Arquivo da categoria: The Believer

Calafrios num dia de Sol

Ultimamente, tudo parece mais do mesmo. E pior, é um mesmo que não me agrada.

Talvez agradar não seja o verbo certo que deva usar. A palavra certa é motivar! Eu não me sinto motivado a nada. Um dia eu pareci ter tantas ambições, uma vontade tão louca de atingir meus objetivos. Hoje eu sou só isso, essa casca, tentando me encontrar numa multidão de mais do mesmo. Acordar cada dia e passar pelas mesmas coisas tá tão chatinho.

Mas, dizer que estou tentando me encontrar, significa dizer que me perdi. Eu não me perdi. Não teve uma mudança radical que me fez enxergar nada diferente.

Será que mudei? Por que mudei? Pode ser que, sem querer, eu me fechei. Mas também não sei por que me fechei.

Sempre acreditei na vida como uma oscilação compensativa. Para cada pico positivo, é necessário que haja um tombo, uma queda, um vale negativo. Só que dessa vez tá estranho. Eu não to conseguindo sair do vale. Quer dizer, até estou. Mas a sensação de estar lá embaixo é que não vai embora. E incomoda muito!

Falta alguma coisa para vir e balançar tudo; me tirar da zona de conforto, me fazer esforçar, me fazer conquistar. Talvez assim, e só assim, reacenda aquela vontade louca de ganhar, companheira, que eu deixei escapar.

Disseram-me: “você só está numa fase mais quieta, analisando, de longe. Observar é ganhar alguma maestria sem necessariamente se machucar na prática”. Mas foi por olhar cada machucado e desejar que sarasse que eu tive forças pra prosseguir por cada etapa; por que não funciona da mesma forma agora?

Assim sigo, portanto, observando. E aprendendo que aquele que observa, também sofre. Mas a esse sentimento, só o tempo me dirá ao errante o que está por vir.

É possível reconquistar a confiança?

E ai meus queridões! Espero que estejam bem! Estou passando por uma situação complicada, e quero compartilhar com vocês todos.

“A confiança perdida é difícil de recuperar. Ela não cresce como as unhas.” – Johannes Brahms, compositor alemão. É com essa frase que começo.

Acho que todos já confiamos erroneamente numa pessoa. E essa pessoa, uma hora, nos decepcionou. Estragou a visão linda que tínhamos da nossa relação (seja esta em qualquer nível), destruiu o alicerce da construção que estávamos juntos executando.

E, pelo menos pra mim, não existe reconfiar. Eu consigo perdoar, mas não consigo esquecer. Egoísta? Pensava que não. Eu ia ter medo do sujeito me decepcionar de novo, e ia me segurar. Não ia dividir minhas conquistas, minhas derrotas, ia ficar na defensiva, até mesmo numa conversa boba do dia-a-dia.

Mas ultimamente estou no drama contrário. Há algum tempo atrás eu decepcionei esse amigo. Ele é uma pessoa fantástica, com várias qualidades. Algumas que eu jamais poderei ter. Outras que eu escolhi não ter. Ao meu ver, ele é uma das pessoas que mais respeito.

E tudo porque eu fui infantil! Eu fui egoísta em lidar , do meu jeito, com a situação pela qual passávamos, sem me preocupar com o que ele pensaria e sofreria. Tivemos oportunidade de voltar a conversar há poucas semanas, mas é muito claro o resultado do que fiz: ele não confia mais em mim. E não o culpo! Eu também não confiaria. Pergunto-me até se ele conseguiu me perdoar.

E agora eu paro pra pensar quando alguém tentou se reaproximar de mim, depois de errar. Nunca houve quem conseguiu reconquistar um lugar entre minha lista de amigos depois de quebrar nossa base. Será que fui muito radical?

Porque é só agora, que estou como traidor, que vejo esse dilema todo. Mas belo hipócrita que sou! Pensar o que e quem já passou não vai mudar o passado. O que eu quero agora é reconquistar essa confiança. Mas com isso, não acabo traindo meus conceitos pessoais?

Como já falei anteriormente, ele é alguém muito especial , e independente desse raciocínio todo, espero que fiquemos bem.

Mas fica aí a reflexão. Você conseguiria reconfiar? Já o fez? Já foi “reconfiado”?

Parte final – Obrigado pelo aprendizado, querido.

Bom, chegamos à parte final dessa saga. Quatro posts para uma descoberta já é verbo demais.

