Fases do fim de relacionamento

Terminar um relacionamento é um saco. Vou repetir isso uma porção de vezes até me conformar ou descobrir o motivo pelo qual as pessoas têm que passar por isso. Mas, tirando do que já vi e já vivi, dá pra ver que todo final, todo luto, passa por algumas fases. Elas não acontecem necessariamente em uma ordem, e podem acontecer todas juntas. Às vezes leva-se anos para passar por todas ( ou pelo menos a maioria delas ). Às vezes leva-se alguns poucos dias. Não importa, de todo jeito… Tudo isso é um saco. Saco.

1 – CHOQUE ( Ou, “Hã?” )

  • É quando acontece. Ponto final, acabou. Não deu tempo de perceber nem pensar em nada ainda, só se percebe a realidade. Dessa vez, foi. Caiu no chão, quebrou, já era. Não importa quem entrou com o pé e quem entrou com a bunda. Tão pouco importa o motivo ( desamor, traição, tédio, medo, ciúme, atormentações em geral, você descobrir que o cara é um chato, etc, etc, etc ). Você não reage, não respira, não entende, não consegue pensar. É como se a vida se suspendesse por um momento, fazendo você se debater no ar sem conseguir pisar no chão. É um saco. Mas passa logo.

2 – DOR ( Ou, “Vou morrer disso” )

  • As horas passam aos pouquinhos. Os dias vão vindo. E você se dá conta que não é mesmo só mais uma briga. Acabou. Sua vida vai seguir e aquela pessoa não vai mais estar por perto. E aí começa a doer. Às vezes, dói no dedinho mindinho do pé; outras, dói o corpo todo. A cabeça, o peito, o coração. Você fica gripada, não quer dormir, não quer comer, só chora e fica ouvindo músicas que falam de amores perdidos. As pessoas se preocupam com você, mas nada te consola e nem te anima. Você tem certeza que nunca vai superar aquilo. Mas, sendo uma pessoa normal, você vai superar. Só que até lá… É um saco.

3 – RAIVA ( Ou, “Que vá queimar no mármore do inferno”)

  • Aqui, você começa a ter raiva, ódio, nojo do indivíduo. Se pergunta dia e noite como você pode ter se apaixonado por tão chato, tão nojento, tão feio, tão sórdido, tão cafajeste, tão… Tão repugnante ser. É a hora de pegar um saco de lixo e fazer uma limpeza – rasgar fotos e cartas, mandar devolver presentes. Você joga pragas, diz pra todo mundo que não quer ver nem pintado de ouro, deseja todo o mal pra ele. E se tiver uma nova moça no meio… Coitada. Ela também será atingida pelo poder das suas energias negativas. Você jura que odeia essa pessoa do fundo do coração. Mas não odeia não, tolinha. E é um saco perceber isso.

4 – RACIONALIZAÇÃO ( Ou, “Eu nem queria mesmo.” )

  • É a hora de se acalmar. Você procura mantras, textos de apoio, psicólogos, os amigos. Todos dizem o mesmo, que você é linda, maravilhosa, e logo vai achar um outro fofo… Que nada acontece por acaso, que foi melhor assim, etc. E você vai repetindo todas essas frases lindas e fingindo acreditar. Você racionaliza, explica o seu romance todo e as razões e desrazões de tudo ter começado ou acabado. E, durante um tempo, isso funciona muito bem. Você parece pronta pra seguir sua vida sem pensar no indivíduo, desejando pra ele um caminho de luz. Mas só parece. Saco.

5 – VINGANÇA ( Ou, “Ele me paga.” )

  • Aqui, é uma recaída da fase da raiva. Só que agora, você acha que só conseguirá purgar seu ódio se fizer ele te pagar com juros os preciosos momentos que você perdeu com ele. Você traça planos mirabolantes. Procura essas mulheres que fazem feitiços na boca do sapo. Dá telefonemas anônimos pra família e pra namorada nova dele. Faz fofocas. Difama. Arruma um outro só pra passar na frente dele e fazer o maior farol. Dependendo do caso, xinga diretamente, move ações na justiça, tira tudo que pode dele. Mas aos poucos você percebe que isso não adianta nada, que saco.

