Arquivo da categoria: The Dreamer

Borboletas ;)

Certo dia um grande amigo me surpreendeu com uma mensagem que dizia: “A felicidade é como as borboletas, quanto mais corremos atrás, mais elas fogem. Mas quando menos  esperamos, pousa em nossos ombros…”.

Neste dia eu parei pra pensar nas maneiras como já busquei todas as formas de ser feliz. E foi algo tão confuso para mim, portanto eu fiquei correndo atrás de ser feliz. Agora quando eu menos esperava, tudo mudou mais uma vez em minha vida. Vejo-me empolgado, inspirado, de bem com tudo e todos, cansei das confusões, dos atritos. A vida é tão inconstante, e costuma fazer estas coisas com a gente.

Hoje me pego em sonhos durante a noite e até mesmo acordado, fico lembrando poucos momentos vividos, mas que até agora foram intensos, às vezes não precisamos estar ao lado de quem gostamos e sim apenas sentir esta pessoa próxima a nós, dentro da gente.

Inteligente quem inventou o amor. Existe força maior neste mundo pra movê-lo? Não precisa ser amor de namorado, amor de amigo, amor de mãe, de filho… Toda forma de amor é aceita! Acredito no amor como nunca acreditei antes, ás vezes qualquer tipo de desilusão nos fazer descrentes da mais linda simplicidade. É tão lindo olhar nos olhos e dizer que amamos. É puro, sincero e porque não, mágico?

Afinal é uma “borboleta” assim, que quando menos esperamos e aparece que nos traz felicidade pra vida, algumas pessoas dizem saber serem felizes só, mas como alguém pode se privar de amar e conseguir isso? Afinal você nunca está só, seu coração sempre guardará um espaço pra alguém ou pra uma lembrança de alguém. Não amas a Deus? É uma linda forma de amor. Não amas a teus pais, irmãos e amigos? Quer algo mais sincero?!

Ninguém precisa viver em cárcere de si, apenas sorrir pras borboletas que pousam em seu jardim, no jardim do teu espírito, no canteiro de rosas da sua alma, e pare pra pensar e reparar como elas são belas e como o simples movimento de suas asas que movem muitas vidas ao redor!

Não seja uma abelha, que em muitas vezes rouba o mel e ferroa quem ao menos conhece. Seja uma borboleta, que vai e vem pelo jardim trazendo beleza pra todos que observam.

Abra as suas asas, grite por felicidade.

Anúncios

Cartas e Chocolates – Parte I

E então ele resolveu se desfazer daqueles medos que há tanto tempo o incomodavam. Decidido, saiu naquela noite chuvosa mesmo sabendo que seria um bom motivo pras coisas não darem certo, mas era a hora de ir atrás de seus objetivos já que as dúvidas e as incertezas o tinham consumido por semanas e sua mente e coração nem suportavam mais aquelas condições.

Pegou o carro e dirigiu por mais de uma hora, não que o caminho fosse tão longo, mas resolveu parar, desabafar para as estrelas e entre uma música e outra fumava um cigarro, talvez sua forma de aliviar tamanha tensão.

Eram praticamente dez da noite quando ele chegou, tentou ligar, mas seu amado não atendeu o celular, com medo das reações, chorou e logo se manteve firme e com seus propósitos foi até aquele endereço que ficara na sua mente e por mais que anos se passassem não esqueceria.

Logo que chegou naquela rua íngreme, de casas semelhantes e com muros baixos, mas que numa daquelas habitava um ser humano que o balançava dos pés a cabeça, estacionou seu carro, em suas mãos nada além da carta que escrevera e de alguns chocolates, o rapaz amava doces e chocolates sempre são bem vindos, foi o que pensou.

A carta era direta e objetiva, abria todo o seu coração para aquele sentimento que nascera em si e manteve a expectativa de uma boa resposta para suas palavras, quem sabe naquele mesmo momento. Respirou fundo e pensou se chamava ou não, com muita coragem gritou o nome, que saiu meio arranhado pela sua garganta, a chuva já havia parado há uns dez minutos, o tempo se abria e aquela noite de sábado não seria de águas de verão.

Depois de umas três vezes que chamou foi respondido, de longe se ouviu a voz dizendo:

– Espere, já vou!

Seu coração parecia de um rato, batia desesperadamente e quase saia pela garganta, chegava a ser hilário aquela cena.

Por mais que todas as circunstâncias até aquele dia dessem a certeza de que seria inoportuna sua visita tão repentina, os dois sentaram e conversaram por um bom tempo. Os chocolates foram os primeiros a serem devorados, em seguida com toda a coragem que existia em si entregou aquela carta, uma página frente e verso, com letras cursivas, extremamente detalhadas e claras, tanto quanto o texto que a compunha.

