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O brasiliense no Rio de Janeiro

Conhecer o Rio de Janeiro foi uma das melhores viagens que fiz. Como já era um período pós-carnaval, a cidade estava agradável e com poucos turistas, se comparada a períodos como dezembro, janeiro e fevereiro.

O lugar é lindo, as pessoas são receptivas e os homens – ah os homens! – são lindos de morrer. Se existe magya em um lugar, é no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa.

Só que havia um problema: havia tanta gente bonita e interessante e eu não podia chegar em ninguém. Nem deixar que chegassem em mim. Eu havia viajado com minha família. Estava ciente de que eu não pegaria balada, não paqueraria e já estava conformado com a situação.

Conheci vários pontos, várias praias e sempre rolava uma troca de olhares com alguém, mas não passava disso. Percebi que iria voltar pra minha cidade subindo pelas paredes, querendo a qualquer custo alguém que me desse algum momento de paz e sossego, pois os banhos gelados de chuveiro e mar já não estavam adiantando mais.

No último dia de viagem, após acabar de fazer minha mala, disse que iria ao banheiro escovar os dentes para dormir. Eu estava hospedado em um hostel (que pra quem não conhece, é um albergue filiado à uma rede mundial, onde se hospedam pessoas do mundo todo, por preços mais baixos que em hotéis, em lugares bem localizados das cidades. O único desconforto é ter que dividir quarto/banheiro com outras pessoas, o que, na realidade, não é nenhum fim do mundo).

Toda vez que ia ao banheiro, já que era compartilhado, eu olhava para as duchas, tentando ver alguém, algum pedaço de homem, qualquer coisa que pudesse me dar um pouco de paz. Nesse dia não foi diferente. Enquanto escovava os dentes, olhei pelo espelho para uma ducha ocupada atrás de mim. Para minha surpresa, após alguns instantes olhando, dei de cara com o moço me olhando também. Levei um susto. Achei que ele havia percebido meu olhar e já ia me agredir, dizendo “tinha que ser bixinha, nem tomar banho em paz eu posso mais!” 

Disfarcei e fui para o mictório. Na volta, eu insisti em olhar e ele estava olhando. Quando me viu passando, abriu a cortina e disse: “Entra aqui”. Foi aí que eu vi, aquele homem lindo, todo bronzeado e com a marquinha de sunga. Não resisti. Tirei a roupa e entrei na ducha com ele.

O engraçado é que durante os primeiros minutos, conversamos em espanhol, por eu achar que ele era chileno e ele achar que eu era argentino. Coisas que acontecem apenas em viagens. Depois, ele me disse que era de Brasília.

Não preciso contar o que rolou dentro daquela ducha. Para os mais curiosos, digo  que, ao menos, conseguiu aplacar o calor da cidade maravilhosa.

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Andrew, uma grata surpresa

Depois de discutir com o cara que se dizia meu namorado (vide O Desesperado de Cape Town), eu respirei fundo e nem imaginava se queria mesmo entrar de novo naquela balada. Foi quando olhei para o lado. Lá estava, um cara, sorrindo. Não, ele não sorria flertando. Ele sorria dizendo “mas que saco hein? Ouvi toda a conversa e não sei como você aguentou passar 12 horas com esse cara”.

E entendendo seu pensamento, eu sorri também. Ele se aproximou, nos apresentamos  e eu disse rapidamente que precisava encontrar o cara, pois estava de carona com ele. Andrew, o australiano de 44 anos que estava ao meu lado, se ofereceu para me levar em casa (What a gentleman!, eu pensei) e aceitei seu convite.

Andrew ainda pediu meu telefone, pois havia gostado de mim e queria sair mais vezes. Eu gentilmente passei e na semana que se seguiu, saímos praticamente todos os dias juntos. O mais interessante é que ele nunca me deixava pagar nada, fosse jantares, passeios, viagens; ele me dizia que estava lá sozinho e que eu era uma agradável companhia: esse era seu jeito de agradecer.

Se me senti um acompanhante? Sim, um pouco. Tirando a parte sexual, ao que ele nunca me exigiu nada. Mas para um garoto de 18 anos vivendo aquele sonho, essa parecia ser a cereja do bolo.