6 – GALINHAGEM ( Ou, “Estou em outra, quer ver?” )

  • Ora, mas pra que tanto desespero? Existem muitos outros homens por aí. E então você começa a sair. E fica com um. E dá uns beijos em outro. E se atraca com um outro lá. Faz loucuras que nunca fez, chuta o pau da barraca, e não sente a menor culpa. Afinal, você não quer mais se envolver, e diz que está numa fase descolada. Só que em cada boca, em cada abraço, em cada cheiro, é no desgraçado que você pensa, e de repente você vê que só lotou a sua agenda e o seu currículo com um monte de caras que não passam de alguém pra você achar que é um saco no dia seguinte. Ai.

7 – DESPREZO ( Ou, “Nem ligo”)

  • É a hora de fazer força para esquecer. Você entende que essa adrenalina toda não faz bem pra alma e nem pra pele, e decide sossegar. Simples. Só não pensar. Ignora totalmente a existência dele. Nem enxerga mais. Esquece do número de telefone. Arquiva tudo que se escreveram e se deram numa caixa, lacra e coloca no fundo do armário. Pronto. Tudo enterrado. Mas o defunto logo começa a arranhar o caixão querendo sair. E sai. Saco.

8 – VAZIO ( Ou, “…” )

  • Saco.

9 – RECAÍDA ( Ou, “Vai ver que não é bem assim…” )

  • De repente, um telefonema… Um encontro marcado, ou casual… Uma conversa amigável em nome dos bons tempos. E você pensa, “puxa, podemos ser amigos… Por que não?” E então vocês começam a se ligar, a se falar, a se encontrar. E de repente, estão falando do passado, lembrando coisas, rindo juntos. E mais de repente ainda, ele passa a mão no seu cabelo, te olha fundo e te beija. E você pensa, “por que não podemos ficar? Só um pouquinho… Não tem problema.” Mas tem problema sim. O problema é que, depois de uma recaída, o seu saco fica cheio como nunca.

10 – O NOVO NAMORADO ( Ou, “Pra esquecer um amor antigo, só um novo amor.” )

  • É isso que todo mundo diz. Que a dor de amor se cura com outro amor. E você, tolinha… Acredita nessa bobagem e arruma um outro namorado. Pode ser um outro namorado mesmo, oficial, com carteira assinada. Ou outro rapaz por quem você acha que se apaixonou. E com o tempo, você se pega pensando no passado, e fazendo mil comparações. O outro, mesmo longe, parece muito melhor. E então você entende que, mesmo sendo um saco aceitar isso, ninguém substitui ninguém. E que as situações mal resolvidas só podem deixar de ser mal resolvidas de uma maneira: sendo resolvidas. E então manda o novo amor embora de dentro de você tão rápido quando chegou.

11 – SAUDADE ( Ou, “Ai…” )

  • É a hora de encarar que saudade dói. E mesmo sendo um saco… É preciso senti-la, até esgotá-la, mesmo que você se esgote com ela. É quando você deixa de resistir pra curtir essa dor até o fim. E, geralmente é quando caem todas as fichas.

12 – SUPERAÇÃO ( Ou, “Bola pra frente” )

  • O tempo passa, passa, passa. As coisas se acomodam. Aos poucos, você vai deixando a idéia fixa de lado. Começa realmente a ver o lado positivo das coisas. Começa a se desligar. E quando você vê… A pessoa está longe dos olhos e do coração. E vira uma lembrança gostosa de lembrar e reviver. De repente, você pode até virar amiga do fulano. A doença já curou. Passou. Vem aquela vontade de cuidar de você mesma, de ficar só e de sentir aquela solidão que não é triste, apenas necessária pra recomeçar. E o seu saco esvazia, ficando pronto pra começar a encher de novo com o próximo. Afinal, como se diz por aí… A fila tem que andar.

E ainda bem que anda mesmo.

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Estamos com fome de amor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão”. Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

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Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada “Nasci pra ser sozinho!”.

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”.

Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabor

A idiotice é vital para a felicidade

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?

Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!

Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

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É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… A realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem e que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou simplesmente sorrir…

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche”

Autor desconhecido

O vizinho

Ele foi o único que eu não conheci através do Grindr, já que ele é meu vizinho e está sempre passando por mim. A primeira vez que nos vimos, eu estava lendo sentado na esquina e ele passou com seu cachorro e me “secou” da cabeça aos pés. Percebi que meu vizinho era do time ali.

Acabamos nos vendo outras vezes, um dia acabamos nos acenando e enfim, acabamos conversando. Trocamos whatsapp e combinamos de sair pra tomar um pint.