Como eu contava, conheci esse menino da faculdade. Rafael. Ele era tudo que eu procurava. Atencioso, carinhoso, beijo perfeito.

Apareceu numa época em que minha vida tava uma bagunça: acabado de sair de um relacionamento, meus amigos reclamavam da minha ausência, meus pais me pressionando por resultados nos vestibulares que vinham por aí.

Por um mês nós ficamos; aos finais de semana, geralmente. Cada conversa, cada abraço, cada momento juntos. Tudo era muito especial para mim. Ele era meu primeiro beijo com um mundo que eu sabia que existia, mas até então não havia experimentado. É até engraçado que lembrar disso agora me deixa levemente saudosista. Não por ele, mas pelo sentimento.

Não satisfeito com arranjar um peguete (e que eu torcia para que virasse um namorado) no meio gay, eu queria alguns amigos. E naquele mesmo perfil fake de Orkut, eu conheci um cara, que conhecia várias pessoas. Chamava Tiago. Hoje eu consigo ver que era só mais um cara x no meio. Mas eu era cru. O papo era legal, e eu confiei fácil.

Contei de como eu gostava do tal Rafael. Até me surpreendi quando ele perguntou “Esse Rafael é um que faz contabilidade?”, “Isso, esse mesmo”, “ah, sei quem é”. Hoje, pela experiência que carrego, sempre alguém conhece alguém e assim vai. Na época achei só coincidência.

Tudo permanecia as mil alegrias. Eu esperava a sms pra saber que ele estava lá. Ficava eufórico quando nos encontrávamos na faculdade (que dividia prédio com minha escola, na época), e não podia fazer nada. Mas o Rafael começava a ficar distante. Eu não entendia o que estava acontecendo. De repente, ele parecia ter sumido. Um mês que foi decaindo até que logo mais chegaria ao final de uma história adolescente.

Mas não partiu do Rafael me informar o que estava acontecendo. E sim do Thiago. Numa conversa, em que eu falava o tanto que esse sentimento era bom, ele foi racional: “Eu tenho que ser sincero. Você é novo e está iludido. O Rafael não quer nada a sério. Ele é super rodadinho na faculdade, todo mundo do meio sabe, até eu já peguei ele. Se ele falou que era só seu, ele  só tá te levando. Não sei como não fizeram sexo ainda”.

“Meu mundo caiu…e me fez ficar assim”. Não vou me estender aqui. Todos sabem como funciona a primeira decepção amorosa. Na verdade, acho que é bem receita de bolo. Já foram alguns os casos (inclusive aqui no blog) em que um cara mais experiente nos “inicia” ao mundo e depois nos larga. Mas eu estava destruído. Só precisava de uma coisa: ouvir isso do Rafael.

Não foi de imediato. Eu precisava estar forte. Eu não queria desabar na frente dele. O ano de 2009, virou, eu fui para a faculdade em outra cidade. E em uma das minhas voltas para casa em 2010 que consegui conversar com o sujeito. Ele basicamente confirmou tudo. Pelo menos me deu o direto à honestidade, posto que foi meu último pedido. Último, até então. A vida dá voltas e no final de 2011 tivemos o famoso remember. Que fica pra outro post, quem sabe.

Assim, queridos, acho que acaba minha descoberta. Da experiência carnal até a sentimental. Desculpem pelo tamanho e pela quantidade. Agradeço infinitamente a paciência. Obrigado pelas críticas e sugestões que recebi, foram de grande valia e vão me ajudar daqui pra frente! Beijos e abraços!

Parte III – Surge o Garoto da Faculdade

Nessa época,16 anos (quase 17), em que eu tinha bons amigos e uma namorada, um desejo latente de sair com um cara e toda a pressão em casa devido aos vestibulares e o desejo dos meus pais (e meu também) de estudar em uma universidade pública, eu não soube levar tudo. Meus amigos reclamavam da minha ausência, minha namorada terminou comigo porque eu não estava sendo bom para ela (e não tem sentimento que consiga resistir à frieza que eu estava proporcionando).

Precisava acertar as coisas, e pra isso, precisava de um escape. Resolvi ceder ao tal desejo e, pelo finado Orkut, com um perfil fake, conheci esse garoto da faculdade da minha cidade. Estudante de contabilidade, 20 anos, olhos claros, ombros largos, barba por fazer, bom papo. Me deixei levar.

