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A Sala Trancada

Olhando para esta bagunça toda não sei se abstraio, deixando com que a tristeza e a insegurança ocupem mais espaço, ou se tento arrumar a casa.
Arrumo a cozinha, a sala de jantar, lavo o banheiro, tudo com grande pesar ao jogar o excesso de coisas, de bagagens desnecessárias, limpando cada superfície para quem sabe poder recomeçar, para abrir para visitação novamente.
Casa limpa, arrumada mas ainda falta aquela sala que não visito a meses, que tranquei e nem sei onde esta a chave, mas sem arrumar este cômodo é como se nada estivesse limpo ou organizado.
Busco a chave por mais alguns meses. E está não é uma dourada com adornos ou prata com brilho intenso, é somente mais uma chave esquecida dentro de uma caixa cheia de outros esquecimentos.
Abro a porta com medo, não lembro o tamanho da confusão a quantidade de armários, e quantas horas irei demorar. Fecho os olhos e empurro a porta, dois passos, e a fecho atras de mim. Conto até três e abro a janela de minha alma. O quarto esta vazio, paredes desgastadas porém vazio, não contando somente por uma mesa no centro da sala, que contem uma grande caixa branca com as tampas lacradas. Aproximo – me com cautela e retiro as grandes fitas em volta da caixa sem levar em conta as grandes letras em sua tampa : “Esqueça, queime, mas não abra, NUNCA MAIS.” .
Abro. Sinto-me sem forças. Não lembrava que existia. Lagrimas escorrem por meu rosto.

E vejo, em pedaços, o que tanto procurei…

Meu coração!

algo além…

Estranho como mesmo quando temos muito o que dizer, as palavras nos faltam. É assim que tenho passados esses últimos tempos longe daqui, cheia de palavras e deixando-as escapar entre os véus de minha mente, entre a correria do dia-a-dia, entre o medo de encarar que mesmo entre tantas coisas boas acontecendo falta algo.

Quero falar deste algo e sei que mesmo falando muito ainda será pouco perto de tudo.

Porque falta algo?

Essa pergunta ecoa em mim, não consigo entender, a fase está tão boa. Tenho amigos que amo e estão por perto, tenho uma família que me apóia e esta por perto, tenho projetos sendo realizados e  a luz no fim do túnel do sucesso financeiro começou a brilhar, mas mesmo assim o peito ainda clama.
Estou feliz, não confundam, estou realmente bem, sinto-me bem, sinto-me feliz, e tem momentos que acho que não falta nada. Porém quando toca uma musica ou penso naquelas poucas sexta e sábados a noite que estarei em casa, sinto aquele vazio.

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É preciso de alguém. Mesmo esse alguém tendo que ser bem especifico. Bem compreensivo e MUITO mais MUITO mais amigo, parceiro e companheiro que namorado.

Eu quero casar neh? Medo disso!

Já não tenho mais paciência nem para baladas nem para azaração no bar da esquina, essas situações me entediam, quero naturalidade, não quero conhecer alguém com a intenção de algo mais, quero simplesmente conhecer, mas tudo neste novo mundo parece ter alguma intenção a mais… Chega a dar preguiça só de pensar!

Então eu abstraio essa necessidade e guardo todo esse amor que tenho, dentro de uma caixinha, tranco com aquela chave bonita e escondo em algum lugar , rezando para que no momento certo eu a encontre!

 

Cansei de Ilusão! Me tornei uma Adulta!