Fomos em um pub super legal aqui na cidade e nos divertimos muito. Ele é um palhaço e faz qualquer um rir, então isso não foi difícil. Em outro dia, sai com ele e mais duas amigas dele, que acabaram se tornando minhas amigas também e tive uma das noites mais legais ever.

E assim, ganhei mais um amigo. Sem pressão, sem Grindr, sem papo hot, sem fotos, sem nada. Apenas amizade. Em pouco tempo, já me sentia confortável pra conversar várias coisas com ele, vários assuntos e por aí vai. Até que um dia, chegou o dia do seu aniversário (no mesmo final de semana do aniversário do hipster) e eu fui.

Cheguei e sentei na mesa das meninas que eu já conhecia, que me trataram super bem e fizeram eu me sentir em casa. Os outros amigos dele fizeram eu me sentir um peixe no aquário. As pessoas que percebiam que eu era diferente e vinham conversar comigo, quando me ouviam dizer quem eu era, tinham reações do tipo:

– ahh, você é O VOCÊ!
– já ouvi muito de você.
– até que enfim te conheci.
– ah que legal que você veio.

Nesse momento eu percebi que esse amigo também estava com uma impressão errada sobre a nossa amizade. Uma das meninas percebeu a minha estranheza e disse “não liga não, vai passar, é que é muita novidade”.

Sem dúvida a hora mais estranha foi quando a mãe dele meio me cumprimentar e me chamou pelo meu nome e me deu uma espécie de abraço de boas-vindas, algo muito estranho para os irlandeses.

Deixei a festa alguns minutos depois alegando que precisava falar com a minha mãe.

Não restou nada mais

É tão difícil voltar e ver que não restou nada mais. As folhas caem com o vento e tentamos dizer que nada mudou e que nunca irá mudar, mesmo sabendo que ainda dói tanto lembrar que já não são mais os mesmos dias e que já perdemos o brilho em nossos olhos.

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Fica mais um pouco só até a chuva passar. Diz que vai voltar pra casa quando tudo acalmar. Sei que ninguém tem culpa e que já não há como cicatrizar o que o tempo feriu demais.

“Pra Sempre” sempre soou tão suave até sentir que não. Agora são só lembranças de dias em que tudo parecia tão certo até você partir pra não voltar…

O teenager boy

A história de hoje tem uma pitada de arrependimento da minha parte, já que eu deveria não ter me envolvido com esse garoto.

Assim como com os outros, o conheci pelo Grindr. Nos encontramos em um parque perto de casa, conversamos muito e então, começou a chover. Como eu morava perto do parque, o convidei pra vir pra casa. Até então, eu não tinha nada em mente, mas acabou rolando alguns beijos e um ou outro amasso mais forte. Não fizemos sexo, mas ficamos bem a vontade, if you know what I mean.

Depois desse dia, mantivemos contato pelo Facebook e pelo whatsapp e combinamos de nos ver novamente. Eu já sabia que não queria nada com ele, mas a gente tinha começado errado. Novamente ele veio em casa e a proposta era vermos um filme, o que realmente fizemos. Ele tentou me beijar e acabei cedendo na primeira vez, na segunda desviei, na terceira fiz caretinhas e ele não tentou a quarta.

Ele foi pra casa e eu fiquei aqui, pensando. Eu havia gostado muito dele, muito, muito, mas não a ponto de querer ter algo a mais. Acho que a minha carência me tomou e a gente ficou, mas tudo que eu queria dele era amizade, por eu sabia que nós poderíamos ser bons amigos.

O chamei no whatsapp e joguei limpo, pedi desculpas por tê-lo envolvido e disse que tudo que eu queria era amizade. Ele disse que estava decepcionado, mas que também tinha gostado muito de mim e que gostaria sim de ser meu amigo.

Foi a melhor decisão, já que ele se tornou meu melhor amigo na cidade.

Eu achei que ele de fato tinha entendido, mas eu estava errado. Dias atrás, nós saímos pra um festival na cidade e ele, já meio bêbado, me disse: “todos os seus amigos querem levar você pra cama, né? Inclusive eu”.

Fiquei meio sem reação, fingi que não ouvi e segui a minha vida. De todos, ele é o que eu mais me importo, por que foi com quem eu cheguei mais perto do sentimento de “melhor amigo”.