Saímos a primeira vez na festa de peão da minha cidade, que é bem tradicional e ocorre todo ano. (Cenário clássico do interior, rs). Ele estava com alguns amigos assistindo ao show (que geralmente é sertanejo). Ele me ligou, pediu que eu fosse, queria me ver, não queria assistir ao show. Estava em casa sem fazer nada, e tratei logo de me arrumar e ir.

Ficamos umas duas horas andando, conversando, mas não passamos disso. Ele não queria arranjar um lugar escondido, tinha medo de alguém ver por causa do tanto de movimento ali. Entendi seu argumento, e dali voltei pra casa. Mas não precisava de mais. Vê-lo ao vivo, saber que ele era real e que ele tinha interesse em mim. E a conversa fluiu tão naturalmente. Eu já estava balançado.

Uma semana depois saímos andar de carro, e finalmente rolou o primeiro beijo. Foi até engraçado, eu queria muito que acontecesse, e ele todo inseguro de alguém ver. (No distrito industrial? Às 11 da noite? Chances mínimas de alguém [e ainda mais conhecido] estar por ali, mas tudo bem )rs.

Aquela pegada forte na nuca, com um carinho especial. Um abraço forte, eu tava protegido ali com ele. Ele não tinha pressa. Se ele queria impressionar, conseguiu. Foi perfeito. Foi incrível. Nenhuma menina tinha conseguido me proporcionar tal sensação. A barba roçando no meu rosto e no meu pescoço, os braços dele me seguravam. Eu não queria sair dali nunca mais. O perfume dele impregnava o carro, e também minhas roupas.

Cheguei em casa, deitei, mas não dormia. Estava eufórico. Ficava repassando a cena. Cheirava minha camiseta e se lembrava do tanto que ele era bonito. Do tanto que eu gostava de conversar com ele. Conclui facilmente que eu gostava dele. A mensagem de boa noite foi o estopim para me deixar nas nuvens uma semana. E assim seguiram-se mais quatro.

Pobre dos ingênuos. Eu era um.

Grande abraço, e até a parte final, meus leitores! ;*

Parte II – E vieram os 16

Era dezembro, transição entre minha sexta série e sétima série, eu tinha 12 anos. Convidados meninos para aniversário da piscina de uma amiga minha que fazia aniversário: eu e ele. Ele era um menino da minha sala chamado Renan que todos diziam ser gay. Achava exagerado o que falavam no menino. Pessoas falam demais e conseguem ser venenosas, e era algo que eu já tinha pra mim desde cedo.

Clássica festa de piscina, sem nada de diferente, até a hora de trocarmos para ir embora.

Entramos juntos no vestiário. Ele veio jogando uma ideia meio boba, algo que hoje talvez fosse um xaveco dos ruins, de que isso era normal, e eu deixei. Ele era um ano mais velho, e seja qual fosse a motivação, ele sabia o que tava falando. Garoto “pra frente”. E foi bom, não vou mentir não. E ele começou a movimentar, e eu gostei. Gostei muito. E eu gozei. Não, não é pra ser um conto erótico, mas aconteceu. Aquela culpa, a velha, adormecida, veio a tona. Só que muito mais forte.

Eu fui embora, mal me despedi e corri pra casa. Era “errado”, como eu podia!! Me fechei no quarto para chorar. “O que eu tinha feito?” Dormi para tentar acordar menos culpado. Mas parei. Sem mais fotos, sem mais pensamentos gays, era o que eu tinha decidido. Evitava o garoto a todo custo na escola. Se, às vezes, eu me masturbava no banho com o velho desejo homo como estímulo, logo me vinha à cabeça a cena no vestiário e eu ficava com a sensação de arrependimento, de culpa.  Quem eu queria enganar, eu era uma criança ainda. Nada disso de transição, de aceitação. Eu não estava pronto pra lidar. Na mesma época meus pais entram numa suposta crise e minha mãe tinha vindo até mim conversar que talvez eles pudessem se separar. Era informação demais pra mim. Me fechei e voltei a Igreja, procurando conforto. Até os meus 16 anos. Não se pode fugir, não é mesmo?

Talvez todo esse fechamento, essa negação pelo sentimento gay me fez gostar do corpo feminino. Não foi assim, rápido, mas um dia estava eu lá, vendo pornô hétero. Me enganando? Dizem que não existem os tais bissexuais, mas não vou discutir isso, por hora. Comecei a ficar com meninas, era bom, eu gostava da companhia, mas percebia que não estava completo. Eu precisava me entender, mas que, fossem quais fossem meus pensamentos, eu não me martirizasse por eles.