No último dia em que Andrew ficaria em Cape Town, era reveillon. Ele me convidou primeiro para uma festa na cobertura do seu hotel, que eu prontamente fui e depois para a festa do bairro gayWaterkant. Assim, eu teria todas as chances de me despedir de meu bem feitor, certo? Errado.

Durante a festa no Waterkant, estávamos conversando quando um outro cara de aproximou de nós. Começamos os três a conversar até que ele disse que era australiano e Andrew e ele começaram a falar sobre as políticas do país. Eu era um peixe fora d’água. Decidi que era o momento daquilo acabar.

Em um ímpeto de egocentrismo, eu flertei com o outro australiano. E ele me beijou. Andrew, vendo a cena, apenas bateu em meu ombro e disse “Have a good night”. Eu me senti péssimo por um segundo. Logo após, voltei a beijar o outro australiano.

Na manhã seguinte acordei com ressaca moral. Como podia ter feito isso com Andrew? Dividimos um tempo juntos, conversamos sobre nossas vidas pessoais, frustrações, relacionamentos, enfim, ele era mais do que um cara que pagava as coisas para mim. Era um amigo.

Ao ligar o celular, a surpresa: ele havia me mandado uma mensagem. Na mensagem, ele pedia desculpas por ter saído daquele modo, mas que não se sentiu confortável ao me ver com outro cara. Enfim, ele havia gostado de me conhecer e agradecia o tempo que passei com ele.

Naquele momento, percebi que Andrew realmente foi mais do que um passatempo; ele me ensinou que às vezes tomamos decisões erradas, mas que, se houver maturidade e entendimento, tudo pode ser levado de um jeito mais leve.

A hora do SIM (I)

“Vocês se conheceram, estão sempre juntos e morrem de saudades quando ficam um dia sequer separados. Enfim, sentem-se como se estivessem vivendo um verdadeiro conto de fadas.  E assim, de repente, vocês se perguntam: será que é hora de dividir o mesmo teto e a mesma cama, por todas as manhãs?

O fato é que vocês estão apaixonados, é evidente. Esse desejo desenfreado de ficar junto, de se ver e se falar são sinais claros de que foram atingidos pela flecha do cupido. E isso é ótimo, uma delícia, sem dúvida. Feliz daquele que se entrega a esta oportunidade e se permite desfrutar as muitas sensações revigorantes, energizantes e que reforçam as cores e o brilho da vida.

Contudo, porém, no entanto… Já sabemos: a paixão, essa paixão intensa e entorpecedora, tem começo, meio e fim. E que bom que é assim! Nem nossa mente e nem nosso corpo suportariam essa dinâmica tão forte por muito tempo. Basta conhecer o significado da palavra “paixão” – sofrimento! Não é à toa que o episódio bíblico em que Jesus Cristo carregava uma cruz é chamado de “A paixão de Cristo”. No nosso caso, o sofrimento é pela falta do outro. Mas a melhor notícia é que o fim da paixão abre espaço para um sentimento muito mais suave, equilibrado e inteligente. Um sentimento que nos torna integrados e íntegros: o amor. Ou não… Porque caso não tenha se desenvolvido identificação e maturidade suficientes no período da paixão, a relação pode terminar ou se tornar uma espécie de vício, dependência, ao que poderíamos chamar, para um fácil entendimento, de “amor doentio”.

A questão é: em que momento vocês estão se fazendo essa importante pergunta? O que move vocês a desejarem essa complexa escolha? Se for a paixão, minha sugestão é para que não tenham pressa. Aproveitem a fase, mas sem tomar decisões precipitadas e que possam causar dores e perdas para muitas pessoas. Não é hora de casar. É hora de namorar!

Veja bem! Não estou garantindo que vai dar errado caso decidam-se pela junção das escovas de dente. Não é isso! Até porque não tenho bola de cristal e sempre cada caso é um caso, cada casal é único. Estou apenas me baseando no que geralmente acontece e, como manda a sabedoria constituída, os erros já cometidos devem nos servir para a precaução de agora.