Eu disse no começo que me arrependo de ter me envolvido com ele por isso, ele se envolveu e eu não. Eu quero ser amigo e eu não sei se ele quer ser meu amigo também ou se ele esta sendo meu amigo na esperança de ser algo a mais.

Arrisque-se!

Arriscar-se é viver.

Rir é arriscar-se a parecer louco. Chorar é arriscar-se a parecer sentimental. Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver. Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor seu eu verdadeiro. Amar é arriscar-se a não ser amado. Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder. Viver é arriscar-se a morrer. Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção. Tentar é arriscar-se a falhar.

goldfish jumping out of the water

 

Mas é preciso correr riscos. Porque o maior azar da vida é não arriscar nada. Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são. Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza. Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver.

Acorrentadas às suas atitudes, são escravas; Abrem mão de sua liberdade. Só a pessoa que se arrisca é livre…

Arriscar-se é perder os pés por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida.

O hispter blogayro

Cada um de nós (autores do blog) leva a sua vida de um jeito e traz pro blog aquilo que acha que deve. Sem cobranças e sem neuras. Eu gosto de compartilhar as coisas que de fato estão acontecendo comigo. É tipo um espelho dos meus relacionamentos e ultimamente, desde que conheci o “Garoto Across Atlântico” (por quem eu ainda estou apaixonado) as coisas não estão muito boas e é por isso que estou sumido. Teve o caso do escocês, mas isso foi um caso isolado que não vale para a pesquisa científico-social-sem-fundamentos a que esse blog se propõe.

Pois bem, minha vida do outro lado do Atlântico, emocionalmente falando, não poderia estar mais parada. Mudei de cidade e agora moro em uma com população total que beira os 30 mil, ou seja, com uma comunidade gay de 50? 30? Não sei ao certo.

Conheci alguns garotos e é deles que quero falar nesses próximos posts. Não me julguem, a única forma de conhecê-los foi através do Grindr, já que aqui não tem “lugares gays”. Editei meu perfil e deixei BEM CLARO que eu estava procurando amigos, pois era novo na cidade.

Ao que tudo indica, eles entenderam.

O conheci em um dia típico, chuvoso e frio e fomos tomar um café. Percebemos que tínhamos MUITAS coisas em comum e naquele momento eu soube: ganhei um amigo. Não tive em momento nenhum um pingo de atração por ele e ainda mais com todas essas coisas em comum, era amizade.

hipster

Acabamos saindo mais algumas outras vezes e a cada café, a amizade crescia e a atração (que já não existia, não aparecia). Parece que para ambos o sininho “amizade” havia batido. Um dia, do nada, ele me mandou um sms perguntando se eu não gostaria de fazer um “sexo sem compromisso” as vezes. Eu respondi educadamente que não, por que eu não sei separar sexo de sentimentos (quando diz respeito a amigos) e seria muito estranho ter algo assim como ele.

Alguns dias depois, ele me convidou para um festa na casa dele, o seu aniversário. Eu fui, levei um cartão super bonitinho, encontrei algumas pessoas que eu conhecia, conheci tantas outras, fiquei bêbado e como eles dizem aqui, I had the craic!

Nesse dia da festa, eu conheci um rapaz interessante, amigo do hipster. Acabamos ficando e como eu estava muito bêbado, acabamos dormindo juntos.

Ai que começaram os problemas.

O hipster ficou extremamente chateado comigo e veio tirar satisfação pelo Facebook. Disse ainda que no dia da festa, já que eu havia dito que não gostava de fazer sexo sem sentimento, ele estava disposto a me pedir em NAMORO e estava procurando formas de me abordar, mas eu fodi comtudo ficando com UM AMIGO DELE no ANIVERSÁRIO DELE.

Awkard, não?

Conversamos, pedi mil desculpas e me senti muito mal. Mas tudo bem, as coisas vão ficar melhores entre a gente.

Dia atrás, o hipster, que também tem um blog, postou um novo texto cujo tema era “Como quebrar o coração de um garoto”. O texto falava basicamente de 4 casos que ele teve recentemente que quebraram o coração dele e um deles sou eu.

Nesse texto ele diz que eu ensinei uma lição a ele: de o que as pessoas dizem e o que elas fazem é muito diferente e que eu, assim como todos os outros, também sou um “asshole” (não consigo traduzir isso muito bem pro português). Nesse texto, tinha um link para um outro texto (também sobre mim e que eu ainda não tinha lido).