Com 15 anos (pouco depois que dei meus primeiros beijos heteros), conseguia não mais pensar em culpa. Entrar no chat UOL e conversar com estranhos mais vividos me fez ter novas opiniões, ver que não tinha nada demais. Que era mais normal do que se imaginava.  Meus pais já não me forçavam ir à Igreja, eu preferia não ir também. Eu não era uma aberração nem nada. Só era um garoto querendo ser feliz. Eu começava a conversar disso com alguns amigos na escola e tudo estava bem. Claro que um ou outro não sabia direito como lidar, mas pelo menos, até então, guardavam o segredo, quando eu pedia.

Aos 16 e no terceiro colegial, namorava uma menina, e, depois de 5 meses, terminamos.  Era a tensão do vestibular me assombrando a ponto de eu estar deixando de ser bom amigo, filho e namorado. Não estou querendo me justificar, também. Errei.

E no meio dessa tensão, no finado Orkut, surge um cara da faculdade daqui da minha cidade. Mais velho (20 anos na época), bom papo, olho azul, costas largas. Me levou fácil, se querem saber. Eu queria que acontecesse, eu estava (re-)explorando um lado da minha sexualidade que eu tinha inibido e estava gostando.

E o que veio daí, fica pro último post da minha trajetória de descoberta!

Abraços e beijos, meus queridos leitores! Opiniões, críticas, sugestões, sempre bem-vindas!

Parte I – É isso que você quer pra sua vida?

“Não”, era minha resposta.

Quando eu era pequeno, seja em desenhos ou filmes que eu assistia, a figura masculina me chamava a atenção. Pra quem se lembra      do Leo, o Power Ranger Vermelho da Galáxia Perdida, já me balançava. Mas não era desejo, era uma admiração. Dos meus amigos da infância, todos eram maiores. Acho que eu gostava da sensação de estar “protegido” andando com eles.Eu tinha essa admiração. O corpo masculino era interessante. Mas eu não me achava gay. Eu não me achava nada. Se estou falando disso hoje, é porque são os olhos de hoje. Não faria essa análise em 2012 com minha cabeça de 2000, nem poderia.

Psicologias à parte, eu me encaixo no perfil de mãe super protetora e pai ausente; talvez fosse algo natural eu buscar essa figura masculina sem necessariamente ser homossexual (leigo falando aqui, Behavioristas de plantão).

De família tradicional católica fervorosa (podia ser pior, não?), ser gay não era bem visto. Lembro-me dos meus primos mais velhos já fazerem piadinhas do assunto.

Pois bem, com 12 anos e esperando os sábados para acessar a velha internet discada, o instinto já se refletia no google images … o mais engraçado era que, além da dificuldade em encontrar na época (tente hoje com o safesearch desativado para você ver a facilidade), eu era educado nas minhas buscas, só faltava pedir “Por favor, google”. Melhorei nas pesquisas com o passar do tempo.Mas sempre pesquisava fotos de homens. O corpo feminino foi começar a ter algum efeito mais tarde, mas falamos disso depois.

A velha Igreja, indo em caminho contrário, me deixava com o sentimento de culpa. No entanto, o prazer que eu conseguia com aquelas fotos não podia deixar de acontecer, eu teria que conviver com a culpa. E a culpa foi ficando adormecida, adormecida, e sumiu.

Se a adolescência já é complicada sendo heterossexual, imagina começá-la sendo gay. E sem meios de nos expressar, somos obrigados a nos fechar e, secretamente,  ponderar crenças, desejos, a nossa realidade, para conseguir viver.

E então,nesse ano, paralelo a tudo isso, começava um boato na minha sala de que um menino era gay. Os meninos, na educação física, ficavam comentando. Achava que era maldade porque o garoto só andava com meninas. Estereótipo inconveniente atacando.

Chega, pois, dezembro. 13 anos, transição entre sexta e sétima série.  Sou convidado pra uma festa na piscina por uma amiga. Convidados meninos: eu e o tal menino.  Mas, o que aconteceu lá, fica pra uma próxima história.

Obrigado pela atenção, e um obrigado especial aos autores pelo convite para colaborar. Espero cumprir às expectativas de todos! Grande abraço galerinha (: