estava me cozinhando, me deixando ali pra quando ele quisesse “comer”.

Depois de um tempo já conversando, descobri o endereço do trabalho dele e resolvi fazer uma surpresa. Apareci lá um dia X, em que ele estava trabalhando e fui dar um “hello” pessoalmente. Quando ele me viu, riu e disse “Are you here?”. Perguntei se ele me reconhecia e ele disse “claro que sim”.

Desde então, tudo mudou. Não fiquei mais no vácuo e vários dias ele mandou um whats antes mesmo de eu mandar. Dias depois, marcamos um date oficial.

Nesse dia, eu achei que sairia do trabalho as 19h e no meu intervalo disse isso a ele. Voltei ao trabalho confiante de que iria vê-lo só lá pelas 21h. Aconteceu que sai as 20h e quando sai, eu tinha 2 ligações, 3 sms e 2 whats no meu celular…dele. Ele havia ido até o meu trabalho para me fazer uma supresa e me pegar na saída. Pedi mil desculpas, mas ri por dentro dele ter feito esse papel, e fui até o centro encontrá-lo. Já que ele estava indo embora pra casa quando eu vi as mensagens e resolveu descer do ônibus e pegar um próximo.

Nesse date, não rolou nada. Apenas jantamos juntos, rimos muito e conversamos a beça. E ele me deu chocolates. Isso porque foi perto da Páscoa e eu havia dito dias antes que estava triste por não poder participar do amigo secreto dos meus amigos. Ele disse que podíamos fazer nós dois, mas nem botei fé. No date, ele está lá…com vários chocolates pra me dar.

Marcamos outro date e de novo, a gente se complicou. Perdi o ônibus e o deixei esperando. Resolvemos que seria melhor ele pegar um ônibus e ir pra casa e eu pegar o mesmo ônibus e descer perto da casa dele. Assim, iríamos para a casa dele.

Cheguei primeiro do que ele e em alguns minutos ele chegou e fomos pra casa dele. Ele foi o ser humano mais fofo que eu já conheci. Cadê o ogro do whats? Dos sms? Sumiu.

Ali do meu lado tinha um cara fofo que tava mais pra gatinho querendo carinho do que leão bravo.

O resto eu conto semana que vem.

No parque

Ao sair do Brasil, descobri que só tinha dois caminhos que eu poderia seguir: ou eu engordava por causa da mudança na alimentação, ou começava a fazer algum tipo de exercício físico. Por alguma razão desconhecida, optei pela segunda.

Para minha sorte, perto de onde eu moro, tem um parque onde é possível fazer os mais diferentes tipos de exercícios físicos, além de ser lindo e convidativo para em uma tarde na primavera/verão, fazer um pic nic à moda antiga.

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Decidi que mesmo em meio ao inverno do hemisfério norte, iria uma vez por dia ao parque, nem que fosse para uma caminhada. Hoje estava sozinho e decidi que seria bom escolher uma boa seleção de músicas – incluindo Adele, que rege minha vida no momento – e ir para o parque.

O frio não me ajudou. Estava 4ºC, ventando muito, sentia como se estivesse congelando aos poucos. Mesmo assim, reuní coragem e fui. Coloquei o fone de ouvido, segui as 3 quadras que me separam do parque e logo estava andando por ele. Distraído, não percebi quando três caras vinham ao meu encontro. Quando chegou perto, um deles disse em português: “que cara bonito!”.

Aqui cabe um adendo: é ótimo estar fora do país. O feitiço normalmente está a favor do feiticeiro, mas as vezes acaba indo contra.

Eu me virei, tirei o fone e disse: “Obrigado”.

Ele ficou estático por alguns momentos. Decidi então quebrar o clima e disse que tudo bem, que também tinha achado ele bonito. Trocamos sorrisos e combinamos de nos ver em um outro dia, mas sem data exata.

Foi gostoso ver isso acontecer naturalmente. Talvez se o mundo fosse um pouco mais aberto, talvez se as pessoas tivessem um pouco mais coragem de arriscar, como nesse caso, seria mais fácil, encontrar um amor.

O garoto do ônibus

Atravessei a ponte do canal e andei em direção ao ponto de ônibus. Era a primeira vez que iria pegar o ônibus sozinho e não sabia exatamente em que ponto teria que descer, mas tudo bem. Qualquer coisa, era só perguntar para que lado o shopping ficava e eu estaria facilmente em casa.

Quando vi, o ônibus já estava no ponto. Não queria perdê-lo: tinha pressa de chegar em casa. Bati na porta e o motorista apontou para a frente e eu vi várias pessoas esperando. Ele tinha parado, mas a entrada ainda não tinha sido autorizada. Respirei aliviado e fui para o ponto.

Ele parou próximo a mim e abriu a porta. Eu facilmente poderia ter entrado primeiro, mas seria injusto com todas aquelas pessoas que chegaram antes de mim. Parei do lado da porta e esperei as pessoas entrarem, olhando para seus rostos cansados depois de um dia de trabalho.

Foi quando eu o vi: no fim da fila, com barba por fazer e com aquele cabelo louro escuro, eu o vi. Fazia tempo que não via alguém com os olhos tão brilhantes. Fiquei alguns segundos admirando tamanha beleza. Ele se ofereceu para ajudar uma mãe com o carrinho de bebê. Achei o gesto muito lindo. Quando percebi, estava encarando o garoto, desviei o olhar e  entrei no ônibus.

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Sentei no fundo, preocupado em ficar do lado em que pudesse ter pontos de referência e saber onde deveria descer. Liguei o player do celular e fiquei conversando com meus amigos pelo whatsapp. Em dado momento, vi que havia vaga na parte da frente do ônibus e fui lá sentar. Ao olhar para o lado, aquele lindo garoto estava do meu lado do outro lado do corredor. Trocamos olhares rápidos. O coração acelerou. Abaixei a cabeça.

Em dado momento com o sol batendo diretamente em mim, tive que me levantar para tirar o sobretudo. Quando olhei para o lado, ele me encarava. Me senti nu. Quanto tempo não me sentia olhado com tanto desejo por alguém? “Besteiras da minha cabeça”, pensei, “Ele não está te olhando desse modo…”.

Ao chegar no ponto do shopping, ele desceu. Quando vi, ele estava parado no ponto, olhando para mim. Eu desviei o olhar algumas vezes, mas queria ter certeza que era pra mim que ele estava olhando. Quando a porta do ônibus se fechou, ele piscou e sorriu. Ele também tinha gostado de mim. Eu sorri de volta.

Ele poderia ser o amor da minha vida, ou talvez, um bom amigo para um café. Na verdade, posso cogitar e supor muitas coisas, mas nunca saberei a verdade, pois naquele momento em que a porta do ônibus se fechou, eu perdi a oportunidade e não pude, tentar.