No outro texto, além de me descrever de um jeito que ninguém nunca me descreveu antes (olhos de tubarão, altura e peso perfeitos, cabelos rebeldes que ficam lindo até quando ele passa a mão, estiloso e com roupas tão bem ajustadas que ficariam perfeitas no chão do meu quarto e com um sorriso muito lindo), ele diz que desde o primeiro dia soube que seríamos só amigos, assim como eu soube.

E minha pergunta é: porque mudou de opinião e queria me pedir em namoro?

Nunca saberei, já que agora eu sou um asshole.

Afinidade

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. Afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, o mais delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto onde foi interrompido.

Ter afinidade é muito raro. Mas, quando existe não precisa de códigos verbais pra se manifestar. Existe antes do conhecimento, irradiada durante e permanece depois que as pessoas deixam de estar juntas.

blue contact

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com, não é sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Sentir com, é não ter necessidade de explicar o que esta se sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do falar, ou, quando falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas, quanto nas impossibilidades vividas. Afinidade é retomar a relação do ponto que parou sem lamentar o tempo de separação. Por que tempo de separação nunca existiu, foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida.

Artur da Távola

Não era pra ser

A primeira vez que vi a foto no seu perfil, eu sabia que queria te conhecer.

Ao assistir aquele filme, no momento em que tocou Glad You Came, eu soube que eu estava encantado por você. Eu soube que a minha vontade maior de sair do país naquele momento era para ir ao seu encontro. Eu soube.

Eu também sabia que seria complicado: não nos conhecíamos, eu estava chegando em um país novo, você tentando se estabilizar, tudo contra nosso encontro. Doeu ao saber que você namorava. Metade do meu sonho foi transformado na dura e fria realidade: será que eu poderia ter você para mim algum dia?

Deixei passar. Cheguei, não te avisei, não perguntei se poderíamos nos encontrar. Eu sabia o que iria acontecer no momento que eu te visse. Eu sabia.

Mesmo assim, te vi, sem querer, naquele bar. Não tive coragem de chegar perto, mesmo assim, não consegui tirar os olhos de você. No outro dia, a vontade foi mais forte: te falei que havia te visto. Só não te falei da vontade que tive de ir até lá, te roubar pra mim e guardar bem guardado no paraíso que eu havia construído para nós dois.

Ontem, ao chegar de viagem, um convite. Como negar? Como eu poderia negar qualquer coisa que viesse de ti?

Hoje ao te encontrar naquele local, quando veio em minha direção sorrindo, por um segundo senti minha alma deixar o meu corpo: como você podia ser mais do que eu imaginei?

Foi ótimo estar com você. Foi ótimo poder assistir aquele filme contigo. Mas foi maravilhoso quando você apoiou seu braço na minha perna e nossas mãos se encontraram. Eu não queria mais soltar sua mão. Um sorriso despontou de meu rosto.

Continuei com os olhos fixados no filme. Eu estava tentando resistir à você, mas quando você quase apoiou a cabeça no meu ombro e eu senti sua respiração próxima ao meu ouvido, não fui capaz de resistir ao ímpeto de meu corpo: eu precisava te beijar. Eu precisava sentir seus lábios contra os meus. E assim foi. E assim senti você me puxar contra seu corpo, com desejo, ofegando.

Eu também te queria. Te queria tanto! Meu coração disparava a cada movimento de nossos lábios. Minhas mãos percorriam seu corpo, minha respiração entrecortada ecoava pela sala. Eu não queria mais deixar você se afastar. “Cole seus lábios aos meus”, eu pedia em pensamento.

Mas nos afastamos. E outros beijos não vieram. E a realidade deu um tapa no meu rosto.

E naquele momento, eu soube que independente de você ser o cara certo para mim, talvez eu não fosse para você. E doeu. Meu coração suplicou por mais espaço, mas meu peito estava tão apertado que não era possível. Minha garganta secou. Meu pulmão parou. Minhas mãos antes quentes contra as suas, agora pendiam frias ao lado do meu corpo.

Seu sotaque, seu sorriso encantador, o brilho no seu olhar de menino. Seu jeito de me fazer rir. Sua pegada que me fazia ir aos céus e voltar. Tudo o que eu queria era te ter para mim.

Mas não podia ser. Não devia ser. Não era para ser.

Alone1