Preparava-se para levantar e ir embora quando foi surpreendido por um pedido:

– Você quer realmente me ter ao seu lado?

E suavemente respondeu, como alguém que tem a certeza do que quer.

– Mais do que qualquer coisa hoje, é isso que eu quero! – palavras que saíram de coração aberto e com os olhos cheios de emoção.

Sempre fora um cara aberto aos sentimentos, sem medo de tentar estar ao lado de quem gosta, por mais que a vida e os percalços lhe desse os motivos óbvios pra ser alguém frio.

– E você, quer estar ao meu lado? – Emendou a resposta.

Sem a tempo que pudesse ouvir uma resposta foi surpreendido por um beijo, tão longo e gostoso quanto os primeiros. Daqueles beijos em que sentimos existir uma troca de almas e sentimentos pelos dois seres, um beijo que selava uma certeza, ou duas.

Embora aqueles últimos dias fossem de medos e aflições o garoto havia encontrado uma paz naquele instante. É complicado o que aconteceu com os dois, pois não havia perguntas quanto mais respostas e diferentes medos embaraçavam ambos os corações.

Foi um sábado diferente do primeiro encontro, a chuva não atormentava a noite, algumas cervejas e cigarros acompanhavam e passaram a noite, daquele jeito que estavam, sem ao menos se arrumarem pra sair, ali por perto deitaram na grama, de mãos dadas contemplaram o céu e naquela bobeira de filmes de amor passaram longas horas de uma forma que nunca sequer imaginaram.

A carta foi lida de frente pra ele e respondida linha a linha pessoalmente, seu coração encheu de alegria e o mais confortante naquela hora foi que estava sendo correspondido, sequer poderia acreditar naquele instante.

Por tanto tempo foi o que mais desejou e muitas vezes não conseguiu o que queria, talvez fossem o que estavam procurando em linhas erradas por todo este tempo, a vida é assim e todos nós sabemos dia ou outro nos acertamos depois de provar bocas, olhos e corpos por engano.

Mas que o tempo não seja injusto a eles e que não seja eu obrigado a narrar minha história novamente sem que ela sequer aconteça como eu quero, apenas escritas nestas linhas.

Gay eu? Claro!

Não consigo definir uma fase em que me descobri como gay, fico perdido entre quando tinha uns 6 anos e achava o Vinícius da minha sala o menino mais bonito do mundo ou quando aos 9 já ia fazer “brincadeiras” com meu primo nos fundos da casa da minha vó. Este que foi a primeira pessoa com quem tive uma relação homossexual, aos 14 anos de idade. Sim, PASME!

Quanto ao me aceitar como gay, isso pra mim nunca foi novidade. Claro que eu tive aquela coisa de “Meu Deus, eu sou uma aberração!”, mas não acredito que foi uma das piores fases da minha vida, minha própria aceitação veio suave e clara pra mim. Sou gay, encarei os fatos e vamos a luta por felicidade. O que mais me incomodou nessa cronologia foi a forma como minha mãe se mostrou surpresa pra uma coisa, que pra mim ela sempre se mostrou natural.

Desde pequeno sempre vi minha mãe se dar bem com gays, ela até tinha amigos próximos que sempre a via conversando, por isso acreditei que minha homossexualidade seria assumida num ambiente livre de preconceitos, mas não foi. Meu pai também sempre muito ignorante (sim usarei esta palavra), jamais aceitaria ter um filho gay, pra ele seria um martírio ter que dar a cara a tapa pra todo mundo. Porém, gente, quem nunca percebeu que o filho mais velho dele era um tanto “diferente”? Não que eu seja afetado, mas minha homossexualidade sempre ficou muito as claras. Hoje, graças à Deus, sou assumido pra todos, desde meus avós aos meus primos que ainda nem falam e não enfrento qualquer preconceito na minha família, se sentir que tenho também, simplesmente me afasto do ser, por que de boa, não é parente pra mim.

Pra mim, ser gay sempre foi um motivo de orgulho, já me envergonhei às vezes, principalmente naquela época chata da escola. Mas me aceitando do jeito que sempre me aceitei ser diferente pra mim era o máximo. Tinha vontade de gritar para os meninos “MOOOOORRAM que eu sou viadinho sim e vocês são péssimos perto de mim!” É… típico de um aquariano isso. Aliás, logo que me assumi em casa, isso aos 17 anos, contei para os meus colegas de classe e disse pra eles que eu era gay sim e que todos de casa já sabiam, finalmente acabaram-se todos os motivos daquelas piadas que aguentei desde criança. Deveria ter feito isso aos 9 anos de idade (risos).

Este é meu texto de entrada como colaborador no Estação 47, estou muito feliz pelo convite propriamente feito pelo The Serious. Sempre vou trazer um pouco das coisas que este demente apaixonado aqui escreve! 😉