Mas se o que conduz vocês a este desejo for resultado de bastante conversa, reflexão e, principalmente, ponderação sobre as questões práticas do dia-a-dia, tais como tarefas, ritmos, contas a pagar, sacrifícios em prol do outro, aprender a ceder, aceitar novos comportamentos, enfim, tudo o que envolve esta união, então… Que se declarem casados! E que vivam um dia de cada vez, lembrando que o amor jamais está pronto. Trata-se de um constante e diário exercício de “construir juntos”.”

(Rosana Braga)

Aqui começo a minha Saga pelo encontro da hora certa. Tenho pensado muito nisso, e lido muito também. O que mais quero é ter essa pessoa que está comigo agora para todo sempre, mas será que este passo neste momento de paixão faria metermos os pés pelas mãos???  

(Hm) 

Meu momento

É. Eu sempre soube. Eu sempre fui. Pra mim, era natural. Sempre me interessei mais pelos meninos do que pelas meninas e só fui me sentir diferente na escola, quando meus amiguinhos vinham me falar sobre o que achavam das meninas e tudo mais.

Foi quando eu percebi que eu era diferente. Isso foi trágico. Desencadeou grandes sentimentos dentro de mim. Eu me afastei de mim e comecei a viver alguém que eu não era. Eu queria ser aceito.

Assim foi durante toda minha vida escolar, eu era e não queria ser. Eu queria ser como os outros meninos e para isso, eu buscava me aproximar deles, me tornar seu amigo, se possível, o melhor. Quem sabe assim, eu aprenderia a ser como eles? Bom, assim eu pensava.

Não adiantou. Nada mudou e eu continuava preso e infeliz, dentro de mim mesmo, dos meus livros e dos meus brinquedos. Nunca fui um criança solitária e isolada, sempre tive muitos amigos, mas sempre usei uma máscara, pra não mostrar quem eu era de verdade e pra não decepcionar aqueles que eu prezava tanto.

Na fase de minha adolescência, encontrei uma muleta que me serviu por 7 anos. A igreja. Eu podia não ficar com garotas, não ceder as investidas delas e nem dos meninos, quando tentavam me empurrar pra uma. Eu buscava ser puro e santo.

Passei pelo ensino fundamental e pelo ensino médio assim, diferente, não por ser o que eu era e sim por ser ‘santo’. Quando cheguei na faculdade, carregava dentro de mim muitos medos e angústias, afinal, poderia começar tudo de novo, os comentários e as indagações dos outros.

Não foi diferente. Todos dizem que a faculdade é o lugar onde exorcizamos os demônios, aprontamos e tudo mais, por que, ou se faz ali, ou não se faz mais.

Eu fiz o caminho inverso. Entrei em ostracismo e tentei provar, durante 4 anos, que eu era uma pessoa que eu não era. Eu tinha medo e ainda não era meu momento.

Sempre fui um enorme ponto de interrogação na mente das pessoas, e eu gostava disso. Só não gostava quando elas insistiam em decifrar a charada.

Imaginem só, passar 4 anos procurando esconder seu verdadeiro eu e com medo. Muito medo. Muitos querendo te ajudar e você não querendo ser ajudado. Complicado, não?

Enfim, chegou a formatura e automaticamente minha mente e minha alma se sentiram leves e juntas, decretaram, era o fim. O fim da máscara, o fim do medo e o fim do esconderijo. Agora, eu estava livre. Afinal, a faculdade havia acabado e dali, eu só levaria pra minha vida quem eu realmente queria e essas pessoas, mereciam me conhecer de verdade.

Por ironia do destino, ou não, no dia do baile…aconteceu o meu primeiro beijo gay. Foi diferente. Diferente de tudo que eu já havia sentido e provado. Daquele em dia em diante, eu me aceitei e não lutei mais contra mim mesmo. Eu era gay e não podia mudar isso. Era mais forte que eu e além de tudo, era bom.

Desde então eu tenho agido de uma forma diferente, passei a contar para os meus amigos mais próximos e tenho sido eu mesmo, pela primeira vez na vida, protagonista da minha própria história.