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Andrew, uma grata surpresa

Depois de discutir com o cara que se dizia meu namorado (vide O Desesperado de Cape Town), eu respirei fundo e nem imaginava se queria mesmo entrar de novo naquela balada. Foi quando olhei para o lado. Lá estava, um cara, sorrindo. Não, ele não sorria flertando. Ele sorria dizendo “mas que saco hein? Ouvi toda a conversa e não sei como você aguentou passar 12 horas com esse cara”.

E entendendo seu pensamento, eu sorri também. Ele se aproximou, nos apresentamos  e eu disse rapidamente que precisava encontrar o cara, pois estava de carona com ele. Andrew, o australiano de 44 anos que estava ao meu lado, se ofereceu para me levar em casa (What a gentleman!, eu pensei) e aceitei seu convite.

Andrew ainda pediu meu telefone, pois havia gostado de mim e queria sair mais vezes. Eu gentilmente passei e na semana que se seguiu, saímos praticamente todos os dias juntos. O mais interessante é que ele nunca me deixava pagar nada, fosse jantares, passeios, viagens; ele me dizia que estava lá sozinho e que eu era uma agradável companhia: esse era seu jeito de agradecer.

Se me senti um acompanhante? Sim, um pouco. Tirando a parte sexual, ao que ele nunca me exigiu nada. Mas para um garoto de 18 anos vivendo aquele sonho, essa parecia ser a cereja do bolo.

No último dia em que Andrew ficaria em Cape Town, era reveillon. Ele me convidou primeiro para uma festa na cobertura do seu hotel, que eu prontamente fui e depois para a festa do bairro gayWaterkant. Assim, eu teria todas as chances de me despedir de meu bem feitor, certo? Errado.

Durante a festa no Waterkant, estávamos conversando quando um outro cara de aproximou de nós. Começamos os três a conversar até que ele disse que era australiano e Andrew e ele começaram a falar sobre as políticas do país. Eu era um peixe fora d’água. Decidi que era o momento daquilo acabar.

Em um ímpeto de egocentrismo, eu flertei com o outro australiano. E ele me beijou. Andrew, vendo a cena, apenas bateu em meu ombro e disse “Have a good night”. Eu me senti péssimo por um segundo. Logo após, voltei a beijar o outro australiano.

Na manhã seguinte acordei com ressaca moral. Como podia ter feito isso com Andrew? Dividimos um tempo juntos, conversamos sobre nossas vidas pessoais, frustrações, relacionamentos, enfim, ele era mais do que um cara que pagava as coisas para mim. Era um amigo.

Ao ligar o celular, a surpresa: ele havia me mandado uma mensagem. Na mensagem, ele pedia desculpas por ter saído daquele modo, mas que não se sentiu confortável ao me ver com outro cara. Enfim, ele havia gostado de me conhecer e agradecia o tempo que passei com ele.

Naquele momento, percebi que Andrew realmente foi mais do que um passatempo; ele me ensinou que às vezes tomamos decisões erradas, mas que, se houver maturidade e entendimento, tudo pode ser levado de um jeito mais leve.

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12 dias com ele

Sabe quando você conhece alguém em um dia e no outro a pessoa passa a fazer parte da sua vida de uma forma super intensa? Aconteceu comigo.

O conheci numa noite, mas especificamente em uma balada (eu sou daqueles que acreditam ser possível encontrar alguém legal na balada. Parto da premissa de que, se eu sou legal e estou lá, outro legal posso encontrar..btw). Ele chegou em mim, trocamos duas palavras e ficamos.

Pronto. Começou.

Mal saímos da balada, já estávamos trocando milhares de SMS’s, depois nos falamos pelo telefone e MSN. Na outra semana nos falamos todos os dias e nos vimos umas 4x na semana. Tivemos um encontro super-romântico-mimimi-cheio-de-ohhn um dia e o levei pra conhecer meus amigos em outro.

Ele até me deu um presente! Passamos um final de semana perfeito juntos. Combinamos de ir à um motel e tudo mais. 12 dias. 12 dias intensos.

12 dias o suficiente pra eu ver que eu estava feliz, que estava apaixonado. Desde o começo eu achei que a gente estava indo rápido demais, mas parei pra pensar e decidi arriscar. Afinal, eu nunca havia me envolvido com ninguém até ali, e um relacionamento que estava durando 1 semana já estava ótimo.

Meus amigos perceberam a rapidez e me alertaram “cuidado, vcs estão indo rápido demais e no fim, quem vai sofrer é você”. Mesmo assim, continuei arriscando e me envolvendo.

12 dias depois, acabou.

Motivo? Ex.-namorado. Simples. Fantasmas do passado que voltam pra atormentar o presente e acabar com o futuro que estava sendo escrito. Não tenho forças pra lugar contra algo que foi mais forte e mais intenso do que eu.

Não sei ao certo onde eu errei, o que eu fiz. Se é que eu errei ou fiz algo que pudesse faze-lo me deixar. Ele simplesmente se foi, fez a escolha dele.

Percebi a mudança no comportamento dele no penúltimo dia, e já me preparei pra facada final. Pro tiro de misericórdia. Fui até a casa dele, olhei em seus olhos e ouvi da sua boca. Game over pra mim. Entre mim e o ex, ele prefere o ex. Ele prefere continuar uma história que já estava sendo escrita do que começar uma nova.

Com lágrima nos olhos, chorando feito um bobo, olhei pra ele e disse: obrigado por fazer eu me sentir o cara mais lindo do mundo, obrigado pelo presentinho fofo que você me deu, obrigado pelo final de semana mais perfeito dos últimos tempos, obrigado por uma das transas mais fodas que eu tive, obrigado pelos sms’s de bom dia as 07h da manhã, obrigado pelas ligações de boa noite, obrigado por ir me visitar depois do trabalho, obrigado pelo carinho, obrigado por segurar na minha mão a hora que eu tava estressado dirigindo, obrigado por não ter feito a barba só porque eu pedi, obrigado por me mostrar que é possível me relacionar, obrigado por mostrar que eu não sou tão coração de pedra assim, obrigado por te me levado no motel pela primeira vez, obrigado por fazer eu me apaixonar por você e finalmente, obrigado pelos melhores 12 dias da minha vida.

Ainda olhando pra ele, citei o Soneto de Fidelidade do Vinícius de Moraes, dando ênfase na última parte: “que seja infinito enquanto dure”. Rimos. Nos abraçamos, lhe dei um beijo na testa e disse: vai ser feliz, o fulano é um cara de sorte. Tchau.

Voltei chorando, acabado. Mas sabia que havia feito a coisa certa. Você pode estar pensando agora que eu sou um idiota, um bobão. Quer saber? Foda-se a sua opinião. Pra mim, ele foi tudo isso. Tenho certeza que eu fui importante pra ele também. O que interessa não é o tempo que as coisas duram e sim, a intensidade com que elas acontecem.

Posso olhar pra isso tudo e começar a julgá-lo, o colocando na posição de monstro, de errado. De alguém que brincou com meus sentimentos ou posso olhar com outros olhos e ver que eu cresci e que ele também cresceu. Como eu já disse aqui, eu vivo de amores breves.

Bola pra frente.